...Ele vai embora / O sol se põe / Ele leva o dia, mas eu cresci / E no seu caminho, nesta sombra azul / Minhas lágrimas secam sozinhas - Tears Dry On Their Own de Amy Winehouse. ...
...˙❥˙Capítulo 17: Eu... queria poder lembrar, Hain....
Eu e os meus amigos estamos sentados no sofá da minha sala, enquanto a minha menina estava na escola. Samantha ficou de pegar ela para mim.
— Você tem falado com ela ou Henry depois do casamento? — Zion toma mais um gole da sua bebida e espera pela minha resposta.
— Não exatamente… Enviei uma mensagem para o Henry pedindo o número de telefone da Elena. Tive que explicar que era para a Claire e ela manterem contato. Recebi uma resposta apenas ontem, com uma chamada de vídeo de um número desconhecido, que era o dela. Lena ligou para mim querendo falar com nossa filha. Claire ficou feliz, e as duas passaram horas conversando. Porém, não houve mais nada, além disso.
— E como você planeja conquistar ela novamente?
— Estou contando com a ajuda dos meus sogros para isso, Luka — e da minha pequena também. Preciso de uma brecha para entrar na sua nova vida. Ela está apaixonada pelo Henry, deu para ver nos olhos dela, pela forma que ela o olhava. Preciso ir chegando devagar, conseguir chamar sua atenção.
— Ele não vai facilitar para você, sabe disso!
— Eu sei, Zion, e estou contando com isso. Eu sempre achei que minha alma estava ligada à dela, que nascemos um para o outro. Não desistirei da minha Lena. Não tem aquele ditado? “Se for para ser, será. Não importa quanto tempo passe, no momento certo acontecerá. E se não for para ser, é porque não era para acontecer”.
— E a amizade como fica? — Luka faz a pergunta que eu não sei responder.
Como olhar e falar com o seu amigo, sabendo que a mulher da sua vida está com ele? Que são os lábios dele que ela tem beijado, é nos braços dele que ela tem dormido? E não sentir raiva, inveja e desprezo? Querer socar o rosto dele? Como? Como fingir que isso não estraga a nossa amizade, que ainda existe alguma amizade?
— Papai! Papai! — Minha filha entrou com a madrinha dela, a Sam, e o Matt atrás dela. — Minha mãe ligou e perguntou se eu podia ir passar esse final de semana com ela.
— E você quer ir? Ficar dois dias com ela e o Henry?
— Quero… bem, não! — Ela deixa sua mochila cair no chão e me abraça. — Quero muito ver a mamãe, mas não quero ficar sem você. — Beijo seus cabelos e faço carinho nos seus fios compridos.
— Não precisa ficar com medo de ir par causa de mim, meu amor. Eu sempre estarei aqui quando você voltar! — Ela me abraça mais apertado.
— Sei… só acho que não consigo ficar muito tempo longe de você. — Eu sabia disso.
Claire nunca ficou longe de mim por mais do que algumas horas ou dormiu em outro lugar sem que eu estivesse. Nem mesmo na casa dos seus padrinhos ou madrinha, mesmo com o Matt junto.
— Foi por isso que neguei e disse que não. Ela ficou triste depois. Não quis fazer isso, deixá-la triste — Afasto um pouco Claire de mim para olhar em seus olhos, tão azuis quantos os meus. E me lembro o quanto Elena era fascinada por eles.
— Meu anjo… você não ama a mamãe? — Ela assente. — Então, por que não fazemos assim, você passa o dia de sábado lá com ela e à noite busco você?
Ela para e pensa um pouco, gostando da ideia, e sorri me abraçando novamente.
— Agora sobe e toma um banho, que daqui a pouco vamos ir buscar seus avós no aeroporto. — Ela me dá um beijo no rosto, faz o mesmo com os seus padrinhos e sai correndo até as escadas. — Hey, não está esquecendo de nada? — Levanto sua mochila, ela volta e a pega e vai andando até às escadas dessa vez.
Quando minha mãe soube que Elena, sua nora, estava viva, ela ficou radiante. Mesmo com as recomendações médicas para evitar fortes emoções e viagens longas, ela insistiu em vir ver Elena. Tentei explicar a ela que Elena não se lembrava de nada do que vivemos juntos e que talvez não fosse tão calorosa como antes, não a reconhecendo. Mas minha mãe, teimosa como sempre, não se deixou abalar pelos meus argumentos.
Eu sabia que essa visita seria um desafio. Além da amnésia de Elena, havia o fato de que ela estava agora com Henry. Contar isso para minha mãe foi um choque; ela sempre teve um carinho especial por Henry, nosso vizinho e amigo de infância. A surpresa foi dupla: ver Elena viva e descobrir que ela estava com Henry, alguém que minha mãe considerava quase um filho.
Ainda assim, minha mãe estava determinada. Ela acreditava que o amor e a conexão que um dia existiram entre poderíamos, de alguma forma, ajudar Elena a se lembrar. E, apesar de todas as complicações, não pude deixar de admirar a força de vontade e o amor incondicional de minha mãe. Ela estava disposta a enfrentar qualquer obstáculo para estar ao lado de quem ama, mesmo que isso significasse encarar uma realidade dolorosa e inesperada.
Era uma tarde quente quando decidi ligar para Henry. Precisava discutir sobre encontrar um neurocirurgião para o tratamento da minha mãe, mas, para minha surpresa, quem atendeu foi a Elena.
📱Alô?
Ela disse com a voz suave que eu conhecia tão bem, mas agora parecia distante. O constrangimento inicial era palpável.
📱Oi, Elena… é o Hain. Eu estava procurando Henry.
Respondi, tentando manter a voz firme.
📱Ah, Hain! O Henry está no banho. Posso ajudar em algo?
Ela perguntou, e percebi que essa poderia ser uma boa oportunidade para conhecê-la melhor, já que ela havia perdido a memória e agora se apaixona pelo meu melhor amigo.
A conversa começou tensa, mas logo Elena começou a fazer perguntas sobre Claire, nossa filha.
📱Então, Hain, me conte mais sobre a Claire. O que ela gosta? O que não gosta?
Ela perguntou, genuinamente interessada. Senti meu coração aquecer um pouco.
📱Bem, Claire não gosta muito de bonecas, mas adora esportes. Filmes de romance não são com ela, mas ela ama assistir programas de animais. Ah, e é importante lembrar que ela é alérgica a abacaxi e gatos.
Expliquei, rindo levemente ao lembrar das peculiaridades da nossa filha. Elena riu também, e a tensão entre nós começou a dissipar.
📱Ela parece incrível. Passarei o final de semana com ela e não quero errar feio.
Disse Elena, e notei um toque de preocupação em sua voz.
Respiro fundo, sabendo que ela não se lembra de nada, mas a necessidade de compartilhar essas memórias é mais forte.
📱Você sabia que ela adora tocar violão, assim como eu? Ela até toca algumas das músicas que eu costumava tocar para você.
Há uma pausa do outro lado, então continuo.
📱E, ultimamente, Claire está fascinada por beisebol. Ela vive jogando com os padrinhos dela. Eles são tão pacientes e carinhosos com ela.
📱Isso é... bom de ouvir.
Ela diz, mas sinto a confusão em sua voz.
📱Elena, Claire adora preparar refeições com você. Vocês duas sempre faziam sucos nutritivos juntas. A sobremesa preferida das duas é bolo de chocolate com morangos. Mas, claro, ela não pode comer muito doce à noite, senão acorda enjoada no dia seguinte.
Ela fica em silêncio, e posso quase ouvir o esforço dela tentando puxar essas memórias para a superfície.
📱Eu… queria poder lembrar, Hain.
📱Eu sei.
Digo suavemente.
📱Mas estou aqui para te ajudar a lembrar, um pouquinho de cada vez. Não importa quanto tempo leve, estarei aqui.
Nossa conversa fluiu naturalmente, e por um momento, parecia sermos amigos de longa data, rindo e compartilhando histórias. Então, escutei a voz de Henry ao fundo.
📱Elena, quem está no telefone?
Ele perguntou.
📱É o Hain.
Respondeu ela, passando o telefone para ele.
📱Oi, Hain. Desculpe a demora. O que você precisa?
Henry perguntou, sem saber sobre a conversa animada que acabara de ocorrer.
📱Henry, preciso da sua ajuda para encontrar um neurocirurgião para minha mãe. Você conhece alguém que possa nos ajudar?
Perguntei, voltando ao motivo inicial da ligação. Henry, sempre prestativo, começou a falar sobre um médico que ele conhecia, e assim, nossa conversa tomou um rumo mais sério.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
A parte ruim é que ela vai ficar confusa, e não ter certeza sobre os próprios sentimentos 😬
2024-06-14
0
Paty Helena
fiquei triste pelo Nail
2022-10-24
4