...(Engraçado como as coisas nunca mudam nessa cidade / Tão longe das estrelas / E eu quero te dizer tudo / As palavras que eu nunca disse da primeira vez / E eu me lembro de tudo / Desde quando éramos adolescentes brincando nesse parque de diversões / Queria estar com você lá agora / Se o mundo inteiro estivesse assistindo, eu ainda dançaria com você / Dirigiria por rodovias e cruzaria atalhos para estar com você / O tempo todo, a única verdade / É que tudo me lembra você) — This Town de Niall Horan...
...˙❥˙Capítulo 6: Está cidade....
Voltar à Irlanda foi como mergulhar em um oceano de memórias, cada esquina uma lembrança de tempos mais felizes e mais simples. Eu e Elena havíamos construído nossa vida aqui, desde o nervosismo daquele primeiro encontro até o dia em que, com lágrimas nos olhos e um futuro brilhante pela frente, trocamos nossos votos de casamento. Claire, nossa pequena luz, também nasceu neste solo verdejante, enchendo nossos dias de risos e amor. Sim, éramos uma família completa, unidos e felizes, até que a oportunidade de uma nova vida em Londres se apresentou.
A mudança para Londres foi carregada de promessas, mas o que não percebi foi que, ao deixar a Irlanda, deixaríamos também um pedaço de nossa harmonia. O Natal deveria ser uma época de celebração, mas na casa do meu pai, tudo se complicou. Minha família reunida, a tensão já palpável no ar com a presença da nova esposa do meu pai, e então Paige Martin, com seu jeito tempestuoso e seu namorado que exalava arrogância. Foi uma mistura explosiva desde o início, e eu, imprudentemente, deixei minha guarda baixar.
A noite avançava e as bebidas continuavam a ser servidas. Paige, talvez motivada por velhas rivalidades ou simplesmente pelo espírito do momento, encontrou em mim um alvo para suas provocações. Seu beijo, inesperado e indesejado, foi como um golpe fatal para a estabilidade do meu casamento. Elena viu, e o olhar de dor e traição que ela me lançou foi o suficiente para despedaçar meu coração. Agora, de volta à Irlanda, busco redenção e a esperança de reconstruir o que foi perdido, em meio às ruínas de um lar que um dia foi repleto de amor e alegria.
Desde o início, Elena sempre teve um sexto sentido para perceber as sombras nas intenções de Paige. Eu, por outro lado, optei por ignorar os sinais, talvez pela comodidade ou talvez por pura negação. Paige, a sobrinha do meu padrasto, sempre foi uma presença constante em nossas vidas, e seus flertes pareciam inofensivos, um mero traço de sua personalidade extrovertida, especialmente porque ela tinha um namorado e aparentava estar profundamente apaixonada por ele. No entanto, eu não consegui ver além da superfície. Minha esposa, Elena, via claramente o perigo, mas escolhi não ouvir.
Agora, carrego comigo um peso imenso de culpa. Cada vez que visito a casa do meu pai, cada vez que olho para nossa filha, eu vejo Elena nela. Vejo o amor e a luz que Elena trouxe para nossas vidas, e isso me dói profundamente. Se eu tivesse apenas prestado atenção, se eu tivesse dado crédito às preocupações de Elena desde o início, talvez ela ainda estivesse aqui conosco. A lembrança dos momentos felizes que compartilhamos juntos agora é tingida de tristeza e arrependimento. A dor de saber que poderia ter sido diferente é uma constante lembrança das escolhas que fiz.
Refletindo sobre tudo, percebo que subestimar as intenções de Paige foi um erro grave. Elena tentou me alertar, tentou me mostrar o que ela via, mas escolhi acreditar que não era nada sério. Esse erro de julgamento não apenas custou a presença de Elena em nossas vidas, mas também alterou o curso de tudo o que conhecíamos.
Há dias em que a culpa me consome como uma chama que não se apaga. Recordo dos momentos em que Lena e eu compartilhávamos risadas e sonhos, e essas lembranças agora ecoam dolorosamente em cada canto da casa do meu pai, onde tantas vezes fomos felizes. Observo nossa filha brincando, seus gestos e sorrisos que tanto me lembram Lena, e sinto uma tristeza profunda, um lamento por não ver o que estava bem diante de meus olhos.
Paige apareceu em nossas vidas como uma amiga, e eu, ingênuo e distraído, não percebi suas intenções até que fosse tarde demais. Seu flerte sutil, suas investidas discretas, e eu sem perceber a teia que se formava ao nosso redor. Agora, olhando para trás, cada sinal parece tão óbvio, cada gesto dela carregava um peso que eu não soube interpretar.
Como desejo poder voltar no tempo, agir de outra maneira, proteger Lena das sombras que Paige trazia consigo. Talvez, se eu tivesse sido mais atento, mais presente, Lena ainda estaria aqui, rindo e vivendo ao nosso lado. Em vez disso, estou aqui, afundado em memórias e em uma dor que parece só crescer, alimentada pela culpa e pelo eterno “e se…”.
Ao pisar em Dublin, a sensação de urgência já tomava conta de mim. Trazia Claire, minha filha, pela mão, enquanto nos apressávamos para sair do aeroporto. O telefonema do meu padrasto, Charles, havia sido breve, mas suficiente para acender um alerta que eu não podia ignorar. Minha mãe, sempre tão resistente, agora enfrentava problemas sérios de saúde, e eu precisava estar lá.
Chegamos à casa dela sob o céu nublado de Dublin, que de alguma forma refletia a tempestade de emoções dentro de mim. Ao entrar, encontrei minha mãe na cozinha, seu semblante mostrava surpresa e preocupação ao mesmo tempo.
— Mãe, por que você não me contou? — comecei, tentando manter a calma, mas a frustração era evidente em minha voz.
Ela suspirou, passando a mão pelos cabelos brancos.
— Não queria te preocupar, Hain. Você tem sua própria vida, sua filha… Eu não queria ser um fardo.
— Você nunca é um fardo, mãe. Mas Charles me ligou. Disse que você tem caído, sentindo dores de cabeça intensas… Por que ele e não você?
Ela olhou para baixo, claramente desconfortável. Charles surgiu na entrada da cozinha, seu olhar era de quem não sabia se ficava ou saía. Optou por permanecer em silêncio.
— Mãe, por favor, fale comigo. O que está acontecendo? Você foi ao médico?
Ela respirou fundo, hesitante, antes de responder.
— Sim, eu fui. Eles… eles descobriram um tumor, Hain. No cérebro. — Sua voz era um sussurro trêmulo, mas as palavras caíram como pedras sobre meu peito.
Senti Claire apertar minha mão, pequena e quente, um lembrete de que eu precisava ser forte.
— E o que os médicos disseram? Há tratamento? Uma cirurgia?
— A cirurgia é arriscada, muito arriscada. Eles não garantem que resolverá, e há tantos riscos… — Ela começou a relatar os sintomas que tinha sentido, e cada detalhe era um golpe, me fazendo questionar por que não havia percebido antes, porque não havia estado mais presente.
Conversamos por horas, discutindo cada opção, cada possível cenário. Eu queria entender tudo o que os médicos haviam dito, cada procedimento, cada chance. Minha mãe, por outro lado, parecia resignada, como se já tivesse aceitado um destino que eu ainda não estava pronto para enfrentar.
— Eu só… Eu só quero que você esteja bem, que tenha mais anos, mais risadas, mais momentos conosco — confessei, a voz embargada pela emoção. — Claire adora você, e eu… eu ainda preciso de você, mãe.
Ela sorriu, um sorriso triste, mas sincero.
— Eu sei, querido. E eu lutarei, você sabe que vou. Mas preciso que você esteja preparado para qualquer coisa.
Prometi a ela que faria tudo ao meu alcance, que apoiaria qualquer decisão que ela tomasse. E enquanto segurava sua mão, senti uma mistura de medo e determinação. Não sabia o que o futuro nos reservava, mas sabia que enfrentaríamos juntos, como uma família.
A conversa se estendeu até o anoitecer, e cada palavra, cada gesto, parecia carregar um peso enorme. Era uma mistura de medo, amor e a dura realidade que agora fazia parte de nossas vidas. Mas estávamos juntos, e isso dava a todos nós um fio de esperança, um motivo para acreditar que, de alguma forma, superaríamos.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
Coitado do Hain 😢, está vivendo mais um "se"😢😢😢
2024-06-12
0
Cirlande Ferreira
autora eu não quero eles sofrendo.eles já sofreram demais
2024-01-03
3
Sirena 🧜🏾♀️💦
Eitaaaaaa, merda!
Pensei que o casamento não ia acontecer 😳
2023-11-04
1