Emma Duran
Hellen veio junto com um caminhão de mudanças. Todos os quadros estavam sendo empacotados sobre os olhares de Noah, para serem enviados para Seattle. Enquanto isso, Hellen e eu ficamos na sala sentadas no sofá. A mulher do meu lado parecia inquieta.
— Está tudo bem? — indago tendo sua atenção. Seu sorriso vacila e vejo que ela possa estar com problemas.
— Será que o Sr. Peterson vai demorar?
— Noah? – indago confusa. Ela afirma com a cabeça e olho para o corredor onde mais um funcionário saiu com um quadro todo coberto. — Se bem o conheço vai sim. Ele é bastante cuidadoso e responsável com os quadros, só vai sair daquele quarto quando o último sair.
Hellen assente e fica indecisa sobre algo até virar para mim aflita.
— Frank tem apenas alguns dias vida. — libera de uma vez e pisco aturdida com a confissão.
— O quê?
— Me desculpe falar assim de um jeito tão indelicado, mas é que fiquei sabendo hoje e eu precisava contar para alguém.
— Tudo bem, eu havia notado que estava nervosa, mas e as medicações que ele vinha tomando?
— Só vai mantê-lo vivo por um tempo. — desabafa deixando os ombros caírem. — E ele já não quer mais prolongar essa situação.
— Eu sinto muito, Hellen. — dou-lhe meu apoio. — Será que antes de irmos para o aeroporto, podemos passar no hospital? Acho que Noah também gostaria de ir.
— Claro Frank também vai gostar de revê-los.
Uma hora depois estávamos no hospital. Da última vez, tratei Frank mal e me arrependo por isso. Hoje vejo o quanto fui rude com um senhor que amou muito sua mulher. Afinal de contas, amar não é pecado. Amar alguém é te levar à caminhos diferentes, cabe a nós mesmos saber se será um caminho bom ou não.
— Tudo bem? — Noah pergunta quando paramos novamente na porta de número 86 e afirmo em silêncio.
— Sr. Frank, olha só quem veio se despedir do senhor? — Hellen fala com falsa felicidade e sinto meu estômago embrulhar. Ela não poderia usar outras palavras?
Frank estava meio sentado e meio deitado, seu rosto pareceu iluminar quando nos viu e não deixou de reparar em nossas mãos juntas.
— Já estão de partida meus jovens?
— Ficamos mais tempo do que previsto, mas acho que o senhor sabe disso. — brincou Noah.
— Mas pelo que vejo o tempo que ficaram revelou muitas coisas.
— Tem razão Sr. Frank, revelou coisas maravilhosas. — murmura Noah e olho para Noah que me encara amoroso e sorrio tímida.
— Está feliz minha jovem? — Frank pergunta e giro de volta para ele.
— Muito.
— Mas então, por que está preocupada?
Não sabia que minha cara falava por si só.
Aproximei-me de sua cama junto com Noah.
— Queria pedir desculpas da outra vez que estive aqui. Sei que fui grossa e mal-educada.
Ele sorri e busca minha mão, dou de bom grado.
— Não há o que desculpar menina linda, eu sempre soube que você era uma boa pessoa, estava apenas pensando na amiga.
— Obrigada Frank, fique sabendo que a carta será entregue, tudo vai depender de Meg. — dou um sorriso sincero e ele acena.
— Tudo bem, mas apesar de você querer disfarçar, ainda vejo preocupação em seus olhos.
Pisco surpresa com a análise de Frank. Não conseguiria disfarçar que estava com medo de voltar para casa encontrar meu marido.
— Todo mundo tem problemas. — digo dando de ombros para não dar importância.
— Mas nem todo mundo é você minha jovem. — ele disse e sorri mais aberto. — Sua postura mostra uma mulher corajosa, basta libertar.
Sinto meus olhos lacrimejarem e me solto de Noah para abraçar Frank, tendo o maior dos cuidados com os tubos finos em seu corpo. Volto para o lado de Noah vendo o orgulho em seus olhos.
— Bom Sr. Frank, Hellen conseguiu trocar nossas passagens e já está na hora de irmos. Foi um prazer vê-lo de novo. — fala Noah agradável, mas sinto a tristeza.
— Ah, sim claro. Gostei da visita, obrigado por virem e voltem mais vezes. — pediu e confirmamos.
— Da próxima vez quero vê-lo fora dessa cama.
— brinca Noah e sorrio em companhia.
Frank gargalhou e com um aceno saímos do quarto.
Por algum motivo me sentia triste por deixar o Colorado. Sempre me lembrarei de Frank e do seu chalé que foi meu companheiro e de Noah por quase três dias. No fundo sabíamos que quando voltássemos, ele não estaria mais entre nós. No avião, seguro a mão de Noah e ficamos assim durante toda a viagem. Em pouco tempo pousamos no aeroporto de Seattle.
Vi-me olhando para as pessoas e principalmente para homens. Alguns comendo, outros no celular, com famílias ou até mesmo lendo. Tinha a sensação de estar sendo vigiada, a mesma sensação de quando fugi da Nova Zelândia. Os primeiros dias aqui em Seattle foram desconfiados. Olhava para todos imaginando que a qualquer momento alguém me reconheceria.
— Está tudo bem. — Noah afirma apertando leve minha mão e suspiro.
Repito essas palavras diversas vezes até finalmente avistar Gael com seu fardamento habitual de trabalho. Ele trazia um sorriso faceiro e fitava nossas mãos. Ah sim, isso iria render muito.
— Não me digam que sou o primeiro a saber, que vocês estão juntos? — Gael questiona surpreso e feliz e sorrio esquecendo as pessoas ao redor.
— Você poderia ficar calado Gael. — retruca Noah com sua voz suave e divertida fazendo Gael gargalhar.
— Finalmente! — ele vibra e sorrio constrangida. Afinal de contas, eu que impedia a aproximação. Noah me abraça e escondo meu rosto em seu peito por instantes. — Todos vão ficar felizes, principalmente Rose. Ela está brava por ter desligado na cara dela, mas quando souber que estão juntos... Me diga Liz, o que meu irmão fez para que cedesse aos encantos?
A menção do nome que uso traz de volta o que foi esquecido por segundos. Fito Noah que me passa confiança apenas com o olhar.
— Eu tenho algo para contar Gael, para você e o resto da família. É um pouco delicado porque é sobre meu passado. Tem algumas coisas que vocês precisam saber.
Gael cruza os braços preocupado e olha de mim para Noah que mantém a mão em minha cintura com carícias.
— Se você puder ligar para David e Jennifer e pedir para passarem um tempo aqui será melhor, assim 'Liz' conta tudo para todos de uma vez. — murmura Noah e Gael assente.
— Só preciso saber se está tudo bem. — Gael impôs me olhando.
Eu sou a melhor amiga de Meg, Gael entende que somos como quase irmãs. Portanto, qualquer coisa quer relacione a Meg, também faz ligação com ele. Respiro fundo querendo dizer que sim, mas isso não sai. Como vou dizer se está tudo se posso perder Meg e pessoas que passei a amar? Noah dá um pequeno passo com meu silêncio e sorri positivo para o irmão.
— Vai ficar, em breve vai ficar.
Gael não perguntou mais nada e seguimos para o carro. Durante o caminho, ele ligou para David que falou que já estava pensando em vir visitar os pais. Avisou que chegaria à noite. Não haveria problema, pois Gael estaria trabalhando e minha verdade ficaria para o dia seguinte.
Após sermos deixados no apartamento de Noah, Gael foi para o Corpo de Bombeiros para seu turno, e eu fui para debaixo do chuveiro. Precisava me acalmar.
Estou em Seattle, mas estou segura. Tenho que pensar positivo.
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Comments
Vilza de Souza
Não tem como comentar, estou tensa, ansiosa.
2023-11-08
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