Julho, 2001 (Cinco dias antes do casamento de Bia e Edgar)
Edu estava lendo uns documentos no seu luxuoso escritório em São Paulo, quando a sua mãe, Alda Colins, foi anunciada. Surpreso pela inesperada visita, levantou-se enquanto a aguardava.
Ela morava em um dos bairros mais sofisticados do Rio de Janeiro, após ter ficado a dois anos atrás. O saudoso padatro deixou-a com uma fortuna considerável. Ela vivia na alta sociedade, mas nem sempre foi assim.
Alda tinha dezesseis anos, quando se casou com Elton Colins. Não demorou muito, engravidara.
A sua vida era sofrida, pois, o marido era viciado em jogo de azar e bebida alcoólica. Ainda lembrava de como ele e o seu irmão gêmeo, quando eram crianças, choravam ao ver a mãe, apanhando ou sendo humilhada por ele.
Um dia, ajudada por amigas, fugiu, levando os filhos para uma pequena cidade do Rio de Janeiro.
Ali começou a trabalhar num comércio como empacotadora. Depois de alguns anos, ela ficou sabendo que Elton se envolveu numa briga durante um jogo e acabou sendo assassinado.
Com muito sacrifício, Alda conseguiu que ele e Edgar desfilassem em pequenos eventos da cidade, porém para a tristeza da mãe, o seu irmão começara a seguir os mesmos passos do pai e com menos de catorze anos, envolveu-se com o tráfico de drogas.
Na mesma proporção que foi alcançando sucesso nas passarelas, o seu irmão, Edgar, se afundava cada vez mais no mundo do crime.
Ele e a mãe, muitas vezes, tiveram que correr riscos terríveis para ajudar Edgar a sair dos inúmeros apuros em que se envolveu.
Voltando ao presente, Alda entrou no escritório. Com quarenta e seis anos, ela aparentava menos e era muito bonita. Alta, esbelta, cabelo curto e loiro, tinha os olhos azuis mais claros que os dos filhos. Ela entrou na sala esbanjando alegria.
— Oi, querido, que saudade!
Sorridente, a sua mãe veio de braços abertos para abraçá-lo. Ele correspondeu, meio sem jeito. Desconfiava que aquela visita não tinha nada a ver com saudade.
— Mãe, quanto tempo! Não sabia que estava por aqui... Chegou quando?
— Ah, cheguei hoje cedo. Queria vê-lo antes, porque amanhã vou embarcar num cruzeiro para a Europa!
— Que maravilha! Mas me diga, a senhora vai sozinha?
— Claro que não, seu bobo! Vou com Ricardo.
— Ricardo? Oh, mãe, voltou para aquele moleque de novo?!
— Ei, não fala assim! — Ela ralhou.— Nós nos amamos, meu filho! Dessa vez foi ele quem me procurou.
Edu revirou os olhos, inconformado.
— Ricardo tem idade para ser seu filho, mãe!
— Credo, Edu! Parece um velho rabugento! O que idade tem a ver com amor? — Ela perguntou, desafiando-o.
— Você acha que ele a ama ou gosta de usufruir do seu dinheiro? — Ele devolveu a pergunta, sustentando o olhar da mãe.
— Que coisa absurda! Já vi que escolhi uma péssima hora para visitá -lo. Está muito mal-humorado, filho.
— Desculpe, mãe, mas tem coisas que não consigo suportar! Respondeu, impaciente.
— Tá, tá! Já estou bem grandinha. Se eu acreditar que não está dando certo, ele cai fora.
— Espero que faça isso mesmo.
Ficaram em silêncio. A mãe caminhou até uma poltrona, sentando-se elegantemente.
— Bem, tenho outra notícia para você e essa eu sei que você vai gostar! É sobre o Edgar!
— Edgar apareceu?! — Perguntou com desdém.
— Bom... Ele ligou para mim.
— Da última vez que recebi ligação de Edgar, tive que desembolsar um grande soma de dinheiro para salvar a pele dele! E fiz isso por sua causa, mãe! Ele pediu alguma grana para a senhora?
— Não, querido, dessa vez até eu me surpreendi. A ligação estavs ruim, mas deu para entender que ele conheceu uma moça num aeroporto de uma cidadezinha que não sei onde é... Ahn... Formosa é o nome do lugar.
— Ah, sei. Conheço alguém que mora lá, o Castro, você lembra dele?
— Sim. Claro! Aquele da polícia, não é?
— Exato. Mas sim... Edgar conheceu essa moça e depois...
— O seu irmão disse com todas as letras que está apaixonado e adivinhe? Vai casar sábado! — Ela falou, animada.
Com olhar de descrédito, Edu não se conteve:
— O quê? Mãe, tem certeza? Edgar não é o tipo de homem que se prende a um compromisso sério. Isso deve ser mais uma armação dele.
Alda nem ligou para o comentário maldoso do filho e continuou:
— Creio que não. Ele falava com tanto entusiasmo! Só não lembro o nome da moça... Hilda... Lívia... Algo assim!
Edu até entendia que o sonho da mãe era que Edgar se redimisse e seguisse a vida sem causar problema para ninguém, mas ele o conhecia muito bem. Sabia que estava aprontando algo de errado. "Quem seria a vítima com quem ele iria se casar?" Pensou.
— Pobrezinha! Não sabe com quem está se metendo!
À mãe não gostou nada do que ouviu e ralhou de novo.
— Credo, Edu! Que pessimismo!
— Estou sendo realista, só isso! Desejo felicidades para meu querido irmão! — As últimas palavras foram ditas num tom de ironia. — Bem se era só isso, tenho muito trabalho para fazer! Boa viagem, mãe!
A mãe o olhava fixamente, de uma maneira familiar. Edu percebeu então, que a sua mãe ia querer convencê-lo de algo.
— Por que a senhora está me olhando desse jeito? Já vem bomba, né?
Ela sorriu de um jeito maroto.
— Edu, eu estive pensando... Já que não vou estar presente, que tal se for para representar a família?
Agora sim, ele descobriu o motivo da "grande" visita.
— Quem? Eu? Deus me livre! Quero distância de Edgar! Sinto muito, mãe, mas não vou mesmo! Você sabe que nós dois junto no mesmo lugar não dá certo! Além disso, daqui há dois meses será a estreia da minha nova coleção, então não posso me ocupar com a vida pessoal do meu querido irmão!
— Você está cada vez pior... Pensei que fosse ficar feliz também.
— Olha, mãe, caso ele esteja querendo mudar, é milagre! Nós já fizemos tanta coisa por Edgar... Vamos dar espaço para ele, tá? Espero de coração, que tenha criado juízo, se não essa moça está em maus lençóis!
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Jane Cleide
Coitada de Bia ,casou com um malandrão kkkkk!
2024-11-14
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Socorro Maria
ele deveria tá aprontando algo por usar o nome do irmão
2024-06-03
4
Jeneci Nunes
meu pai amado a pobrezinha casou com um bandido,mais perai eu lembro que ele disse se chamar Edu?🤔🤔🤔
2024-05-31
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