Edu estava num sonho agitado quando, horas depois, de súbito, ouviu um grito apavorado vindo do quarto de Bia.
Sem hesitar, levantou-se rápido e bateu na porta de acesso entre os quartos, chamando-a, nervoso.
Bia abriu a porta.
A sua respiração era rápida. Com preocupação, percebeu que ela estava pálida e agia como se estivesse em transe, com o semblante transfigurado pelo medo.
— O que aconteceu, Bia?
Ela ficou parada. Sem conseguir falar. Mesmo tendo jurado a si mesmo que não ia tocá-la, ao olhá-la desamparada, não resistiu. Queria dar o conforto que precisava. Apenas isso.
Acolheu-a nos seus braços. Ela estava trêmula.
Como se fosse uma criança indefesa, carregou-a e levou-a a seu quarto, no intuito de protegê-la. Ela deixou-se levar, sem reação. Deitando-a na sua cama, Ele deitou-se junto dela, enquanto sentia o perfume adocicado do seu corpo.
— Bia, estou aqui. Está tudo bem!
Ela concordou com um gesto. Ficou assim por um tempo em silêncio. Edu ficou quieto, até que Bia, numa voz oscilante, murmurou:
— Lembrei dos homens… que… nos perseguiram...
Edu fechou os olhos com força. Mistura de alívio e aflição. Sentiu os dedos macios dela, pressionando as suas costas. .
— Que bom, Bia! — Esforçou-se para manter-se concentrado. — Se você quiser, de manhã mesmo, vamos à delegacia.
— Sim! — E pegando fôlego, falou: — Foi um pesadelo. Eu e Edgar estávamos sendo perseguidos por dois homens esquisitos, mal-encarados... Eles estavam em uma picape preta, meio amassada. Consigo lembrar detalhadamente deles. Eu gritei porque no sonho o carro saiu da estrada e batemos numa árvore.
Com ternura, ele acariciou o seu rosto.
— Você acha que não é um sonho comum?
— É… Acredito que isso aconteceu! No dia que o policial veio aqui... Lembro que o retrato falado de um deles, coincide com o que estava no sonho. Sim, tenho certeza que é uma memória.
— Além disso, consegue lembrar de mais alguma coisa?
— Não! — Ela o olhava, triste. — Só isso mesmo!
— Certo, vamos resolver isso. — Ele falou carinhosamente. — Agora durma um pouco. Vou levá-la para o seu quarto.
Ao ouvir isso, ela abraçou-o com mais força.
— Não... Por favor, não quero ficar sozinha.
Deixe-me dormir aqui.
Em alerta, Edu custou a responder. Estava indeciso se conseguiria mantê-la por perto. Mesmo arriscando, por fim decidiu:
— Tá certo, Bia. Pode dormir aqui.
Ele se ajeitou entre os travesseiros, mantendo os braços em volta dela. Sem demora, ela já ressonava bem baixinho.
Absorto nos seus pensamentos, lembrava que era a primeira vez que levava uma mulher para a cama sem propósito puramente sexual.
Com Bia era diferente. Naquele momento, experimentava uma sensação nova ao abraçá-la.
Havia no seu peito, um desejo de defendê-la de todo o desconforto que ela estava sentindo.
Queria dizer-lhe o quanto era especial, porém sabia que não poderia fazer essa declaração. Contentando-se em tê-la nos seus braços, fechou os olhos e dormiu, finalmente.
Pela manhã, os dois chegaram cedo na delegacia. Bia conseguiu identificar os homens do dia do acidente. Ela estava mais tranquila e informou detalhadamente as características deles.
O investigador Castro, observando os retratos falados, avaliou, empolgado:
— Com essas informações valiosas, conseguiremos avançar com as investigações!
Edu e Bia entreolharam-se, satisfeitos.
— Vamos espalhar as buscas por outras cidades. Acredito que em breve teremos notícias desses dois!
— Obrigada, Sr. Castro!
O casal se levantou para se despedir.
— Então, amigo, vamos andando. Aguardaremos as informações sobre o caso.
— Pode deixar! — Castro fez um sinal para Edu. — Preciso falar com você a sós.
Edu estranhou a atitude do amigo, mas não quis questionar na frente de Bia.
— Tá bom, Castro! — E ao voltar-se para Bia, disse: — Pode me esperar lá fora?
— Claro!
— Não vou demorar, senhora! — Castro disse a ela.
Bia deu um meio sorriso. Balançou a cabeça, em aprovação e retirou -se do recinto.
Depois que a moça saiu, Castro fixou os olhos firmes em Edu e falou:
— Cara, o que você está fazendo? Eu fiquei em dúvida no outro dia, mas agora está tão claro para mim quanto esse papel em branco aqui.
— Ele mostrou uma folha para Edu, enquanto meneava a cabeça, com desaprovação: — Você não pode se apaixonar por essa garota, Edu!
Edu baixou os olhos, pensativo.
— Eu sei, amigo! Deixe de bobagem! Não está acontecendo nada entre nós!
— Graças a Deus! — Castro levantou-se e foi até um armário, cheio de objetos. De lá retirou uma bolsa num saco transparente.
— Ainda bem que os meus homens encontraram ontem isso aqui.
Era a bolsa de Bia, que ela perdera no dia do acidente.
— Com o documento dessa moça, tem aí o que você precisa saber para mandá-la para casa. O nome dela é Bianca Torres Gonçalves. Ela é de Monte Serra, uma cidadezinha da região. É estudante de Administração e antes de casar com Edgar, morava com os pais e o irmão.
O rapaz ouviu as informações de boca aberta, surpreso, mas nem por isso se deu por vencido.
— E você acha que ela estará segura com os pais? E se esses bandidos estiverem por lá? Não concordo com você! É melhor que ela fique aqui.
— Bem, amigo, agora você também representa um perigo para ela. Pelo menos faça o que é certo. Fale a ela sobre a família e onde mora. Tenho certeza que ficará feliz. O endereço dela está na bolsa.
— Obrigado, Castro. Vou ver a melhor forma de contar para ela.
Castro revirou os olhos e bufou.
— Isso é tolice!
Edu não respondeu. Colocou a bolsa numa pasta e saiu. Na verdade, ele queria ficar mais tempo perto dela. Não estava preparado para deixá-la partir.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Jane Cleide
não vai entregar a bolsa dela com as informações sobre ela !!!
2024-11-14
1
Valcicleia Ribeiro
a família dela deve está desesperada pra saber notícias dela
2024-02-11
18
Carleuza Almeida
Ohhhh😍😍💓 apaixonado 😍e nem eu quero que ela vá, autora amada dar um jeitinho ai pra esses dois ficarem juntinhos 😍😍💓
2023-09-20
7