Após a conversa que os dois tiveram durante o café da manhã, três dias depois, Edu viajou novamente.
Avaliando a situação, Bia acreditava que dessa vez a inesperada viagem foi uma forma de evitá-la, já que não estavam se sentindo confortáveis um com o outro.
O episódio pra lá de aguçado entre eles não era algo fácil de esquecer.
À tarde, enquanto Rita estava na área da piscina, Bia, disposta a procurar uma pista sobre sua identidade, subiu as escadas. Mesmo se achando intometida, resolveu entrar no escritório de Edu e rapidamente correu para a escrivaninha, mas depois, frustrada, constatou que a gaveta estava trancada.
Procurou a chave da gaveta por cima dos móveis, na estante de livros e por dentro dos poucos acessórios do ambiente. Não encontrou nada. Pôs as mãos na cintura, pensando em outra alternativa.
Logo em seguida, ao virar-se, avistou uma mesinha, que ficava próxima a uma poltrona.
Havia algo que chamou a sua atenção.
Foi para mais perto. Percebeu que por baixo de umas pastas, tinha uma revista. Com o coração aos saltos, teve a nítida impressão que era familiar.
Pela vidraça de fumê do escritório, observou que Rita tinha terminado de limpar a piscina e já estava voltando para dentro da casa. Pegou a revista e dirigiu -se para o seu quarto. Deitou-se debruçada sobre ela.
Na capa, em destaque, Edu exibia um largo sorriso e a manchete anunciava " Das passarelas para as nuvens" . Começou a folheá-la. Ao chegar na parte que mostrava seus vários relacionamentos, Bia avistou as imagens dele com mulheres belíssimas.
Nesse instante, de súbito, algo inusitado aconteceu. Lembranças dela folheando uma revista como aquela dentro de um carro em movimento, fez com que levasse a mão à boca, assustada.
Como se fossem flashes de uma câmera fotográfica, recordou da viagem que fizera para Formosa e estava acompanhada com ... Edu? Não ... Não pode ser!
Bia se sentou na cama, deixando a revista de lado. Estava tremendo e suando frio.
Em seguida, veio flashes de lembranças de um beijo entre eles, no carro, e ainda, ela vestida de noiva, enquanto uma aliança era colocada em seu dedo. O homem sorridente, vestido com um elegante terno era ele!
As lágrimas começaram a cair, enquanto começou a sentir dor de cabeça. Estava em choque por conseguir recordar o passado e quem estava ao seu lado.
Desesperada, ela se levantou e foi até Rita. Sem se importar com as lágrimas, notou a mulher vindo ao seu encontro extremamente preocupada.
— Oh, querida! O que foi que aconteceu?
Bia não conseguia responder. Soluçando lançou-se nos braços de Rita.
— Meu Deus, Bia, fica calma!
Ela ficou amparada por Rita até que teve forças de falar o que aconteceu.
A mulher, após saber das lembranças, também estava estarrecida.
— Como isso é possível?! O Sr. Colins não parece ser um mau caráter...Mas como pôde esconder um fato tão importante assim?
— Estou arrasada, Rita! Ele pediu para confiar, mas na realidade estava mentindo o tempo todo! Eu já estava desconfiada das suas mentiras, só que eu não imaginava que podia ser tão cruel a ponto de esconder que sou a esposa dele!
— Fica tranquila, tá? Vou fazer um chá para você. Meu Deus, que loucura!
Rita começou a preparar um chá de camomila. Sem saber o que pensar, Bia olhava para o vazio. Algumas lágrimas ainda insistiam em cair.
— Você lembrou de algo mais? De sua família?
— Não ... Já estou com medo de ter que descobrir algo mais terrível ainda. E se foi ele que por alguma razão causou o acidente?
Ela pôs a mão na cicatriz em sua testa.
— E...Se ele tentou me matar?
— Não, Bia, isso já é demais! Deixe de suposições sem sentido! Vamos fazer o seguinte: Por que você não liga para o Doutor Farias? Ele deve esclarecer isso. Ou se não, liga para o Sr. Colins. Tenho o número da secretária dele.
Bia não disse nada. Ficou quieta. Rita trouxe o chá e ela tomou, enquanto as lembranças confusas invadiam seus pensamentos .
— Você tem razão, Rita! Vou ligar primeiro para Edu. Preciso esclarecer essa história de uma vez por todas.
Rita lhe deu um cartão da empresa de Edu. Ansiosa, foi até a sala de estar e com as mãos trêmulas, pegou o telefone e discou o número do cartão.
Depois de alguns segundos, ouviu -se a voz feminina. Era a secretaria de Edu.
— Alô!
— Alô, Bom dia! Aqui quem fala é a secretaria do Sr. Colins, Cassandra. Em que posso ajudar?
— Bom dia, Cassandra! Eu me chamo Bia. Eu sou a... A amiga de Edu e gostaria de falar com ele. É urgente!
Ela emudeceu por uns segundos. Bia ouviu um ruído como se a secretária estivesse folheando uma agenda. Depois respondeu.
— Sinto muito, Bia! No momento não será possível, pois ele está numa importante reunião de negócios, mas assim que terminar, repasso seu recado.
— Tudo Bem, Cassandra! Só diga que é para ligar para mim, tá? Ele sabe o número.
— Ok, Bia, anotado! Mais alguma coisa? — Ela perguntou num tom profissional.
— Não... Obrigada, Cassandra!
— Disponha, Bia! Um excelente dia para você!
Ao retornar o telefone ao gancho, Bia imaginou que seu dia seria tudo, menos excelente!
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 43
Comments
Jane Cleide
Eu espero que ele conte a verdade de uma vez por todas !!!
2024-11-14
1
Pretta rosa
Helô querida, tu não faz ideia da minha agonia, a curiosidade está num patamar mega hiper explosivo já 🙈😲🤭😳
2024-10-05
2
Cléia Maria da Silva d Azevedo
Quê misterioso esse romance. Autora querida, estamos bem curiosas.
2024-05-13
7