Bia estava encoberta dos pés a cabeça na sua cama, com muita vergonha.
Edu ficou por volta de meia hora no telefone e agora, batia na porta de acesso ao quarto de Bia, sem obter resposta.
— Bia, por favor, abra a porta.
Silêncio.
— Oh, Bia! — A voz era de arrependimento. — Eu perdi a cabeça... Não quero que pense que estou me aproveitando de você... Por favor, ouça-me.
Ele ainda ficou um momento aguardando alguma resposta, mas Bia ficou quieta.
As lágrimas começaram a surgir, molhando o travesseiro, enquanto, ouvia ele se afastar. Com o coração em frangalhos falou baixinho:
— O que foi que eu fiz?
Na manhã seguinte, ela estava sem coragem de descer e ter que se deparar com Edu. Lembranças da noite anterior estavam muito vivas e repetidas vezes passavam pela sua mente.
Virando de um lado para o outro na cama, sentiu o desejo tomar conta do seu corpo.
Repreendendo-se mais uma vez, levantou-se devagar. Após tomar banho e vestir-se, saiu do quarto. Rita já ia ao seu encontro:
— Bom dia, Bia! Eu vim chamá-la! O S.Colins está com um policial na sala de estar, que precisa falar com você.
— Bom dia, Rita! Já estou descendo.
Ela seguiu aparentemente tranquila, mas por dentro, o coração batia freneticamente no peito. Será que encontraram alguma pista?
Chegou na sala e avistou Edu com um homem avantajado, moreno e com semblante fechado. Ela os cumprimentou, evitando encarar aquela par de olhos azuis.
Enquanto se sentava, observou que o policial estava com um envelope nas mãos.
— É um prazer revê-la, senhora! E que bom que está bem! — Ele falava, admirado. — Sou o investigador Castro. Desculpe-me ter vindo tão cedo, mas temos urgência em resolver esse caso. Prometo, não vou demorar.
— Compreendo. Então pode começar.
— Bem, Bia, pelas nossas investigações, já conseguimos a informação de que dois suspeitos foram vistos no dia do crime por essas bandas. Como pode ser que estejam ainda por perto, tememos pela sua segurança, então eu conversando ontem ao telefone com Edu, chegamos a um consenso de que talvez consiga lembrar deles. Isso seria muito importante para agilizarmos o nosso trabalho.
Bia ouvia o policial com atenção, mas quando ele falou do telefonema, sentiu as bochechas ficarem avermelhadas. Se não fosse aquela interrupção, teria feito amor com Edu. Pelo canto do olho direito, percebia que ele a observava.
— ... Então, veja se consegue identificá-los nestes retratos falados.
Ela perdera a fala inicial do policial, pois os seus pensamentos ainda estavam na noite passada. Assentindo com a cabeça, segurou o envelope.
Com as mãos trêmulas, observava os desenhos a lápis de alguns rostos. Observava minuciosamente, mas em nenhum deles conseguiu ter um vislumbre de memória.
— Desculpe... Não consigo...— Ela mordia de leve o lábio inferior, preocupada.
— Você poderia...— O policial começou a falar.
— Castro, você ouviu. Ela não conseguiu identificar. Isso basta! — Edu interrompeu-o com firmeza.
Castro sustentou os olhos irritados de Edu por um instante. Franziu a testa sem entender a interrupção, enquanto olhava para Bia e depois voltou-se para Edu.
O seu semblante suavizara-se. Um sorriso discreto surgiu nos seus lábios.
— Tudo bem. Eu entendo.— Levantou-se. — Então vou voltar para a delegacia.
Aproveitando a oportunidade que o policial estava lá, Bia perguntou:
— Sr. Castro, pode me responder se há indícios de que eu estava acompanhada por alguém?
Bia notou que ele primeiramente olhou para Edu.
Com um discreto gesto, Edu permitiu que ele respondesse.
— Provavelmente. — Ele falou, cauteloso. — Entretanto até agora não conseguimos encontrar essa outra pessoa. Estamos investigando. Eu e a minha equipe vasculhamos toda a área em que foi encontrada...
— Nada? Oh, meu Deus! Mas porque tanta dificuldade assim? Não há vestígio de roupa... Sangue, sei lá...
— Acontece que choveu muito naquela área. Se está aqui é um milagre, pois resistiu ao frio por quase 24h. Edu falou isso para você?
— Não, eu não sabia...
Ele continuou com a explicação:
— Recebemos a denúncia de um morador, que ouviu tiros... Então fomos apurar o caso.
Pela primeira vez, naquela manhã ela olhou diretamente para Edu. De alguma forma queria captar as reações dele.
— Onde você se encaixa nessa história, Edu?
Astutamente, ele continuava impassível.
— Eu e Castro estudamos juntos no Rio de Janeiro. Ele fez um concurso e mora aqui há algum tempo. Quando ele falou comigo sobre o assunto, eu quis ajudar. Então por sorte ou destino, acabei encontrando você.
Bia novamente sentiu as faces queimando de vergonha.
— Ok! — Ela respondeu, desviando o olhar. Lembrou-se que ele falara antes sobre o encontro no aeroporto dias antes. Talvez ela já estivesse em Formosa, mas com qual objetivo?
— Bem já que não foi possível identificar os suspeitos, continuaremos a procurar algumas pistas de outras formas. Tenha cuidado, Bia. Esteja sempre vigilante e não fale com estranhos. — Ele apertou a sua mão cordialmente.— Agradeço a sua paciência, Bia!
— De nada. Se eu me lembrar de algo, informarei a vocês.
— Certo! Até mais!
— Até!
Bia olhou os dois homens se afastando. Curiosa, aproximou -se da fresta da porta e espiou-os. Edu gesticulava, agitado, enquanto o outro permanecia quieto, concordando com a cabeça. Não sabia se estava sendo demasiadamente desconfiada, mas acreditava que omitiam os fatos. Droga de memória! Se lembrasse ao menos daquele dia! Tudo seria mais fácil.
Ela já estava tomando café quando Edu voltou. O clima estava tenso.
— Bia... Sobre ontem...
— Por favor, não precisa dizer nada...
— Mesmo assim, insisto. Desculpe-me. Eu não devia...
— Peço também desculpas! Eu invadi o seu quarto...
"Ah, que besteira ter falado assim!" Os dois pensaram ao mesmo tempo, nas cenas quentes.
— É melhor nós esquecermos o que aconteceu.
— Sim, concordo, Edu!
Os corpos reagindo ao desejo, desmentiam as suas palavras. Ainda assim, em silêncio, resolveram se evitar.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Jane Cleide
O que esse maluco esconde hein ,já tou pra dá uns tapas nesse besta kkkkk!!!!
2024-11-14
3
Vilma Teixeira Roquete
Heloisa e de uma mente extraordinária vamos aguardar que ser fantástica sua imaginação....ansiosa demais...😥😥😥😥😥😥😥
2024-10-20
1
Regiane Pimenta
Eu tô pensando que tava se aproveitando simm ela não lembra de nada e vc ainda tá escondendo coisas dela
2024-04-27
6