...Madú...
Após sairmos do morro fomos para a casa dos meus pais.
— Madú, meu amor, você finalmente voltou filha! — Minha mãe falou emocionada. Dei um abraço apertado nela, que saudade! — Eu nem acreditei quando o Lú falou que estava indo te buscar filha! Você tá bem?
— Eu to ótima mãe, deu tudo certo. Já estamos livres do Boto, toda a dívida do maldito do Júnior foi paga.
— Você conseguiu filha! Você sempre consegue. — Ela falava orgulhosa.
— Minha Madú, eu estava angustiado sem você aqui, minha menina! — Meu pai veio e me abraçou também.
— Está tudo bem pai. Acabou o nosso sofrimento.
— Que alívio filha!
— Guenta aí que a bola tá chegando! — Sophia apareceu andando de vagar, a barriga dela estava enorme.
— Ai minha nossa! Olha o tamanho dessa barriga. — Fui até ela emocionada. — Sofia, você tá tão linda!!
— Ai Cunha, que saudade de você! — Não abraçamos.
— E esse meu sobrinho, tá aprontando muito?
— E como, tô uma bola gigantesca e não paro de crescer.
— Onde está sua pulseira? — Meu pai segura a minha mão e me olha de maneira confusa?
— Dei a um amigo pai, ele me deu esse colar em troca. — Mostrei o colar a ele. — Tanto o colar como a pulseira eram de proteção. Me desculpe, pai, mas foi importante fazer essa troca.
— Esse seu amigo deve ser importante, e ambos têm o mesmo santo protetor. — Os olhos do meu pai brilharam.
— Como assim?
— Você deu a medalha de São Jorge e ele lhe deu a espada do mesmo santo. Assim continuam abençoados e protegidos pelo santo guerreiro, e ainda mais ligados um ao outro.
Meus olhos enchem de lágrimas ao ouvir isso, mesmo sem saber, nós ainda estávamos ligados.
Jantamos e ficamos conversando sobre como as coisas estavam em Brésalen durante esses 4 meses. Como eu havia pedido, nenhum deles me perguntou nada sobre onde estava ou como consegui o dinheiro.
À noite fui pro meu quarto seguida pelo Lú e pela Sofia, ambos estavam agoniados pra saber de tudo. Já que eram os únicos que realmente sabiam onde eu estava.
— Ta legal, agora que eles já foram dormir, queremos saber de tudo. — Sofia falou se sentando na minha cama.
— Você disse que estava apaixonada pelo tal do chefe, que só conseguia dormir com ele e que o sexo era tudo de bom. Agora conta os detalhes. — Lú falou empolgado sentando perto da Sofia.
— Ta legal! — Respirei fundo e comecei a falar como me sentia ao lado do W. — No início eu confesso que estava apavorada, diante de tudo que havia me ocorrido no passado, mas o W, ele mudou tudo em mim. Com ele não tinha medo, ou dúvidas, tudo era perfeito. Havia carinho, respeito, cuidado e proteção. Cada beijo, cada toque, tudo era perfeito. Ele conhecia cada parte de mim, sabia o que eu gostava e o que não gostava, ele se importava muito em me satisfazer em todos os sentidos. Com ele eu podia dormir tranquila, pois eu sabia que nada nem ninguém poderia me machucar, até os meus pesadelos fugiam dele. Eu o amei e me senti muito amada.
Eu não tinha percebido que estava chorando até a Sofia me abraçar.
— E porque ele não está com você? — Lú falou se juntando ao abraço.
— Ele... — Parei e tentei achar uma resposta, mas não consegui. — Eu não sei, mas acredito que seja por preconceito, por receio de se envolver com alguém que se vende por dinheiro. Ele é rico, vive em meio a alta sociedade e deve se preocupar com o que dizem ou como enxergam ele. Eu não estou à altura de um homem assim.
— Então ele é um babaca! — Lú falou revoltado.
— É... Ele é um babaca. — Concordei. — E eu tenho que esquecer ele.
— Eu sinto muito Madú. — Sofia me olhou com condescendência.
— E o negócio de consertar computadores que você falou. Descobriu do que se trata? — Lú falou tá tentando mudar o assunto.
— A Ana Tereza me mandou um arquivo sobre isso, mas ainda não tive coragem de ler. Eu tinha esperança de que eles me contassem ou que eu descobrisse sozinha. Agora não sei se ainda quero ler.
— É melhor esquecer isso de vez, amiga. — Lú aconselhou.
— O Lú tem razão, ficar remoendo isso vai te fazer sofrer ainda mais.
— Verdade, é melhor voltar a minha vida. Me concentrar nos meus julgamentos e juntar dinheiro para finalmente comprar o meu apartamento. — Falei determinada.
— Isso aí Madú. Vida nova agora.
— Isso aí!
Não consegui dormir, mesmo com o Lú do meu lado. Na verdade eu nem tentei dormir, tive medo de ter pesadelos ou até de não ter. Estava me sentindo tão estranha, fiquei 4 meses longe desse quarto, e agora estava aqui de volta e me senti estranha nesse lugar.
Fiquei pensando mil coisas durante a madrugada inteira, nem meditar eu consegui. Fiquei literalmente acordada com os meus pensamentos até o dia amanhecer.
No dia seguinte
Levantei logo com os primeiros raios de sol. Tomei um banho e me arrumei para ir ao escritório.
— Já está de pé? Eu esqueci que você se levanta tão cedo. Não conseguiu dormir? — Lú se espantou ao me ver de pé tão cedo.
— Na verdade eu nem tentei. Estava com muita coisa na cabeça. — Falei terminando de me arrumar. — Vou trabalhar, estava com muita saudade do escritório, e tenho muita coisa pra fazer por lá.
— Quem tá com muita saudade de você no escritório é o Valter. — Lú falou com um ar travesso, e não entendi.
— O Valter?
— Ele perguntava todos os dias por você. Eu acho que deixou alguém apaixonado, amiga.
— Não, somos só amigos. — Falei de supetão, imagina só, eu e o Valter, nada a ver.
— Eu acho que ele quer ser um pouco mais que isso.
— Ta viajando Lú. — Tomo um café rápido e sigo pro escritório.
— Olha quem está de volta, e madrugadora como sempre. — Solano vem me cumprimentar assim que eu chego.
— Solano, como senti falta de você. — Dei um abraço no meu líder e amigo.
— Muito bom te ver aqui Madú, temos muita coisa pra fazer.
— Pode deixar.
— Madú, você voltou. Acabou a minha paz! — Ana Tereza chegou e ri do seu comentário.
— Olá, dona Ana. —Nos abraçamos.
— Eu já estava achando chato sair do escritório nos horários certinhos. — Ela falou irônica.
— Apois! Acabou a mamata, estou de volta e vamos madrugar nesse escritório até resolvermos todos os casos. — Falei rindo.
— Você é inacreditável!
Fui pra minha sala, e voltei a trabalhar nos casos que estavam em aberto, em especial ao caso do estuprador que o maldito Valmir havia reaberto. Eu não podia perder esse caso por nada no mundo.
— Madú, está de volta. Que saudade de ver você assim de perto! — Valter veio a minha sala e me deu um longo abraço.
— Valter, meu amigo, também estava com saudade. E temos muito trabalho pela frente.
— E como, deixa te passar tudo.
Ficamos até tarde trabalhando no caso, isso foi muito bom e serviu pra me distrair dos meus problemas e da saudade que eu sentia do chefe.
Uma semana depois.
Eu ainda não conseguia dormir, tinha medo dos pesadelos, além de ainda não me sentir bem naquele quarto, definitivamente eu precisava comprar o meu apartamento.
A saudade que eu sentia do W não havia diminuído nem um pouco, sempre que estava ociosa eu me pegava pensando nele, então a minha necessidade de trabalhar para ocupar a mente era cada dia maior.
Eu tinha voltado a trabalhar feito louca, passava mais tempo no escritório do que em casa.
— Acho que temos um caso sólido, vamos ganhar e colocar aquele fedelho de volta atrás das grades. — Valter falou se espreguiçando.
— Vamos sim. — Afirmei. — Se o Valmir tirar alguma carta da manga e nos vencer, eu juro que mato aquele desgraçado. Vou garantir que ele não vai fazer mal a garota alguma.
— Você fala tão sério, que até parece verdade. — Valter me olhava tenso.
— Eu estou cansada da impunidade Valter. Juro que adoraria colocar um fim na vida de cada vagabundo que tem por aí.
— Eu sei disso. Mas o nosso modo de fazer justiça é dentro da lei. E no julgamento de amanhã vamos vencer novamente.
— Vamos sim!
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 45
Comments
Fatima Vieira
ele vai ajudar ela
2024-10-27
0
Juliana Vicentina Da Vo
Da onde ela tirou essa ideia.
2024-09-26
0