No dia seguinte, ela acordou tarde, pois com os pensamentos em Edu, teve dificuldade de conciliar o sono. Rita estava na sala de estar, limpando os móveis.
Bia cumprimentou-a e a senhora informou-lhe que Edu já viajara. Sentiu um peso no peito, como se faltasse algo muito importante na sua vida. Isso era preocupante. A cada instante estava se sentindo mais atraída por esse misterioso homem.
— Ele disse quando volta?
— Não, mas acredito que não deve demorar muito.
— Ele precisa viajar bastante, né? — Bia disse, em tom casual.
Rita ficou em silêncio, pensativa, depois explicou:
— Ele me disse que é porque está se aproximando o evento para a mostra da nova coleção de calçados da marca Cloud.
Bia ficou interessada e sentou-se para ouvir:
— Ele deve ter muito trabalho. Outro dia ele comentou que cada vez mais está expandindo seu negócio pelo país. Está sendo um grande sucesso!
— Verdade. Sabia, Bia, que ele era modelo desde a infância?
Bia tentou lembrar algo a esse respeito, mas não conseguiu.
— Sério?! Poucos têm coragem de deixar uma carreira glamourosa das passarelas para se aventurar em outra área. Graças a Deus está dando certo.
— Sim, Bia! O Sr. Colins é um homem muito inteligente!
Aproveitando a conversa descontraída, Bia questionou:
— Rita... Estou curiosa sobre uma coisa, sabe porque ele está aqui? Não entendo o motivo de um homem tão poderoso perder o seu tempo numa cidadezinha como esta aqui. Ele alegou que está me ajudando.— Ela meneou a cabeça. — Ainda não consigo engolir essa história...
Com essas palavras, Rita ficou visivelmente nervosa. Desviou o olhar e respondeu:
— Ah!.. Bem... Ao contratar-me, ele me disse que você era uma amiga que já conhecia... Ele... Ahn... Está resolvendo algumas coisas na cidade que não tem nada a ver com você. Creio que deve ser algo relacionado aos negócios apenas...
Bia notou que Rita estava escondendo algo. Não insistiu por enquanto. Precisava desvendar esse mistério.
— É, pode ser!
Rita, meio sem graça, querendo fugir de mais perguntas, falou:
— Bia, dê-me licença que vou pedir para o motorista comprar alguns mantimentos que estão faltando. Tomou fôlego e perguntou: — Você gostaria de comprar algo?
— Não, já comprei o que eu precisava, afinal de contas nem preciso sair muito...Ah, mas espere um momento! Vou precisar do motorista à tarde. Tenho consulta com o doutor.
— Ah, tá certo! Vou avisar, querida. — E saiu bem rapidinho.
No consultório, o doutor estava exultante em vê-la saudável, mas notou que algo a incomodava. Perguntou se havia conseguido lembrar de mais alguma coisa. Então ela, com a voz triste, respondeu que ainda não conseguira lembrar de algo mais. Sentia-se frágil e ansiosa. Ele ouviu atentamente, depois falou:
— Bem, Bia, como falei para você isso requer tempo!
— O problema, doutor ...— Olhou-o fixamente: – É que estou tão angustiada. Apesar de Edu ter conversado comigo, não sei... Ainda acho que tem alguma coisa errada. É como se algumas informações estivessem omissas. Será que o que ele me falou é verdade? — Os olhos começaram a lacrimejar: — Quem sou eu afinal, doutor? Estou tão confusa!
O doutor colhia essas queixas com atenção. Ficou em silêncio por um instante, enquanto tentava consolar a sua paciente.
— Minha jovem, não fique assim. Você vai ver! Logo a sua memória será restaurada. Tente não se estressar, pois isso pode atrapalhar o processo.
Ela enxugava as lágrimas que teimavam em cair. Gentilmente, o doutor continuou:
— Quando chegou aqui, Edu se mostrou um homem atencioso e deve ter sido um choque, quando você acordou e não lembrava dele. Eu disse a ele que o seu caso era transitório e que teria que ter paciência. Se ainda há algo a ser esclarecido, não se preocupe. Quem sabe se ele apenas não quer poupá-la de mais sofrimentos?
Ela pegou um lenço de papel e fungou o nariz, afirmando com a cabeça.
— Obrigada, doutor! O senhor tem razão. Eu preciso me acalmar. Desculpe com a minha choradeira.
— De jeito nenhum! Pode desabafar sempre que quiser. Chorar alivia as nossas dores, sabia?
— Pode até ser, mas é constrangedor! — Ela deu um meio sorriso, sem graça.
Quando Bia já ia se despedindo, ele falou:
— Sabe, filha, não fique chateada com Edu. Enquanto você estava em coma, todos aqui no hospital admiraram a forma que se preocupava com você. Ele deve amá-la muito.
Bia se concentrou nas últimas palavras. Imaginava que o doutor falava assim porque pensava que ele fosse seu marido. Edu sabia ser um excelente ator, isso sim. Fingindo acreditar nessas palavras, agradeceu o doutor e despediu-se.
Ao voltar com o motorista, notou que realmente havia alguns seguranças que os acompanharam, durante a ida ao hospital, em outro carro.
Sobre isso realmente não era mentira. Uma mistura de medo e gratidão confundia a sua cabeça.
Quem era Edu Colins? Será que ele sentia algo por ela?
Algumas vezes notava o jeito diferente que ele a olhava. Será que tinha alguma esperança com ele? "Não, Bia, pare de pensar bobagens!" Ela se repreendeu.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Jane Cleide
Ele não é apenas um dono de comércio de sapatos !!!!
2024-11-14
2
Jane Cleide
Tem coisa errada e bem errada nessa história!!!
2024-11-14
1
Jane Cleide
Uma coisa é certa é o mesmo Edu , agora pq ele não esclareceu a ela que é o marido e pq não contou a verdade sobre o acidente
2024-11-14
1