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 Noah Peterson

Horas no telefone me rendeu exatamente o que queria. Liguei para um investigador conhecido e lhe dei o máximo que sabia da história. Se esse homem estava em Seattle, eu iria achá-lo. Volto para sala em busca de mais informações sobre esse tal de Rupert além de ter muitas outras perguntas.

Minha raiva pela história de Liz... Emma, me deixou cego. A vontade que tinha era de encontrar Rupert e desfigurá-lo. Sei que ela não me contou tudo, deve ter reparado na raiva que eu estava sentindo. Já ouvi casos de mulheres que são espancadas pelo marido e pensar que alguém chegou a fazer isso com ela me deixa em um nível de irritação imensurável. No tapete branco e macio, ela dormia encolhida. O rosto estava molhado me avisando que havia chorado. As duas fotos estavam presas em sua mão.

Só percebo a burrada que fiz quando a vejo neste estado. Deixei minha mulher sozinha e sem amparo. Nem sequer notei que ela precisava de mim no momento. Ela mentiu, eu sei, mas o que vivemos foi real e verdadeiro e não sou tão ignorante para não entender porque resolveu esconder. Só um cego para não enxergar o quanto ela gosta de Meg com quem dividiu alguns anos e o carinho que sente por minha família. Acaricio seu rosto com delicadeza e um suave suspiro sai de seus lábios como se finalmente o corpo relaxasse. A pele lisa e branca do rosto não carrega a imagem de que um dia teve manchas criadas por um filho da mãe. Esse homem vai chorar e se arrepender por ter nascido! Vou expor o imbecil que é, vai perder o emprego e nunca mais na vida terá uma mulher decente.

Olhando para suas mãos, lembro do fato dela ter uma filha. Sorrio vendo a foto de sua pequena. O sorriso é igual ao da mãe. Consigo entender porque ela tem tanta proteção por Meg e o quanto está ansiosa para ter seu sobrinho nos braços. Ela sente falta da filha e Meg pode lhe dar um pouco do que ela tinha. Mas isso não será necessário, em pouco tempo trarei sua família para Seattle.

Com um pouco de dificuldade por ela estar no chão, pego-a em meus braços para levá-la para cama. Liz... Quer dizer, Emma resmunga, mas continua dormindo. O dia foi exaustivo para ela, ter que relembrar certos momentos de sua vida deve ter sido angustiante.

O relógio marcava quatro horas da madrugada. Eu estava cansado, realmente foram muitas horas. Coloquei Emma na cama, a cobrindo com cobertor e me encostei à cabeceira pelo que devia ser alguns segundos, porém no meio do caminho me rendi ao sono.

—  Eu já disse que ele está dormindo Rose... Estamos no chalé do Sr. Frank, o homem dos quadros, que na verdade são da esposa dele. Bom, isso é meio complicado de explicar. —  bufa Emma enquanto eu abro meus olhos.

Ela estava na janela com seu blusão de frio, observando a paisagem branca do lado de fora. Mexo meu corpo sentindo as dores por ter dormido sentado.

—  É claro que não vou matá-lo Rose, é mais fácil ele querer minha cabeça em uma bandeja dourada.

—  comenta e ergo uma sobrancelha.

—  Eu não sou um monstro. —  digo lhe dando um susto. O telefone quase voa de suas mãos e seguro o riso.

Saio da cama indo em direção a Emma e pegando o celular de volta. Antes mesmo de pôr no ouvido, consigo ouvir a voz alta de Rose.

—  Liz? Alô? Está me ouvindo? Alôôô?

—  Rose, sou eu.

—  Noah? Mas você não estava dormindo?

—  Digamos que "Liz" tem uma voz alta. —  falo fitando Emma que me olha paralisada com os olhos esbugalhados.

—  Espera aí, estão no mesmo quarto? Então deu certo? Estão juntos?

—  São muitas perguntas, Rose.

—  Mas só preciso de uma resposta, mais precisamente três palavrinhas. —  afasto o celular do meu ouvido.

—  Sabia que tem uma amiga curiosa? – murmuro para Emma que dá de ombros.

—  Eu curiosa? Noah! Sou sua irmã, só quero saber se está tudo bem e se deu tudo certo. – Rose resmunga irritada.

—  Está tudo bem por aqui, mas ainda há questões que precisam ser explicadas.

—  Como assim, Noah? O que quer di...

—  Até mais Rose, não se preocupe estamos bem e, por favor, não ligue mais. Diga a todos que estamos bem.

Desligo o celular sobre resmungos de Rose. Emma parece desconfortável. Um cabelo cai em seu rosto e de prontidão ponho para trás de sua orelha. O simples toque em sua pele esquenta meu corpo.

—  Oi. – cumprimento e ela franze a testa piscando confusa.

—  O— oi?

—  O que me disse mais cedo é toda a verdade? — pergunto lembrando da conversa e Emma balança a cabeça rapidamente. —  Por que não nos sentamos?

—  Mas você não está zangado? —  indaga vindo atrás de mim.

—  Não posso ficar zangado com você. Estava fugindo de um canalha. —  paro ao lado da cama e me viro para olhá-la. —  Consigo entender o fato de toda essa mentira, de ser alguém que não é, eu não sou um idiota. Só não consigo entender porque não confiou em mim para contar tudo.

A compreensão cobre seu rosto e suspira derrotada. Sento na cama no mesmo tempo que ela, que aproveita para cruzar as pernas sobre o colchão.

—  Não contei porque tinha medo. Não queria envolver vocês nisso e não queria me envolver contigo. Você é um homem em ascensão, está crescendo cada vez mais no mundo das artes e pessoas como você é notícia em qualquer lugar, mas além de ser conhecido como dono das artes, é também como mulherengo, paquerador de primeira classe, se por acaso você aparecesse compromissado... —  Emma se interrompe como se tivesse tido uma descoberta. – Meu Deus, ele provavelmente me viu em algum jornal, fotos... A exposição de Meg nos trouxe até Frank em Colorado, Rupert pode ter me visto.

O desespero de Emma me deixou inquieto e preocupado. Aproximei-me segurando sua mão, mas ela saiu da cama nervosa. Podia até ver seu pensamento a mil.

—  Calma, Emma... —  tento falar, mas ela não ouve.

—  Ele veio atrás de mim, ele realmente sabe que estou em Seattle e agora?  —  ela soluça e a trago para meu colo em um puxão ao ver o medo nos seus olhos.

—  Respire, Emma. —  sussurro em seu ouvido.

—  Respire devagar. Ele está em Seattle e você no Colorado, mais precisamente em um chalé cercado por neve, como se não bastasse a distância você está comigo.

Isso pareceu acalmá-la. Emma podia ser qualquer pessoa, mas eu sabia como ela era.

—  Quando voltarmos para Seattle ficará comigo ou com meus pais, pode até passar um tempo na fazenda de Jennifer, você escolhe.

—  Obrigada. —  ela sussurra e beijo seus cabelos.

—  Não por isso. Olha, eu vou estar com você sempre, não vou deixar que nada de mal te aconteça.

—  É bom ouvir isso. – murmura abafada em meu peito e sorrio.

—  Eu sei que é.

Após alguns minutos e com uma Emma mais tranquila em meus braços, considero que é hora de esquecer tal assunto por enquanto. Já fazia tempo que tínhamos tido uma refeição decente.

—  O que acha de fazermos uma pizza? — pergunto sentindo seu sorriso.

—  Só uma?

—  Tem razão. Serão duas tamanho família.

Ela se separa de mim rindo. É bom finalmente ouvir esse som.

—  Desde quando sabe fazer pizza?

—  Desde que minha mãe ensinou todos os seus filhos. Vamos?

Antes mesmo de levantar, Emma segura minha mão e paro voltando para ela.

—  Eu confio em você. —  murmura culpada e me desarmo. —  Só não contei antes por medo, mas eu confio.

—  Tudo bem, eu entendo. Mas mesmo com medo, não esconda mais. Não pode carregar tudo sozinha.

—  digo e ela acena.

No impulso me inclino para beijá-la. A sensação é boa. Ela não se afasta e segura forte em minha mão. Minha vontade é de deitá-la e amá-la devidamente, mas não é o momento. Por isso me afasto com um leve sorriso vendo seu rosto tímido. Essa é Emma, aquela que em momentos vulneráveis aparecia muitas vezes.

—  Vamos fazer uma pizza! —  falo a fazendo rir.

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Vilza de Souza

Vilza de Souza

Agora morro de ansiedade pelo fim do escroto.

2023-11-08

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