Emma Duran
Eu estava finalmente mais leve. Contar a verdade para Noah foi a melhor coisa que fiz nesses anos. Confesso que fiquei com medo de ele me rejeitar e me querer longe, mas quando acordei abraçada a ele hoje de manhã, uma fagulha de esperança se acendeu e depois de nossa pequena conversa e do beijo lento e sensual que me desestabilizou, tudo ficou melhor.
Enquanto a massa da pizza estava no forno para uma pré-aquecida, Noah serviu refrigerante após sentar-se na minha frente.
— Isso está parecendo coisa de adolescente. – brinca com um sorriso torto nos lábios. — Um cara fazendo pizza para impressionar a garota de quem está afim.
— Se essa garota for quem eu estou pensando, tenho certeza que não é necessário muito para impressioná-la. — rebato e seus olhos se apertam me encarando. Ele me avalia durante um tempo.
— Então, quer dizer que você é morena. Me custa acreditar.
— Isso por que você gosta de loiras? — indago ansiosa. Faz tempo que queria voltar para meu cabelo preto.
— Eu não tenho preferências Emma, não são os cabelos que mandam no coração. — murmura carinhoso e sorrio sem graça com sua resposta.
— Gosto de ouvir você me chamar de Emma. — confesso vendo seu sorriso gentil.
— Combina com você. — pisca para mim e vasculha meu corpo de cima abaixo. — Mas continuando, para você não criar coisas na sua cabeça, também me custa acreditar que tenha uma filha. Seu corpo é lindo.
Solto o riso sem me conter. Noah nunca teve “papas na língua” e agradeço por isso. Gosto quando ele me paquera com os olhos.
— Tive Lana de parto normal. — digo relembrando o dia. — Ela demorou a nascer. Já estava tão cansada e o médico não parava de gritar para que eu fizesse mais força. Minha mãe estava na sala comigo e me incentiva todo o tempo.
— E o pai? — dou de ombros quando ele pergunta.
— Nunca perguntei onde ele estava quando minha filha nasceu, e agradeço por ele não estar comigo naquele dia. Era um momento especial, de amor, não queria energias ruins. Sabe que depois que ouvi o choro dela foi como se o mundo tivesse parado.
Ela era tão pequenininha, tão frágil...
— Sente saudade dela, não sente?
— Muita! — lágrimas vêm rodeando meus olhos. — Eu prometi que iria deixá-la em segurança e que nunca me separaria dela, mas devido as circunstâncias eu tive que fugir e sozinha, deixando minha mãe e minha pequena para trás. Faz tanto tempo desde a última vez que ouvi sua voz.
— Vocês evitam usar telefone e celular por causa de Rupert? — Noah pergunta e sinto o desprezo quando cita meu marido.
— Ele é advogado e filho de um ex-policial, e é ótimo no que faz. Um dos melhores. Ele sabe grampear as chamadas e como minha mãe cuida de Lana, não há como ela sair e ir atrás de um telefone público longe o suficiente para conversamos.
— Elas não podem sair de casa?
— Podem, mas só caminham pelo quarteirão. Rupert tem uma "amiga" que mora perto delas e qualquer coisa liga para ele. Minha mãe só consegue mandar uma carta quando vai ao supermercado. Ela vai sozinha, enquanto uma conhecida de confiança faz suas compras, ela aproveita para despachar a carta nos correios.
Graças a Deus ele nunca suspeitou.
— Por que você simplesmente não pediu a separação e mudou de cidade com sua mãe e sua filha?
Sua questão me fez rir amarga.
— Acha que não tentei? Eu não sou rica e nem poderosa Noah, e Rupert é um perfeito chantagista. Se eu me separasse ele pediria a guarda de Lana e do jeito que ele odeia crianças, deixaria a filha nas mãos de babás, apesar de ser um pão-duro. Ele conseguiria a guarda fácil, já que eu não teria nem um lugar decente para morar e não teríamos uma condição como a de Rupert para minha filha. Casamos sem separação de bens e depois que as agressões ficaram piores eu fui embora.
— Não entendo porque ele quis se casar com você.
— comenta Noah.
— Para me ter como troféu eu acho. Eu sempre ouvia seus amigos comentarem que ele tirou a sorte grande por ter uma mulher como eu ao seu lado. Lembro de achar isso sensacional na época... Sei lá, já desisti de tentar entender. — dou de ombros brincando com a barra do meu blusão.
— Mas agora que você fugiu, ele não pode machucar de alguma forma Lana e sua mãe?
— Não. — nego balançando a cabeça. — Quando decidi fugir, eu sabia que ele não faria nada contra elas, afinal seus amigos conhecem e gostam de Lana, sem eu estar por perto para jogar a culpa do que acontecia, quem ele culparia? Além do mais, minha filha é apegada a avó então se ele a culpasse, só teria dor de cabeça.
— Mas ele não bate na sua... — iniciou logo em aflição e entendi o que queria insinuar.
— Não, não, Rupert só batia em mim.
— Aquele covarde filho da puta. — desfere com raiva saindo do banco onde estava sentado e indo se apoiar no batente da pia. Saio do meu lugar e o abraço por trás.
— Está tudo bem Noah, isso não passa de lembranças.
— Lembranças que você não deveria ter.
— Mas agora eu tenho você, Noah. — sussurro feliz. – E nem consigo acreditar que ainda está comigo.
Seu corpo relaxou, assim como o meu quando inspirei seu cheiro. Noah virou ficando de frente e segurando uma de minhas mãos, levando ao seu coração.
— Eu te disse que nada do que me contasse mudaria o que sinto aqui. Eu ainda continuo te amando. — sorrio entre algumas lágrimas, e como uma enxerida, minha barriga roncou quebrando o clima. — Acho melhor terminamos nossa pizza, não quero ninguém morrendo de fome.
Devagar Noah foi retomando ao seu habitual, deixando por enquanto o meu passado, no passado. Ele estava engraçado e paquerador. Foi assim que me apaixonei. Desde o início quando o conheci, não tive medo. Não fazia lógica eu me esconder enquanto fazia um papel de uma personagem alegre e amiga de todos. Eu nunca seria tão extravagante como Liz, mas tentava. Nesse tempo, tentei sair com rapazes. O medo e o frio na barriga sempre me acompanhavam. Eu achei ridículo depois de um tempo me afastar de homens por causa do marido babaca que eu tenho.
Claro que aproveitei minha farsa para realmente me divertir, apesar de por fora eu me fazer de atirada, em todos esses anos que estive morando em Seattle, fiquei na presença de apenas dois homens sendo um deles Noah.
O jeito carinhoso e paquerador de Noah me deixaram desconfiada, porém era irmão de Rose e ela estava presente no dia em que fomos apresentados, talvez isso facilitou minha aproximação. Quando acalmei meus sentimentos nervosos por dentro, pude notar que me sentia tranquila com Noah e que no fundo gostava dos seus galanteios.
No final das contas, meu medo não era por causa de Noah e sim pelo que ele me causava. Era um sentimento novo, algo nem sentido por Rupert. Noah era uma encrenca, mas não por ele, e sim pelo desequilíbrio que fazia em mim.
Sentados mais uma vez no tapete macio em frente à lareira, terminamos as pizzas ao som de risadas. Com Noah sabendo de toda verdade, me sentia mais livre para me entregar. Pela janela do lado de fora, já não nevava e era provável que a tempestade estivesse acabando. Era possível que amanhã estivesse seguro para irmos para a casa junto com os quadros da mãe de Meg, mas se eu pudesse escolher ficaria nesta simples cabana a vida toda. Traria minha mãe e minha filha e viveríamos felizes com Noah claro, se ele aceitasse. Mas algo em mim, dizia que aceitaria.
— No que está pensando? — Noah murmurou próximo a mim. Nem percebi quando voltou da cozinha após uma ligação.
— Estou pensando que amanhã temos que voltar. – suspiro sem alternativa.
— Está com medo?
— Não consigo evitar, ele sabe ser severo. — sussurro lembrando às vezes em que me batia no rosto.
— Hey... — a voz calma de Noah me trouxe de volta e grudo em seus olhos azuis. — Estará segura, eu prometo.
Saio do chão indo para seu colo. No momento tudo que eu mais preciso é dele. Eu quero e necessito ser amada, preciso sentir que posso ser uma mulher desejada e acariciada, que um homem pode me amar e aqui com Noah, eu sinto que pode ser assim.
— Te amo. — confidencio em seu ouvido e seus braços me apertaram com carinho. – Amo já tem algum tempo.
— Eu também te amo. — diz me olhando nos olhos e sorrindo docemente. — Amo já tem algum tempo.
Mordo o lábio inferior tentando evitar um sorriso maior do que podia, mas não pude. Eu estava completamente feliz por ouvir aquelas palavras.
— Eu já desconfiava. — brinco sendo derrubada no chão e tendo seu corpo em cima mim.
— Interessante porque eu também já desconfiava. — a voz rouca e a pele quente trouxeram outro patamar à situação. Uma, que por sinal eu ansiava.
— Noah...
— Emma... Minha linda e doce Emma.
Ouvir meu nome sair de sua boca, só tornou tudo mais real e verdadeiro. Eu sinceramente, amo Noah Peterson.
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Comments
Maria Alves
Fico pensando porque nós mulheres passamos por tantas crueldades nas mãos de homens tão desumano, se os tenhe como mãe a mulher.
2024-04-06
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