De volta a Brésalen

...Madú...

O W veio até mim e sentou ao meu lado na cama. Ele retirou o colar que sempre usava do pescoço e me entregou. Era um colar de ouro com um pingente em formato de espada.

— O meu pai me deu esse colar no dia em que saí sozinho pela primeira vez pra consertar um computador. Ele disse que essa espada cortaria o mal e me traria proteção. Uso isso desde aquele dia. — Ele coloca o colar no meu pescoço e dá um beijo em seguida, o que me deixa arrepiada.

— Porque tá me dando algo que é tão importante e significativo pra você? — Perguntei.

— Eu nunca acreditei nessa coisa de proteção, mas esse colar representa carinho e cuidado, por isso eu nunca tirava. Quero que use isso e se lembre de mim.

Olho o colar e decido dar algo que considero precioso pra ele.

Retiro a minha pulseira, era uma pulseira de couro com um pingente de ouro, uma medalha. Meu pai me deu quando saí do hospital depois do incidente no morro. Ele me disse que era de algum santo e que me protegeria.

— Já que me deu a sua proteção, vou te dar a minha. Meu pai me deu essa medalha, eu não sei de que santo é, também não acredito nessas coisas, mas significa muito pra mim. Toma. — O entreguei a pulseira, ele enrolou no dedo, o que me faz rir, pois era óbvio que não caberia no braço dele. — Coloca num cordão maior.

— Ta legal assim, como um anel. — Ele deu um sorriso, mas parecia triste.

Eu sinto tanta vontade de chorar, me seguro ao máximo pra não fazer isso na frente dele. Eu também queria gritar, dizer que ele poderia enfrentar o preconceito por mim, pelo nosso amor. Mas eu sabia que não ia adiantar.

No fundo, eu nutria esperança de que ele tivesse voltado pra dizer que ia ficar tudo bem, que ficaríamos juntos, que nunca me deixaria ir.

Ele me abraçou e deitou ao meu lado, ficou fazendo carinho em meus cabelos, ficamos assim até que eu finalmente adormeci.

Na manhã seguinte

Acordei e o W não estava na cama, me levantei e procurei por ele, mas não estava no quarto. Na escrivaninha havia um bilhete deixado por ele.

..."Madú, muito obrigado por tudo, eu nunca esquecerei de tudo que vivemos nesses 4 meses. Aí está o envelope com o dinheiro que foi acertado, o Benj te levará de volta assim que estiver pronta....

...Adeus, W"...

Eu tive vontade de gritar, rasguei aquela merda de bilhete em pedacinhos, e chorei, chorei toda dor que estava sentindo naquele momento.

Como eu ainda podia ter nutrido esperanças de que ele não desistiria de mim. Aquele filho da mãe, ele nunca deve ter me amado, eu criei tudo aquilo na minha cabeça. Era melhor ir embora o quanto antes.

Arrumei a minha mala, levei apenas as roupas que havia trazido, tudo que ele me deu deixei no closet. Eu decidi que apenas levaria o que era meu. Peguei o envelope com o dinheiro que salvaria a minha família e guardei na mala.

Dele a única coisa que decidi levar foi aquele colar, não consegui tirar aquilo do pescoço, era mais forte do que eu.

Me ajeitei e desci.

— Bom dia Madú, não desceu pra tomar café. Quer que te prepare alguma coisa? — Marisol foi me receber na sala.

— Se não for incômodo Marisol, gostaria que me preparasse algo pra levar na viagem, e, por favor, avise ao Benj que já estou pronta para ir.

— Você já vai? — Ela me olhou espantada. — Achei que iria mais tarde.

— Prefiro ir de uma vez. — Eu estava magoada demais para continuar ali.

— O chefe saiu logo cedo. Mas disse que almoçaria em casa, ele deve querer se despedir. — Marisol falou, e só de ouvir o título dele de chefe, já me dava vontade de chorar.

— Acredite, ele não quer. Por favor avise ao Benj.

A Marisol sai e eu fico na sala, nesse momento tudo que mais quero é ir embora dali de uma vez por todas.

Em pouco tempo os meus amigos aparecem pra se despedir.

— Tchau tia Madú. Espero que venha pro meu aniversário. — Dou um abraço no pequeno César, me apeguei bastante a ele.

— Tchau meu amor!

— Não pense que vai se livrar de mim, nem que eu tenha que ir até Brésalen pra te ver. — Mercedes me abraçou em seguida.

— Quanto desprezo por Brésalen. — Falei achando graça. — Mas eu vou esperar a sua visita, amiga!

— E eu vou junto. Ai vou sentir muito a sua falta, chefa! — Bruna me abraçou chorosa.

— Eu também Bruna. Cuida do Benj.

— Pode deixar!

— Ta aqui o lanche. — Marisol me entregou uma sacola. — Que saudade vou sentir de você menina.

— Também vou sentir sua falta Marisol, obrigada por tudo!

Abraço todos eles e saio com o Benj. Dou uma última olhada na casa e entro no carro.

— Como voltar a vida sem a Madú? — Benj brincou.

— Vocês vão sobreviver! — Sorri.

— Desde que você chegou, toda vez que eu saía pra algum serviço, eu ficava pensando, tenho que fazer tudo direitinho, se der alguma merda, se me machucar a Madú vai ficar uma fera. — Ele falava rindo.

— E eu ia mesmo.

— No dia que o chefe se machucou, eu fiquei morrendo de medo de voltar e te encontrar. Pra mim você é mais protetora e perigosa que ele.

— Eu sou muito protetora mesmo. Mas não chego a ser perigosa. E não fala do Chefe, por favor. — Me machucava ouvir essa palavra e ter que pensar nele.

— Ta legal!

— E agora você tem alguém pra quem voltar. E a Bruna é bem protetora também. Vê se não vacila com ela Benj.

— Eu to tentando. Nunca namorei ninguém antes, então tá sendo difícil, mas eu tô dando o meu melhor.

— Ótimo!

Ficamos jogando conversa fora, eu confesso que estava muito triste. Era impossível não comparar a Madú que chegou em Codrinal com essa Madú que estava voltando pra casa.

Uma chegou triste, com medo, doida que isso acabasse logo, e a outra volta ainda triste, porém mais forte e determinada.

Entramos em Brésalen, minha cidade, cinzenta, mal cheirosa, sem muita decoração nas ruas, cheias de morro ao redor, nem se compara com a beleza e elegância de Codrinal.

— Chegamos! — Benj me deixou no mesmo lugar onde havíamos nos encontrado a 4 meses atrás.

— Obrigada por tudo Benj.

— Venho te visitar sempre que der. Não vai se livrar do seu parça.

— Assim espero. — Dou um abraço no meu amigo, e vejo o Lú chegando com o meu carro. Mandei mensagem pra ele vir me buscar assim que entramos em Brésalen. — Até mais.

Benj sai com o carro e eu corri até o Lú e dei um abraço apertado, que saudade do meu best.

— Ai amiga, eu já estava explodindo de saudade! Me diz como você tá? — Lu falou ainda me abraçando.

— Eu to bem amor! Que saudade de te abraçar!

— Aquele é o Chefe? Gato ele hein! — Lú se referia ao Benj.

— Não, aquele é o Benj, braço direito do chefe, e um ótimo amigo.

— Humm, tava rodeada de gatinhos hein. Vamos você tem que me contar tudo. Mas antes vamos pra casa dos seus pais. Eles estão enlouquecidos com a sua volta.

— Ta, mas primeiro vamos no Boto. Quero acertar tudo de uma vez. — Fui com o Lú até o morro do Boto.

— Olha quem está de volta! — O Gordo nos recebeu com um sorriso irônico. — Eu tava achando que você tinha fugido e largado a sua galera aí pra morrer. Mas sabia que você não era como o Júnior.

— Cadê o Boto? — Fui ríspida.

— Ta lá dentro!

Entrei e achei o Boto sentado na sala, estava ainda mais magro. O Boto era horrível, tipo um cadáver ambulante.

— Madú, como consegue ficar ainda mais bonita? — Ele falou se levantando.

— E como você consegue ficar ainda mais asqueroso? — Falei e ele riu.

— A língua continua afiada. Se demorasse mais um dia, eu ia atrás da sua família.

— Não diga! — Respondi com ironia. — Toma! — Peguei o envelope e entreguei a ele. Ele pega e conta cada centavo.

— 400 mil. Onde conseguiu esse dinheiro?

— Não é da sua conta! Agora deixe a minha família em paz.

— Tem a minha palavra. E você sabe que a palavra aqui no morro vale muito.

— Eu sei. Mas quero por escrito também.

Eu havia feito um documento detalhando que o Boto e seus comparsas nunca chegariam perto de ninguém da minha família, exceto o Júnior é claro. Por mim poderiam fazer picadinho daquele desgraçado.

— E se eu descumprir esse contrato? — Ele ria lendo o documento.

— Você não vai. — Afirmei. — A palavra vale muito, lembra? Imagina se seus aliados soubessem que além de negar a sua palavra, ainda rasgou um contrato assinado?

— Você é esperta. — Ele assinou o contrato. — Por que não tem o nome do Júnior nessa lista de intocáveis? Até o seu amigo Lú tá aqui.

— Por que o Júnior já morreu pra mim. Então pra que se preocupar com um cadáver? — Falei.

— Você é perigosa Madú.

— Adeus Boto! — Dei as costas e saí andando, mas antes ouvi ele perguntar.

— Adeus Maduzinha! Se eu achar o Júnior. Quer que dê algum recado?

— Diz que ele teve sorte de eu não ter encontrado ele primeiro.

Saio de lá ouvindo as gargalhadas do Boto. Espero nunca mais pisar nesse morro.

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Comments

leyde

leyde

É um babaca

2024-07-07

2

Carolainy Lima

Carolainy Lima

e uma pena aquele imbecil do w aff

2024-07-06

0

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