...Oh, quando eu olho para trás agora / Aquele verão parecia durar para sempre / E se eu tivesse a escolha / Sim, eu sempre gostaria de estar lá / Aqueles foram os melhores dias da minha vidam - Summer of '69 de Bryan Adams....
...˙❥˙Capítulo 16: Mas ele ainda ficaria feliz se soubesse que Hain e Claire também estariam presentes?...
Hain sorri, seus olhos brilhando com emoção.
Por um momento, meus olhos encontram os de Hain e, pela primeira vez, me vejo encantada por eles. O azul de seus olhos é algo que eu jamais havia visto antes. Sempre gostei de azul, e essa é a única lembrança clara que minha memória reteve. Mas a tonalidade dos olhos de Hain é o tipo de azul mais lindo que já vi. Paralisada e fascinada, não consigo desviar meus olhos dele. Por algum motivo, mesmo que eu não me lembre dos momentos que tivemos juntos, a cor dos seus olhos parece tentar me dizer algo, tentar me fazer lembrar de algo importante.
Estávamos sentados no sofá da casa dos meus pais. Minha filha estava ao meu lado, e Hain do outro. Eu sabia que Henry, meu namorado, se sentiria incomodado por eu estar na casa de Hain sem a presença dele. Mas eu precisava ver minha filha e meus pais, e ele estava preso no hospital, trabalhando. Era fim de semana, e Henry não poderia me impedir de sair de casa e passar esse tempo precioso com minha filha e com os meus pais. A tensão estava no ar, mas eu tentava me concentrar na alegria de estar com minha família.
Enquanto olhava para Hain, uma mistura de sentimentos me invadia. Havia algo nos olhos dele que me fazia sentir uma conexão inexplicável, algo que transcendia o tempo e a memória. Eu sabia que havia coisas que precisavam ser ditas, lembranças que precisavam ser resgatadas. Mas, naquele momento, tudo o que eu podia fazer era me perder na profundidade daquele azul, tentando encontrar respostas para as perguntas que minha mente insistia em fazer.
— Sim, Elena. Tivemos momentos maravilhosos. Espero que, com o tempo, você possa se lembrar de tudo.
De repente, uma imagem chama minha atenção. Um garotinho de cabelos escuros e olhos castanhos aparece na tela, brincando ao lado de Claire. Meu coração acelera. Reconheço o menino da festa de casamento de Henry.
— Quem é ele? — pergunto, apontando para o garotinho.
Claire, sempre atenta e carinhosa, responde antes que Hain possa dizer algo.
— Esse é o Matthew, mamãe. Ele é meu melhor amigo e também seu afilhado. A mãe dele é minha madrinha e sua melhor amiga.
Uma melhor amiga, penso. Sempre desejei ter uma melhor amiga além da minha cunhada Georgina. A notícia traz um calor inesperado ao meu coração.
— É bom saber disso — digo, tentando absorver cada pedaço dessa nova informação. — Espero poder conhecê-los melhor.
Claire sorri e me abraça.
— Você vai, mamãe. Reconstruiremos todas essas memórias juntas.
Enquanto continuo assistindo ao vídeo, a esperança começa a brotar dentro de mim. Mesmo que as lembranças não voltem de imediato, cada dia é uma nova oportunidade para criar novas histórias e reforçar os laços com as pessoas que amo.
...♡˙❥˙♡...
De volta à rotina, a pressão do trabalho parecia esmagadora. Como fotógrafa de casamentos, minha agenda estava lotada, e as sessões atrasadas só aumentavam minha ansiedade.
— Você está bem, Elena? — perguntou Henry uma noite, enquanto eu editava fotos no computador. — Estou, só um pouco sobrecarregada — respondi, tentando sorrir. Ele se aproximou e colocou a mão no meu ombro.
— Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, certo?
— Sei, sim, Henry. Obrigada — disse, sinceramente grata pelo seu apoio.
Entretanto, a presença dos meus pais e de Hain na cidade trouxe um conforto inesperado. Nos momentos livres, eu os visitava, e ver minha filha feliz ao lado dos avós aquecia meu coração.
— Mamãe, olha o que o vovô me ensinou! — exclamava ela, mostrando suas novas habilidades. Esses momentos eram preciosos, e comecei a perceber que, talvez, não precisasse forçar tanto as memórias do passado. Esses fragmentos de novas experiências com minha família poderiam ser suficientes.
Mas lidar com a insegurança de Henry era um desafio constante.
— Queria tanto que seus pais gostassem mais de mim — desabafou ele certa noite.
— Eles gostam, Henry. Só precisam de tempo para se ajustarem à nova dinâmica — respondi, tentando ser compreensiva. No fundo, eu sabia que a situação não era tão simples. Havia uma lacuna de seis anos em minha vida que eu tentava preencher, e isso afetava todos ao meu redor.
Uma tarde, enquanto fotografava um casamento em um lindo jardim, tive um momento de epifania. A felicidade dos noivos, a união das famílias, tudo isso me fez pensar no que realmente importava. Quando cheguei em casa, decidi conversar com Henry sobre meus sentimentos.
— Henry, precisamos falar sobre meus pais e como isso está te afetando — comecei, sentando-me ao seu lado no sofá. Ele suspirou profundamente.
— Sei que estou sendo irracional, mas não consigo evitar — admitiu ele.
— Sei que é difícil para você — continuei — mas, por favor, entenda que minha família está tentando se ajustar tanto quanto nós. Eles gostam de você, só precisam de tempo. — Henry assentiu lentamente.
— Vou tentar, Elena. Só quero que saiba que estou aqui para você, para o que precisar.
— E eu agradeço por isso, mais do que posso expressar — respondi, sentindo uma onda de alívio.
Com o tempo, as coisas começaram a se encaixar. Meus pais e Henry encontraram um meio-termo, e nossa rotina se estabilizou.
Meus pais estavam de malas prontas, prestes a voltar para Dublin depois de uma longa visita. Eles estavam animados para retornar, mas antes de partir, minha mãe fez um pedido especial.
— Elena, você promete vir nos visitar no Natal e Ano Novo? — ela perguntou, o olhar cheio de expectativa.
Eu sorri, tentando tranquilizá-la.
— Claro, mãe. Falarei com o Henry e veremos se conseguimos um tempo a mais para ficarmos com vocês lá.
Meu pai, que estava colocando as últimas mochilas no carro, se aproximou e colocou uma mão carinhosa no meu ombro.
— Seria maravilhoso ter você e o Henry conosco. Sua mãe adora ter a casa cheia durante as festas.
— Vou fazer o possível para isso acontecer — respondi, sentindo uma mistura de saudade antecipada e a pressão de coordenar tudo.
Depois que eles partiram, fiquei pensando em como abordar o assunto com Henry. Ele sempre foi muito compreensivo, mas tínhamos compromissos no trabalho e uma viagem para Dublin exigiria um planejamento cuidadoso.
Naquela noite, enquanto jantávamos, aproveitei a oportunidade.
— Henry, meus pais me pediram para passar o Natal e o Ano Novo com eles em Dublin. O que você acha?
Ele parou por um momento, refletindo.
— Seria ótimo, Elena. Veremos como organizamos nossas agendas para podermos passar um tempo de qualidade com eles. Afinal, família é importante.
Senti um alívio imenso e um calor no coração.
— Obrigada, Henry. Isso significa muito para mim e para eles.
Mas ele ainda ficaria feliz se soubesse que Hain e Claire também estariam presentes?
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
Tenho certeza que não Elena, o Henry não vai gostar nadinha 🫣
2024-06-14
0
Cirlande Ferreira
eu fico triste,porque ninguém está pensando na pessoa que cuidou dela o tempo inteiro quando ela não tinha ninguém .está faltando gratidão.nao gostei
2024-01-03
3
ANA LUCIA VANDAM DE SOUZA
Genteee que loucura...Bom demais 🥵🥵
2023-04-21
2