...Fácil, ninguém nunca disse que seria fácil / Você não sabe o quanto eu lutei para seguir em frente / Ninguém nunca disse que seria fácil / Ninguém nunca disse que seria tão difícil / Oh, me levar de volta para o início - The Scientist de Coldplay. ...
...˙❥˙Capítulo 12: Elena, que foi dada como morta....
Aquela noite estava longe de ser o que eu esperava. A festa do meu casamento com Esther, que deveria ser um dos dias mais felizes da minha vida, se transformou em um redemoinho de emoções e confusões. Quando Georgina sugeriu que entrássemos na casa do nosso pai para conversarmos com mais calma, eu não hesitei. Precisava de respostas, e precisava delas agora.
Enquanto caminhávamos para dentro, pude ver o olhar de Georgina, sempre tão atenta e cuidadosa, agora carregado de preocupação. Ela prometeu que cuidaria de encerrar a festa, mas minha mente estava a mil, tentando processar a revelação chocante de que Esther poderia ser a esposa falecida de Hain, meu melhor amigo e o homem que escolhi para ser meu padrinho. Como isso deveria ser possível? A sensação de que algo estava terrivelmente errado não me deixava.
Sentamos na sala de estar, um ambiente recheado de memórias de infância, mas que agora parecia estranho e distante. Esther estava ao meu lado, visivelmente abalada, enquanto Hain, do outro lado da sala, parecia tão confuso quanto eu. Respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado.
— Vamos conversar com mais calma — eu disse, tentando manter a voz firme. — Precisamos entender o que está acontecendo aqui. Elena, que foi dada como morta. — Hain, você chegou a ver o corpo dela? — perguntei, tentando manter a calma.
Hain assentiu com um semblante sombrio.
— Sim, Henry. Mas o rosto estava muito desfigurado. A estatura, os cabelos e o casaco que ela estava usando, aquele que eu havia lhe dado, além da aliança dela que estava no bolso do casaco, foram entregues a mim pelos médicos. Eles disseram que ela estava usando todas essas coisas. Era definitivamente minha esposa. Mas havia outra pessoa no carro. Ela também foi hospitalizada, mas não me deixaram vê-la por não ser da família. Quando ela acordou do coma de duas semanas, não queria falar com ninguém e não lembrava de nada. A única coisa que soube dela era o nome: Alice Mitchell.
De repente, tudo fez sentido para mim.
— Hain, você está dizendo que essa mulher, Alice Mitchell, era quem estava no hospital? — Hain confirmou com um aceno de cabeça.
— Papai… o que está acontecendo? Achei que a mamãe estava no céu com as estrelas — Claire pergunta ao seu pai Hain, meu melhor amigo, com medo de olhar na minha direção e a de Esther. Os dois sentados na nossa frente na sala de estar da casa do meu pai.
Observei a cena com um nó na garganta. Hain, abalado, tentou esconder a dor nos olhos, mas era inútil.
Encaro meu pai, suas palavras reverberando na tensão da sala.
— É óbvio que houve um erro médico naquele fatídico dia — ele diz, sua voz firme e resoluta. Minha mente começa a girar, tentando processar o que ele está revelando em voz alta, o que tem passado nos meus pensamentos — As identidades de Esther e Elena foram trocadas. Elena foi dada como morta no lugar de Esther e saiu do hospital como Esther. — Sinto um frio na espinha enquanto as implicações dessa revelação se desenrolam na minha mente.
— Isso significa — continuo, tentando manter a calma —, que meu casamento com Esther é inválido. Estou casado com uma mulher morta… Pois quem está sentada ao meu lado agora não é Alice Mitchell e sim, na verdade, Elena O'Neill, esposa de Hain. — Meus olhos buscam os dela desesperadamente, procurando uma confirmação, uma negação, qualquer coisa que esclareça a confusão que se instalou em mim.
Esther olha para mim, seus olhos cheios de confusão e lágrimas.
— O que vamos fazer agora, Henry? Nosso casamento é inválido, e eu sou casada com alguém de quem não me lembro — ela diz, a voz tremendo. A situação é surreal e dolorosa. Claire, a filha dela com Hain, está abraçada ao seu pai no outro sofá, seus olhos marejados de lágrimas. Ela sussurra, quase inaudível para ele:
— Quero ir embora — seu desespero é palpável; ela não consegue entender por que sua mãe, sentada ao meu lado, não se lembra dela e do seu pai. E, para piorar, por que se casou com outro homem? Até hoje, mais cedo, sua mãe estava morta, mas agora está viva, bem aqui na sua frente.
Eu estava furioso com Hain. Como ele poderia não ter ido atrás de Elena naquele hospital? Como ele não invadiu aquela sala em busca de respostas, mesmo que Esther ou Elena não quisessem ver ninguém quando acordasse do coma? Mesmo que os médicos não tivessem deixado ele entrar na sala dela, ele deveria ter feito algo! Minha dor era nítida e eu não conseguia acreditar no que ouvia.
— Hain, isso é… você deveria ter invadido aquela sala — me levanto ficando de pé e começando a andar de um lado para o outro.
— Eu tentei, Henry. Fiz de tudo. Passei dias plantado no hospital, querendo falar com Alice. Quando tentei entrar na sala desesperado por respostas, fui vetado do hospital — Hain respondeu, tentando justificar suas ações. — Dias se passaram, semanas se transformaram em meses. Eu estava destruído, acabado. Enterrei a mulher que achava ser meu universo, meu tudo, meu lar, minha paixão, minha vida. Estava tão mal que abandonei minha filha, a única coisa que me restava dela. — Ele fez carinho nos braços da menina enquanto falava. — Achei que fosse melhor ela ficar com os avós, pais de Elena. Eu não conseguia cuidar dela se nem conseguia cuidar de mim mesmo — Hain disse, abraçando sua filha mais apertado e beijando seus cabelos. — Até o momento em que ela adoeceu, sentindo minha falta. Foi quando caí na realidade de que tinha uma filha e que ela precisava de mim mais do que tudo naquele momento.
Eu observava o carinho e amor que um tinha pelo outro. Ficava olhando para os dois, notando as semelhanças e pensando no que ela tinha em comum com Esther além do sorriso.
— Voltei a morar com minha mãe e levei minha pequena comigo. Ficar em nossa casa se tornou claustrofóbico. Tudo me lembrava de você — suas palavras foram ditas diretamente para ela. Toda vez que ele a olhava…
Meu pai, Derek, que sempre foi uma voz de razão em momentos difíceis, interveio.
— Elena a primeira coisa que você precisa fazer é acertar seus documentos. Anular a certidão de óbito, resolver a confusão das identidades trocadas com Alice Mitchell e, finalmente, tirar novos documentos com seu nome verdadeiro.
Ela olhou para ele, esperançosa.
— E depois disso? O que faremos?
— Depois disso — continuou meu pai — Hain precisa contar aos seus pais que você está viva.
Os olhos de Esther se iluminaram com a possibilidade.
— Meus pais! Eu… quero vê-los. Quero conhecê-los, já que não tenho minhas memórias.
Eu me aproximei dela, segurando sua mão.
— Vamos fazer isso juntos, Esther. Estarei ao seu lado em cada passo desse processo.
Hain balançou a cabeça, concordando.
— Sim, precisamos resolver isso de uma vez por todas. Não podemos adiar mais.
— Sim, com tudo isso resolvido e com um pedido de divórcio, posso enfim me casar com o você, meu amor — ela sorri e apertar minha mão.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
Coitado do Hain 😢, e a filha! Mas será que ela continuará apaixonada pelo Henry depois que sua memória voltar?
2024-06-14
0
corrinha
autora deveria dar uma namorada ao Niall talvez a Elena visse e sentisse alguma coisa talvez ela queira ele também
2023-06-13
5
Paty Helena
Eu estou gostando mto dessa história , e q amor lindo o de Neill por sua Lena❤️
2022-10-24
2