Liz Miller
Não era nada certo Noah ficar me testando com cantadas e gestos fofos e apaixonados. Beijar minha testa, fazer café da manhã e me chamar de "linda" fazia parte do seu jogo. Eu o senti se movimentar na cama enquanto me acordava, eu quase implorei para que ele se deitasse comigo. Queria sentir seu corpo outra vez. Mas não agi de imediato, o que foi bom.
Pego o pão com queijo dando uma mordida grande e bebendo um gole do refresco. Como se eu fosse acreditar que estamos realmente presos nessa casa por dois dias! De qualquer forma, quanto mais longe de Seattle melhor. Decido fazer uma carta breve para minha mãe. Ela deve saber de alguma coisa, ou então junte algumas peças para fazer sentido meu marido estar em Seattle.
Vasculho pela mesinha do lado da cama algo que sirva e encontro uma foto pouco antiga. Reconheço Sr. Collins, apesar de levemente mais jovem tinha o mesmo sorriso. A mulher ao lado só pode ser a mãe de Meg.
Noah tinha razão.
Nenhum dos dois teve culpa por se apaixonarem, mas durante todo o tempo que esteve longe, uma ligação ou tentativa de contato com a própria filha teria feito uma diferença, mas agora... Apesar de ter feito o que fez e que para Meg ela estar morta, vai ser doloroso para minha amiga saber que sua mãe realmente está morta. Decido guardar a foto, talvez eu dê ela a Meg.
Faço uma nota mental de ir para outro quarto, não acho certo ficar no quarto que provavelmente é de Frank. Parto para o birô a minha frente abrindo as gavetas e encontro papéis. Apoiada na mesa começo a escrever.
"Olá mãe, sou eu de novo. Estou escrevendo fora do tempo, pois algo estranho aconteceu. Creio que não haverá perigos porque há alguns dias vi Rupert em Seattle. Estou apavorada, mas estou tendo muito cuidado. Queria saber se ele comentou alguma coisa sobre mim ou sobre as viagens que ele faria. Peço, por favor, que retorne o mais rápido possível, não posso ser encontrada por ele. Se cuida. Diga a Lana que a amo muito e que em breve irei vê-la. Te amo, mãe."
Termino de escrever sentindo as lágrimas pousarem nos olhos. Até quando vou ter que me esconder e ficar longe da minha filha? Se Rupert estiver em Seattle, por mim, terei que deixar todos para trás. Limpo meus olhos e escondo a carta entre minhas roupas, não tem perigo de Noah ver. Antes de ir embora, tentarei enviar a carta, talvez haja um recurso no aeroporto.
Caminho até a janela que está fechada com cortina, abro vendo o tempo do lado de fora, meio cinzento e o chão com uma espessura de dois palmos de neve. Cresço meus olhos e suspiro encostando a testa no vidro. Noah tinha razão outra vez. O tempo não estava bom e teríamos que ficar aqui por alguns dias.
Tem como piorar?
Sentindo o frio me alcançar, pego o blusão que tenho e visto. Isso vai ter que servir durante os dias.
Saio do quarto e me deparo com uma porta do fim do corredor aberta e subitamente penso que é onde deve estar Noah. Talvez seja onde Frank guarda os quadros. Dirijo-me em silêncio e entro no cômodo rodeado por telas. Noah se encontrava agachado observando uma pintura que havia descoberto. Apesar de terem sidos pintados há muito tempo, podia notar alguns toques de modernidade. Ou não, talvez nosso tempo é que costuma voltar ao passado.
— Incrível! – murmuro admirando a quantidade de quadros.
— Também achei a mesma coisa quando entrei. — conta Noah observando os detalhes das pinturas.
Ali deveria ter mais de cinquenta quadros. Apenas alguns estavam descobertos por Noah. Por falar nele, parecia mais uma criança em um parque de diversão. Ele ama arte e o que faz.
— Liz... Venha ver isso! — chama e me direciono para seu lado me curvando. — Você é amiga de Meg e com certeza já viu vários de seus quadros.
Franzo a testa sem entender aonde ele quer chegar com isso.
— Sim, eu já vi Meg pintar várias vezes.
— Nota a semelhança? — pergunta e fito o rosto de um homem desmontado com várias formas geométricas no quadro que ele aponta.
Fito com cuidado e mais atenção, para não responder na hora e ser indelicada, mas depois de vinte segundos fingindo, bufo voltando ao normal e pondo as mãos na cintura.
— O que exatamente quer que eu veja? — ouço sua risada e seu rosto gira para me ver.
— Nunca foi dada a paciência. Venha aqui. — me puxa pelo braço e me agacho ao seu lado. Ele me olha carinhoso e volta para o quadro. — Veja como Meg e Judy tinham traços parecidos. Não é igual, mas tem certa semelhança. É incrível.
Sim, realmente é incrível. Apesar de nunca terem se visto a paixão por pintura prevaleceu.
— Meg nunca me contou que a mãe pintava. — comento, enquanto me levanto e me direciono para outro quadro.
— Talvez Meg não saiba. — fala a poucos passos de mim. Ele também se levantou, posso sentir sua proximidade.
— Provavelmente seu pai não deva ter contado.
— respiro fundo sentindo a tensão.
— Escuta Liz, sei que quer proteger Meg, mas não podemos interferir na vida dela. As coisas irão acontecer e nem sempre você estará por perto para saber se é bom ou não.
Suspirei vencida. No fundo eu já sabia disso. Sei que posso mandar e mudar na minha vida, mas não posso fazer isso pelos outros. Só eles têm esse direito.
— Sei que temos que entregar a carta de Judy, não vou impedir de Meg ler. Só me preocupo com o que possa ter. Não quero minha amiga chorando em cima de uma cama por ter sido rejeitada um dia.
— Não pense assim. Pense que quando ela ler precisará de uma amiga e tenho certeza que você estará lá. — sussurra rouco e firme atrás de mim enquanto fito um quadro coberto.
— Espero que eu esteja mesmo.
— Não se esqueça que meu irmão está com ela. – ele diz me lembrando e sorrio.
— Claro, acho que ela o prefere a mim.
— Bem, eu prefiro você.
A declaração me desnorteia. Lentamente sinto sua mão deslizar pelo meu braço. O toque é quente e gentil, algo que desejo há muito tempo. Eu não devia estar paralisada. Deveria empurrá-lo para longe do meu corpo e dos meus pensamentos. Deveria. Mas não consigo. Faz tempo que não sinto seu corpo tão perto do meu, seu calor me envolvendo, seu cheiro tão masculino invadindo meus sentidos. Fecho meus olhos me permitindo esses segundos.
— Preciso de você, Liz. — o sussurro necessitado de Noah limpa minha mente.
Suas mãos roçam na parte debaixo de meus seios e deito minhas costas em seu peito duro e quente, que sobe e desce por causa da respiração rápida. Os lábios de Noah vão ao encontro do meu pescoço e suspiro com prazer. Eu o quero! Sempre quis. Desde a noite em que transamos, venho sonhando com ele me amando e tocando em todas as partes possíveis do meu corpo.
Entorpecida pelo desejo, viro para Noah e tomo sua boca. O gemido que sai de seus lábios me deixa feliz e ouso tocar seu corpo por debaixo da roupa, ganhando outro gemido enquanto me beija. Sua mão grande e macia desliza pela linha da minha coxa interna indo ao encontro da minha intimidade. Sei como estou e travo minha respiração quando seus dedos me tocam.
— Por Deus... Tão molhada. — murmura ao afastar seus lábios.
Sim! Sim! Sim!
Agarro-me em seu pescoço tomando sua boca outra vez. Mal consigo ficar em pé com a moleza em minhas pernas. Sinto o volume de Noah e suspiro em sua boca. Um dos seus dedos entra devagar em mim, enquanto ele sussurra meu nome. Deveria continuar e ficar feliz, porém tive vontade de chorar. Um momento tão íntimo arruinado pelo meu passado.
Eu amo Noah, e isso nunca vai ser permitido, porque sou casada e não sou Liz. Liz é apenas uma personagem por quem Noah chama diversas vezes.
— Para Noah. — peço em um tom de voz baixo e seguro sua mão puxando-a para que entenda.
Seus olhos entorpecidos e confusos me fitaram e me forcei a me afastar.
— O que houve? – ele pergunta e eu mal consigo encará-lo.
— Não podemos continuar.
— Liz... — pronuncia vindo até mim e levanto minha mão para pará-lo. — O que aconteceu? Eu fiz algo?
— Não, não fez. — seguro o choro indo em direção a porta. — Só não podemos fazer isso.
— O inferno que não podemos! — pragueja e ouço-o vir atrás de mim. Por que ele não me deixa ir embora? — Você quer isso tanto quanto eu Liz, para de mentir pra si mesma, de querer se enganar.
Sou assim tão insignificante pra você?
— Você não é insignificante. — respondo e me apresso para escolher qualquer quarto.
— Não é o que suas atitudes mostram, pelo contrário, faz questão de me machucar.
— Eu sinto muito por isso, nunca foi minha intenção. – murmuro e abro a porta de um quarto, entretanto Noah me pega pela cintura me prendendo na parede e me impedindo de entrar.
— Não foi sua intenção? É isso que tem para me dizer?
— Noah, por favor... — imploro, mas me interrompo ao ver seus olhos bravos e tristes.
Não! Sempre quis que Noah me odiasse e ficasse longe de mim, mas ver pela primeira vez este olhar, é como se meu coração quebrasse em mil pedaços. Lágrimas se acumulam em meus olhos e fica difícil de respirar.
— Acha que mereço isso, Liz? Acha que pode brincar comigo?
— Não, você não merece. — murmuro em soluço.
Seus dedos enxugam as lágrimas que caem em minha face, e puxa meu rosto para ele.
— Então por que me despreza e me rejeita? Porque não aceita minha aproximação? Eu sou louco por você! – Noah confessa e noto a raiva indo embora deixando a mágoa.
Quis lhe contar a verdade. Que sou casada, que tenho uma filha e que não me chamo Liz..., Mas contar a verdade não era a solução. São muitos segredos, muitas mentiras. Contar a verdade iria fazer todos me odiarem e Noah se sentiria traído.
— Porque sou eu que não mereço um homem incrível como você. Não mereço.
Minhas palavras o atingem o deixando paralisado e confuso. Aproveito para entrar de vez no quarto e trancar a porta. Só então posso me martirizar por não ter conhecido Noah antes, e sentir a dor que é não poder ter a pessoa que você ama.
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Comments
Wilma Lima dos Santos
😭😭😭😭😭😭😭😭😭
2024-08-18
0
Maria Alves
Que ela deveria contar para ele a verdade, para que não fique sofrendo com isso, tiraria este pesso na consciência.
2024-04-05
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acho que Liz deveria cotar a verdade pra Noah, talvez ele consiga ajudar ela a se livrar do abusador do marido
2024-04-01
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