Noah Peterson
O aeroporto estava uma confusão. Parecia que todos haviam decidido viajar nesse dia. Sem paciência para ler qualquer coisa, achei divertido olhar as pessoas.
Muitas delas corriam de um lado para outro. Ou eram suas primeiras vezes, aqui, ou estavam atrasados. Outros pareciam tão perdidos no que estavam lendo que eram capazes de perder o voo por não ouvir a chamada. Na minha frente havia um casal apaixonado. Pelo chamego eu apostaria em primeiras férias juntos, ou quem sabe viajavam para uma lua de mel.
Verifiquei o relógio. Meu voo estava quinze minutos atrasado e eu ficando entediado. Como seriam as coisas se minha Liz tivesse aceitado a proposta? Eu estaria de bom grado aqui, se estivesse do meu lado mesmo com sua cara aborrecida. Depois daquele dia não tive mais notícias. Presumi que devia estar chateada ou com raiva. Era seu jeito. Toda vez que me aproximo, ela se afasta.
Não entendo porque ela faz isso. É claro o sentimento que ela sente por mim, mas ela nega todas às vezes. Talvez ela ainda não tenha percebido, eu mesmo demorei algum tempo para entender o que sentia quando estava comigo.
A voz feminina finalmente anunciou o voo para Colorado e me levantei pegando minha única mala de mão para o avião. Entrei na fila fazendo todos os procedimentos e logo depois me pus a procurar meu assento, na janela onde posso ver o céu.
Minutos depois, de um jeito nada gentil, senti alguém sentar do meu lado. Tive vontade de dizer que o assento era de outra pessoa, mas a outra pessoa em questão não viria. Por isso dei o tempo dela se ajeitar e finalmente se aquietar. O caso foi que ficou quieto demais e olhei para saber se a pessoa havia ido embora.
Surpresa minha quando vi os cabelos loiros e o rosto endurecido de Liz. Seus olhos estavam completamente fechados e ela respirava fundo. Suas mãos seguravam a poltrona do avião com bastante força. Eu riria se não estivesse tão surpreso por vê-la.
— O que faz aqui, Liz?
— O que lhe parece? Indo para Colorado. — respondeu pouco agressiva, mas já estava acostumado.
— Quero saber por que está aqui indo para Colorado? Ficou bastante claro que não viria.
— Eu mudei de ideia.
Sua respiração acelerou quando o comandante deu as informações necessárias sobre as condições do tempo e a hora prevista. Aproximei-me quase beijando sua orelha.
— Tem medo de altura?
— Eu diria que não sou muito fã de aviões.
Suspirei satisfeito não por seu medo, mas por ela estar aqui comigo. Com o braço livre, puxei seu queixo para mim. Os olhos ainda estavam fechados e firmes. Vi seu peito encher quando o avião começou a taxiar na pista.
— Abra os olhos Liz.
— Tcs! — negou com um resmungo.
Soltei seu queixo para encaixar minha mão entre o vão de seu pescoço. Puxei-a um pouco para mim sentindo a respiração quente e rápida em meu ombro.
— Está segura. Eu estou aqui e prometo que nada vai lhe acontecer. Está segura comigo. — me afastei vendo seus olhos um pouco mais relaxados. — Olhe para mim Liz. — ordenei quase como um pedido.
Ela tremeu e suspirou ao abrir os olhos diretamente para mim. Absorvi o medo que ela sentia e sorri solidário. Voluntário ou não, seu olhar baixou para minha boca. Pensei que quisesse que eu a beijasse e teria feito de bom grado, mas segurei à vontade. Algo me dizia que depois ficaria com muita raiva.
Senti o momento que o avião inclinou e subiu. Liz ainda estava focada em mim e fiquei feliz por ser eu em diminuir um pouco seu medo. Quando por fim o comandante informou que tivemos uma boa decolagem, soltei Liz me afastando um pouco. Não era o que queria, mas era o certo a fazer naquele momento.
— Se ainda estiver com medo, pode segurar minha mão. — ofereci gentilmente. Liz recordou onde estava e piscou atordoada sentando direito em sua poltrona.
— Eu não... Não preciso de sua mão.
— Serão umas duas horas de viagem, isso se não houver problemas.
— Ah, cale a boca, Peterson!
Meu riso sai livre e observo-a se afundar na poltrona. Será uma curta viagem, porém a mais prazerosa que já tive.
— Senhores passageiros, voltem para seus lugares e apertem o cinto de segurança, dentro de poucos minutos iremos pousar em Denver.
Deixei a revista que fingia ler de lado, e apertei o cinto. Um breve olhar para Liz me mostrou que nem se quer se mexeu para tal ato. Também não foi preciso, ela não soltou o cinto durante toda a viagem, por mais que eu dissesse que era seguro fazer isso.
O avião inclinou suave e como uma águia em busca do peixe, sua mão agarrou a minha. Abri minha mão de modo que a sua ficasse mais acomodada e deitei para o lado. Liz já trazia uma respiração rápida, os olhos, entretanto estavam abertos.
— Liz? — chamei e diferente da primeira vez ela me olhou sem hesitar. Sua confiança me deu segurança, e sem conter mais um segundo ao seu lado, avancei tocando seus lábios.
Foi de leve, somente para lembrar-me do quão macios eles são.
— Está quase no fim. — sussurrei inebriado por seus olhos que me desejavam.
O avião deu um pequeno solavanco e soube que estávamos em terra firme. Minha verdadeira alegria era saber que ela estaria comigo na volta. Sem falar absolutamente nada, Liz pegou sua pequena mala de mão e saiu para o aeroporto. Sorri por sua falta de fala. Ela deveria estar no mínimo agradecia por tirar sua atenção do avião.
— Então, para onde vamos agora? — Liz me pergunta e dou de ombros.
— Vamos esperar. No e-mail que recebi disse que alguém viria nos pegar.
— Ótimo! — bufa sem paciência enquanto caminha para um dos bancos presentes e sigo-a.
— Um pouco mais de alegria Liz, estamos em Colorado.
— Isso não significa que tenho que sair por aí cantando “noite feliz”.
— Eu não recomendaria. Se não sabe, ainda não estamos no Natal.
— Você é insuportável Noah e só para deixar você a par das coisas, aquilo que houve no avião, não vai mais acontecer.
— Sinto lhe dizer Liz, mas aquilo que houve no avião foi só o começo! — rebato e ela para abruptamente, virando-se para mim.
— Não ousaria fazer isso. — comenta nervosa e sorrio sentando na cadeira e cruzando os braços.
— Eu não vou, não se preocupe. — ela respira aliviada e dou a última cartada. — Você é que vai.
Seus olhos dardejam para mim céticos, e senta uma cadeira longe, cruzando também os braços.
— Idiota! — resmunga e escondo o riso. Não quero deixá-la mais irritada.
Menos de cinco muitos, uma ruiva com um sorriso simpático e olhos culpados, curva sobre mim tocando meu ombro. Ela usa um casaco marrom longo combinando com o cachecol vermelho.
Imagino que lá fora deva estar frio.
— Você é Noah Peterson? — pergunta gentil e sorrio amigável.
— Sim, sou Noah.
— Ainda bem, me desculpe o atraso mais o tempo está ficando ruim.
— Sem problemas senhorita...
— Ah, sim meu nome, Hellen, Hellen Green.
— Prazer em conhecê-la e não se preocupe, não está atrasada. Meu voo atrasou de modo que você chegou praticamente na hora de nosso desembarque. — digo e escuto um pigarrear atrás de mim. Liz está com uma sobrancelha erguida e tenho vontade de rir por ela poder estar com ciúmes. – Deixe lhe apresentar Hellen, está é uma amiga, Liz Miller.
— Oi. — Liz diz indiferente ao mesmo tempo em que segura sua mão.
— Olá! É um prazer conhecê-la também.
— O prazer é meu. Foi você que mandou o e-mail?
— Tecnicamente sim, mas a ideia foi do Sr.
Collins.
— Iremos vê-lo hoje? — indago tendo sua atenção.
— Sim, ele está ansioso para vê-lo, então é melhor irmos. – diz, mas noto sua voz entristecida.
— Está tudo bem? – Liz pergunta. Ela também deve ter notado a tristeza.
— Sim, mas devo informá-los que o Sr. Frank Collins não está bem de saúde. Por isso terei que levá-los para o hospital. Ele deseja muito falar com você Sr. Peterson.
— Claro, não tem problema nenhum, vamos.
A notícia me pegou desprevenido e olhei para Liz que também pareceu abalada. Com um simples aceno para ela, pegamos nossas únicas malas e seguimos para o hospital.
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