13

 Emma Duran

Hellen veio junto com um caminhão de mudanças. Todos os quadros estavam sendo empacotados sobre os olhares de Noah, para serem enviados para Seattle. Enquanto isso, Hellen e eu ficamos na sala sentadas no sofá. A mulher do meu lado parecia inquieta.

—  Está tudo bem? —  indago tendo sua atenção. Seu sorriso vacila e vejo que ela possa estar com problemas.

—  Será que o Sr. Peterson vai demorar?

—  Noah? – indago confusa. Ela afirma com a cabeça e olho para o corredor onde mais um funcionário saiu com um quadro todo coberto. — Se bem o conheço vai sim. Ele é bastante cuidadoso e responsável com os quadros, só vai sair daquele quarto quando o último sair.

Hellen assente e fica indecisa sobre algo até virar para mim aflita.

—  Frank tem apenas alguns dias vida. —  libera de uma vez e pisco aturdida com a confissão.

—  O quê?

—  Me desculpe falar assim de um jeito tão indelicado, mas é que fiquei sabendo hoje e eu precisava contar para alguém.

—  Tudo bem, eu havia notado que estava nervosa, mas e as medicações que ele vinha tomando?

—  Só vai mantê-lo vivo por um tempo. — desabafa deixando os ombros caírem. —  E ele já não quer mais prolongar essa situação.

—  Eu sinto muito, Hellen. —  dou-lhe meu apoio. —  Será que antes de irmos para o aeroporto, podemos passar no hospital? Acho que Noah também gostaria de ir.

—  Claro Frank também vai gostar de revê-los.

Uma hora depois estávamos no hospital. Da última vez, tratei Frank mal e me arrependo por isso. Hoje vejo o quanto fui rude com um senhor que amou muito sua mulher. Afinal de contas, amar não é pecado. Amar alguém é te levar à caminhos diferentes, cabe a nós mesmos saber se será um caminho bom ou não.

—  Tudo bem? —  Noah pergunta quando paramos novamente na porta de número 86 e afirmo em silêncio.

—  Sr. Frank, olha só quem veio se despedir do senhor? —  Hellen fala com falsa felicidade e sinto meu estômago embrulhar. Ela não poderia usar outras palavras?

Frank estava meio sentado e meio deitado, seu rosto pareceu iluminar quando nos viu e não deixou de reparar em nossas mãos juntas.

—  Já estão de partida meus jovens?

—  Ficamos mais tempo do que previsto, mas acho que o senhor sabe disso. —  brincou Noah.

—  Mas pelo que vejo o tempo que ficaram revelou muitas coisas.

—  Tem razão Sr. Frank, revelou coisas maravilhosas. —  murmura Noah e olho para Noah que me encara amoroso e sorrio tímida.

—  Está feliz minha jovem? —  Frank pergunta e giro de volta para ele.

—  Muito.

—  Mas então, por que está preocupada?

Não sabia que minha cara falava por si só.

Aproximei-me de sua cama junto com Noah.

—  Queria pedir desculpas da outra vez que estive aqui. Sei que fui grossa e mal-educada.

Ele sorri e busca minha mão, dou de bom grado.

—  Não há o que desculpar menina linda, eu sempre soube que você era uma boa pessoa, estava apenas pensando na amiga.

—  Obrigada Frank, fique sabendo que a carta será entregue, tudo vai depender de Meg. —  dou um sorriso sincero e ele acena.

—  Tudo bem, mas apesar de você querer disfarçar, ainda vejo preocupação em seus olhos.

Pisco surpresa com a análise de Frank. Não conseguiria disfarçar que estava com medo de voltar para casa encontrar meu marido.

—  Todo mundo tem problemas. —  digo dando de ombros para não dar importância.

—  Mas nem todo mundo é você minha jovem. — ele disse e sorri mais aberto. —  Sua postura mostra uma mulher corajosa, basta libertar.

Sinto meus olhos lacrimejarem e me solto de Noah para abraçar Frank, tendo o maior dos cuidados com os tubos finos em seu corpo. Volto para o lado de Noah vendo o orgulho em seus olhos.

—  Bom Sr. Frank, Hellen conseguiu trocar nossas passagens e já está na hora de irmos. Foi um prazer vê-lo de novo. —  fala Noah agradável, mas sinto a tristeza.

—  Ah, sim claro. Gostei da visita, obrigado por virem e voltem mais vezes. —  pediu e confirmamos.

—  Da próxima vez quero vê-lo fora dessa cama.

—  brinca Noah e sorrio em companhia.

Frank gargalhou e com um aceno saímos do quarto.

Por algum motivo me sentia triste por deixar o Colorado. Sempre me lembrarei de Frank e do seu chalé que foi meu companheiro e de Noah por quase três dias. No fundo sabíamos que quando voltássemos, ele não estaria mais entre nós. No avião, seguro a mão de Noah e ficamos assim durante toda a viagem. Em pouco tempo pousamos no aeroporto de Seattle.

Vi-me olhando para as pessoas e principalmente para homens. Alguns comendo, outros no celular, com famílias ou até mesmo lendo. Tinha a sensação de estar sendo vigiada, a mesma sensação de quando fugi da Nova Zelândia. Os primeiros dias aqui em Seattle foram desconfiados. Olhava para todos imaginando que a qualquer momento alguém me reconheceria.

—  Está tudo bem. —  Noah afirma apertando leve minha mão e suspiro.

Repito essas palavras diversas vezes até finalmente avistar Gael com seu fardamento habitual de trabalho. Ele trazia um sorriso faceiro e fitava nossas mãos. Ah sim, isso iria render muito.

—  Não me digam que sou o primeiro a saber, que vocês estão juntos? —  Gael questiona surpreso e feliz e sorrio esquecendo as pessoas ao redor.

—  Você poderia ficar calado Gael. —  retruca Noah com sua voz suave e divertida fazendo Gael gargalhar.

—  Finalmente! —  ele vibra e sorrio constrangida. Afinal de contas, eu que impedia a aproximação. Noah me abraça e escondo meu rosto em seu peito por instantes. —  Todos vão ficar felizes, principalmente Rose. Ela está brava por ter desligado na cara dela, mas quando souber que estão juntos... Me diga Liz, o que meu irmão fez para que cedesse aos encantos?

A menção do nome que uso traz de volta o que foi esquecido por segundos. Fito Noah que me passa confiança apenas com o olhar.

—  Eu tenho algo para contar Gael, para você e o resto da família. É um pouco delicado porque é sobre meu passado. Tem algumas coisas que vocês precisam saber.

Gael cruza os braços preocupado e olha de mim para Noah que mantém a mão em minha cintura com carícias.

—  Se você puder ligar para David e Jennifer e pedir para passarem um tempo aqui será melhor, assim 'Liz' conta tudo para todos de uma vez. — murmura Noah e Gael assente.

—  Só preciso saber se está tudo bem. —  Gael impôs me olhando.

Eu sou a melhor amiga de Meg, Gael entende que somos como quase irmãs. Portanto, qualquer coisa quer relacione a Meg, também faz ligação com ele. Respiro fundo querendo dizer que sim, mas isso não sai. Como vou dizer se está tudo se posso perder Meg e pessoas que passei a amar? Noah dá um pequeno passo com meu silêncio e sorri positivo para o irmão.

—  Vai ficar, em breve vai ficar.

Gael não perguntou mais nada e seguimos para o carro. Durante o caminho, ele ligou para David que falou que já estava pensando em vir visitar os pais. Avisou que chegaria à noite. Não haveria problema, pois Gael estaria trabalhando e minha verdade ficaria para o dia seguinte.

Após sermos deixados no apartamento de Noah, Gael foi para o Corpo de Bombeiros para seu turno, e eu fui para debaixo do chuveiro. Precisava me acalmar.

Estou em Seattle, mas estou segura. Tenho que pensar positivo.

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Vilza de Souza

Vilza de Souza

Não tem como comentar, estou tensa, ansiosa.

2023-11-08

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