...Lava-me mais branco do que a neve / Eu tenho que encontrar o meu caminho / De volta para casa - Home de Brian McKnight ...
...˙❥˙Capítulo 14: Memórias Perdidas....
A ficha de tudo o que aconteceu esta noite ainda não caiu para mim. Sou a Elena, uma esposa e mãe de uma menina de dez anos. Uma menina que eu não lembro de ter gerado dentro de mim, de ter nascido de mim, de ter criado. Uma vida inteira passada com o pai dela. Ver os dois indo embora, com dor no rosto e lágrimas nos olhos, mexe com meu coração. Mas estou com o Henry e tudo o que lembro é dele. Tudo o que sinto é por ele. Estou apaixonada por ele, eu o amo.
Ontem eu não tinha nada, era órfã, e hoje tenho meus pais, um marido e uma filha. Que loucura se tornou minha vida em apenas uma única noite. A noite que era para ser o momento mais feliz da minha vida, após me casar com o homem que amava, mas que agora o casamento não é mais válido, por eu não ser quem eu pensava ser. Eu não sou Alice Esther Mitchell. Sou Elena O'Neill. Eu nem mesmo me lembro dos meus pais. Pensar nisso me dá um misto de tristeza e alegria ao mesmo tempo.
Quero muito os ver, tentar reconhecê-los e pedir desculpas por tanto sofrimento que causei, ao pensarem que eu estava morta, enquanto eu estava aqui, viva, sendo feliz com o Henry. É impressionante como a vida pode mudar em um piscar de olhos. Agora, preciso lidar com essas novas memórias e sentimentos, encontrar um equilíbrio entre o que fui e o que sou. E, acima de tudo, preciso fazer as pazes com meu passado para poder seguir em frente.
Henry estava sentado ao meu lado na cama do quarto de hóspedes do seu pai, com os olhos cheios de preocupação enquanto me perguntava se eu estava bem depois de tudo o que havia acontecido. Assenti, ainda meio perdida com todos os eventos recentes. Ele me garantiu que tudo daria certo, que resolveríamos tudo e que Hain iria me conceder o divórcio. No entanto, eu não tinha tanta certeza disso depois que Hain saiu daqui, nos dizendo que não desistiria de mim.
— Quero conhecer minha filha — disse a Henry, a voz trêmula — Quero fazer parte da vida dela. Ela já tem dez anos e eu não consigo me lembrar de nada sobre ela desde o acidente de carro que me deixou sem memória. Quero estar com ela e, pela primeira vez em seis anos, quero tentar me lembrar do meu passado por causa dela, a pessoa que gerei dentro de mim e não consigo me lembrar.
Henry não gostou muito da ideia. Aproximar-me da minha filha significava também me aproximar do pai dela, Hain, que já havia deixado bem claro que não desistiria de mim e tentaria me reconquistar. Mas ela é minha filha, e nem mesmo o nome dela eu me lembro. Não podemos retroceder no tempo, mesmo que eu me lembre de tudo. Ainda assim, perdi seis anos da vida dela e quero tentar recuperar esse tempo perdido.
...˙♡˙❥˙♡˙...
Começamos a planejar os próximos passos. A primeira tarefa era anular a minha certidão de óbito. Fomos ao cartório, onde enfrentamos uma burocracia interminável. Cada formulário preenchido, cada assinatura coletada, parecia um pequeno passo em direção à verdade, mas também um lembrete doloroso do quanto tínhamos que desfazer.
Enquanto esperávamos a conclusão do processo, Henry e eu passamos horas pesquisando sobre Alice Mitchell — tudo o que eu sabia, é que ela era órfã —, tentando entender como nossas identidades haviam sido trocadas. Hain nos ajudou, compartilhando tudo que sabia sobre o que médico havia lhe dito naquela época, que nós duas estávamos no mesmo carro, mas que não fazia ideia de quem poderia ter sido essa tal Alice e de como eu a conhecia.
Quando finalmente conseguimos anular a certidão de óbito, o próximo passo foi obter novos documentos para mim. Foi um processo demorado, mas, com a ajuda de Hain e de Henry, conseguimos completar essa etapa. Eu agora tinha uma nova certidão de nascimento, um novo RG, e, mais importante, uma nova esperança.
No entanto, o desafio mais difícil ainda estava por vir. Hain precisava contar para os meus pais que estou viva. Estávamos todos nervosos com essa reunião, especialmente eu, que não lembro dos meus pais e temia a reação deles ao me ver. Decidimos ir com Hain e a minha filha, Claire, para nos dar apoio moral.
Quando chegamos à casa dos meus pais em Dublin, na Irlanda, Hain tomou a dianteira. Ele respirou fundo e tocou a campainha. Uma mulher na faixa dos seus quarenta e pouco anos, cabelos loiros e olhos verdes, abriu a porta, e seu rosto passou de surpresa pelo choque quando viu Hain e, em seguida, a mim. Hain já havia lhes explicado tudo, desde o acidente até a descoberta da verdade, mas nada se compara a eles me verem na frente deles novamente depois de tantos anos.
— Elena? — ela sussurrou, lágrimas começando a rolar por suas bochechas. — Você está viva?
Dou um passo à frente, hesitante.
— Eu... eu sou. Sinto muito, mas não me lembro de vocês.
A minha mãe me abraçou com força, soluçando.
— Não importa, meu amor. Você está viva, e isso é tudo que importa.
Um homem de cabelos grisalhos, e olhos também verdes, apareceu na porta, tentando entender o que estava acontecendo.
— Filha? — Meu pai suspirou, enxugando as lágrimas. Ele se aproximou e me abraçou com minha mãe segurando as minhas mãos como se nunca mais quisessem soltá-las.
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Conhecer meus pais novamente foi uma experiência surreal. Sentíamos uma conexão instantânea, mas nenhum lapso de memória surgiu, como eu tanto esperava. Andei conversando com meu médico sobre isso, e ele me disse que, conforme o meu acidente de seis anos atrás, há uma pequena chance de recuperar minhas memórias. No entanto, essas chances são bem raras. Ele me aconselhou a conviver com pessoas do meu passado e visitar lugares que eu costumava frequentar antes, pois isso poderia ajudar. Mesmo assim, ele foi claro: melhor não criar muitas esperanças e tentar seguir minha vida a partir daqui, sem focar tanto no passado.
Estar com meus pais tem novamente sido essencial, mas Henry precisava voltar para Londres devido ao seu trabalho no hospital. Eu também tive que retomar minha vida profissional como fotógrafa de casamentos. Havia sessões atrasadas que precisavam ser entregues ainda nesta semana, então não poderia ficar mais tempo na casa dos meus pais em Dublin. Decidi que o mais sensato seria convidá-los para virem conosco.
— Vocês podem ficar em nossa casa, será ótimo ter vocês por perto — sugeri, tentando esconder meu nervosismo.
Para minha surpresa, meus pais preferiram ficar na casa de Hain, com minha filha.
— Temos mais intimidade com ele — minha mãe explicou suavemente. Henry ficou visivelmente desapontado e, mais tarde, confessou seu ciúme.
— Parece que seus pais não gostam de mim — disse ele, com um olhar triste. Tentei tranquilizá-lo. — Não é isso, Henry. Eles apenas se sentem mais confortáveis lá por enquanto, ainda mais que é a casa da neta deles, e já deu para perceber que eles são muito apegados a ela e Claire ao pai. Isso não significa que não gostem de você. — No fundo, eu também me sentia dividida, mas sabia que precisava equilibrar meu presente e meu passado para seguir em frente.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
Acho que logo a Elena também vai querer ficar perto do Hain e da filha 😬
2024-06-14
0
Sirena 🧜🏾♀️💦
Eitaaaaaa 🔥🔥🔥
2023-11-04
3
Rosimary Da silva
Samantha é bem mais bonita que Elena
2023-09-13
2