A CUNHADA ADORMECIDA

(Após o casamento de Bia e Edgar)

Cansado, após um jantar de negócios, Edu retirou o terno e de forma displicente,  jogou-o ao chão.  Foi fazendo isso com as outras peças até ficar seminu.

Jogou-se na cama e antes que fechasse os olhos, o telefone começou a tocar.

Indignado, puxou o travesseiro para tapar os ouvidos,  mas nem assim adiantou. Quem poderia estar ligando? Seria algum desocupado, que passava trote em plena meia-noite?

Tinha certeza que não era sua mãe,  nem tão pouco Sâmia,  a menos que fosse o imbecil do seu irmão,  para pedir algum dinheiro para a lua de mel.

O telefone tocava de forma insistente. Sonolento, foi cambaleando até alcançar o telefone.

— Alô?

— Alô! É da residência de Eduardo Colins? — Aquela voz masculina era- lhe familiar.

— Sim. Sou eu.

— Até que consegui, enfim, falar com você! Sou eu, o Castro!

— Amigo! Quanto tempo!  O que houve?

— Ahn...Você está em São Paulo?

— Sim...Por quê?

— É que recebi hoje à tarde uma denúncia de uma locadora de automóveis. Alguém, aparentemente com os seus documentos  alugou um carro, que não foi entregue no prazo previsto. Enquanto estávamos investigando, outra pessoa ligou para informar que havia tido um acidente num povoado próximo à cidade de Formosa, então para resumir,  encontramos o carro, mas o motorista sumiu. Suspeito que você seja vítima de algum meliante.

Sentindo a raiva crescer,  Edu já imaginava quem tinha sido.

— Meu Deus! Acredito que o meu irmão esteja envolvido nisso.

— Bem, nesse caso, não me leve a mal, precisa vir para cá imediatamente. No momento, estamos tentando descobrir o que aconteceu.

— Ok. Vou tentar um voo aqui. Assim que eu chegar nós conversamos mais.

Já estava amanhecendo quando Edu aterrissou no aeroporto de Formosa. Seguindo as instruções de Castro que era investigador de polícia, chegou no lugar em que tinha ocorrido o acidente.

Depois de cumprimentar o amigo, Edu ficou sabendo do único pertence encontrado no carro. Apenas a carteira de motorista falsificada em seu nome. O veículo estava sem bagagens.

Além disso,  não havia nada que os ajudasse a investigar, visto que havia chovido na área,  dificultando fazer o reconhecimento das digitais.

— Agora que estou vendo os estragos desse carro, imagino que o meu irmão e a esposa podem estar feridos nesta mata, precisando de ajuda, então, por que não conseguiram encontrá-los?

— Entendo a sua preocupação,  Edu, mas a chuva tem atrapalhado as nossas buscas. Como pode ver, há muita lama e é uma mata com trilhas por vários lados. Isso aqui parece mais um labirinto.

— Tudo bem, desculpe. Estou nervoso com tudo isso.

— Mantenha-se firme. Vamos achar o seu irmão e a sua cunhada.

— Ok, Castro! Fique sabendo que não tenho problema de ajudar nas buscas. Vejo que são poucos homens e a área é enorme.

— Não será necessário, Edu! Já pedi reforços, mas precisamos ter cautela, pois tivemos conhecimento também de que houve tiros nesta área, então não sabemos das circunstâncias deste episódio,  se o seu irmão está armado ou ferido... Preciso garantir a segurança dos meus homens. Todo cuidado é pouco.

— Mesmo assim eu insisto em ajudar nas buscas! Sei que Edgar não anda armado. Deve considerar a possibilidade de ele estar ferido.

— É claro! Mas também há outra hipótese: ele e a esposa podem ter sido sequestrados por bandidos.

Edu ficou em silêncio. Controlava-se para manter os pensamentos em ordem, mas a cada hora que passava ali, o medo de não encontrar Edgar aumentava.

Com a chegada do reforço,  recomeçaram as buscas. Providenciaram botas para Edu e ele também adentrou pela vegetação fechada. 

Notou o quanto estava sendo difícil caminhar pela área e as botas ficavam continuamente presas, pois o chão estava bem lamacento.

Nao tinha certeza se Edgar estava acompanhado da esposa ou outra pessoa, mas concentrava os seus esforços em achar seu irmão,  imaginando o quanto esse desaparecimento poderia abalar a mãe deles.

Depois de um tempo caminhando sobre a vegetação,  ouviu algo como se fosse um gemido de dor, bem fraco.

Sem que os outros homens notassem, afastou-se e foi seguindo até onde ouvia o som.

Mais uma vez escutou o gemido, dessa vez mais perto. Sim, havia alguém ferido ali.

Seguindo mais a frente, percebeu que Castro tambem ouvira e  o acompanhava, em alerta.

Então, de repente avistou quem era. Abrigada sob um tronco caído de uma árvore, havia uma mulher que tentava se mexer vagarosamente, no chão. 

Suja por todo o corpo, ele observou que o rosto dela estava uma mistura de sangue, cabelo e lama.

Edu não a conhecia, mas tinha convicção que aquela era a mulher com quem o irmão se casara.

Alguns dias depois, após encontrarem Bia, os policiais intensificaram as buscas por Edgar. A moça ficou internada e por precaução, um policial ficaria de plantão, caso ocorresse alguma eventualidade. 

Preocupado com o desaparecimento do irmão, via como única saída aguardar a cunhada, que antes estava no coma induzido, conseguir relatar o que aconteceu de fato no dia do acidente, assim que acordasse.

Edu ia visitá -la diariamente. Sem saber o  nome dela, nem dos seus pais ou onde morava, lamentava-se por não ter ido ao casamento. Agora, de certa forma ele era a única pessoa da família com quem ela podia contar até que se recuperasse.

Às vezes, se pegava olhando para aquela mulher adormecida. Imaginou como seriam seus olhos e o seu sorriso. Ela possuía uma feição delicada com o nariz pequeno e bem feito. Seus cabelos longos e loiros, estavam com uma grossa trança , feita por alguma enfermeira. Analisando assim, parecia uma princesa, aguardando que um príncipe viesse beijar aqueles lábios convidativos.

Com o passar dos dias, antes mesmo que ela acordasse e ficasse frustrado ao ficar confirmada a perda da memória da cunhada,  um sentimento inesperado o assaltou. Era  algo diferente que sentira por outras mulheres.

Junto ao drama de ter que achar o seu irmão o mais rápido possível, nascera no seu coração o desejo de ter aquela estranha só para si.

Ele estava com muito medo, pois era a primeira vez na vida adulta que se sentia vulnerável a uma mulher.

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Comments

Noidinha lima

Noidinha lima

se não acharam os pertences e nem os documentos dela que estava com ele na bolsa isso quer dizer que o irmão voltou e pegou tudo se iam viajar tinham bagagem.

2024-07-10

5

Clau...Clau

Clau...Clau

Agora entendi... Ele realmente não sabe... achei maldade com ela, que bom que não é

2024-05-13

3

Regiane Pimenta

Regiane Pimenta

Meu Deus estou chocada então o irmão dele era bandido e se passou por ele para enganar a bia e a família dela

2024-04-27

4

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