...(Eu morri todos os dias esperando por você). — A Thousand Years de Christina Perri...
...˙❥˙Capítulo 3: Um velho amigo....
Reencontrar o Henry após tantos anos foi um turbilhão de emoções. Lá estava ele, não mais o garoto com quem compartilhava segredos e risadas, mas um médico responsável, cuidando da fratura da minha filha. Era estranho pensar em como nossas vidas haviam seguido caminhos tão distintos, ele na França e eu na Irlanda, cada um construindo sua própria história.
Nossa amizade havia sido colocada à prova pelo tempo e pela distância. Lembro-me dos dias em que compartilhávamos tudo um com o outro, mas à medida que cada um de nós foi absorvido por suas novas vidas e responsabilidades, as comunicações tornaram-se esparsas e finalmente cessaram. O silêncio entre nós cresceu até que um dia, tentativas de reacender aquela conexão falharam devido a números de telefone inativos e e-mails não entregues. A falta de presença nas redes sociais do Henry só dificultava ainda mais qualquer tentativa de reconexão.
Agora, parado no hospital, observando-o trabalhar, senti uma mistura de admiração e nostalgia. Apesar do tempo e das mudanças, havia ainda aquele laço invisível que nos conectava. Era uma lembrança de que, não importa quão distante ou diferente nossas vidas possam parecer, as raízes de uma verdadeira amizade permanecem. Enquanto ele cuidava da minha filha, não pude deixar de pensar em como a vida é surpreendente, trazendo-nos de volta pessoas que foram importantes em capítulos anteriores de nossas histórias. Era um momento para refletir sobre o passado, apreciar o presente e, quem sabe, reconstruir pontes há muito consideradas intransponíveis.
A vida tem um jeito engraçado de nos levar por caminhos inesperados. Quando conheci Zion e Luka, não imaginava que aqueles dois estrangeiros se tornariam meus amigos mais próximos. Nossas aventuras em Mullingar eram diárias, entre risos e descobertas compartilhadas. No entanto, tudo isso mudou quando ela entrou em cena. Lena, com seu sorriso que parecia iluminar todos os cantos escuros da minha mente, capturou minha atenção de uma forma que ninguém mais havia conseguido antes.
A amizade com Zion e Luka se manteve, mas confesso que meu mundo começou a girar em torno de Lena. A intensidade dos sentimentos que ela despertou em mim era algo novo e profundamente envolvente. Enquanto eu e Luka mergulhávamos na música, Zion se perdia em suas telas e pincéis, e Lena… ah, Lena explorava o universo de uma forma que só ela sabia fazer. Seu amor pela astronomia era apenas um reflexo de sua curiosidade e desejo de explorar o desconhecido.
Quando ela finalmente se juntou a nós na faculdade, a certeza de que queria passar minha vida ao lado dela se solidificou. Não demorou muito para que, embalados por uma noite estrelada que parecia celebrar nosso futuro, eu a pedisse em casamento. Apesar das incertezas que a juventude pode trazer, uma coisa era clara como o céu que Lena tanto amava estudar: estávamos destinados a explorar juntos não apenas o vasto universo, mas também os infinitos caminhos de nossa própria jornada.
Não era como se tivéssemos planejado tudo meticulosamente—nem o noivado, nem a gravidez precoce da Lena. Os eventos se desenrolaram com uma velocidade que mal dava para acompanhar, e antes mesmo de nos darmos conta, estávamos ajustando nossos planos de vida para incluir um pequeno ser que crescia vigorosamente. Eu ainda estava na universidade, tentando equilibrar meus estudos com os preparativos para uma vida a três.
O casamento foi apressado, marcado mais pela necessidade do que pela tradição. Porém, apesar da pressa, o dia foi marcado por uma beleza singular. Lena, grávida de sete meses, estava radiante em seu vestido de noiva, que desenhava delicadamente sua barriga proeminente. Quando ela caminhou até mim no altar, nossos olhos se encontraram e compartilhamos um momento de pura emoção, tentando segurar as lágrimas que teimavam em aparecer. Aquela cena ainda ressoa em minha mente como uma das mais felizes da minha vida, superada apenas pelo dia em que Lena me disse estar esperando nosso bebê, e logo depois, pelo nascimento de nossa filha, Claire.
A vida seguiu, absorvendo cada segundo do meu tempo com responsabilidades e novas descobertas. A paternidade me consumia de uma maneira que nunca imaginei, e, sem perceber, deixei de lado amizades que pensei que durariam para sempre. Henry, meu melhor amigo desde a infância, a quem eu considerava mais um irmão, acabou se tornando uma memória distante. Ele seguiu sua carreira brilhante em medicina, tornando-se um dos mais renomados pediatras de Londres, enquanto eu me afundava na rotina de um pai de primeira viagem, esquecendo-me até de compartilhar as novidades da minha vida com ele.
O reencontro aconteceu sob circunstâncias inesperadas. Claire, já com seus dez anos, havia quebrado o braço em uma de suas aventuras de infância, e por coincidência ou destino, foi parar nas mãos habilidosas de Henry. No momento que vi seu nome estampado na porta do consultório, um turbilhão de emoções me atingiu. A culpa por deixar aquela amizade tão valiosa escorregar por entre os dedos misturava-se com a alegria de vê-lo novamente.
— E então… ainda vai doer por alguns dias, mas darei ao seu pai uma receita com os remédios para as dores — disse Henry, com sua voz sempre calma e reconfortante. Eu apenas acenei, observando-o com apreço enquanto cuidava de Claire.
— Obrigado, Henry, por cuidar tão bem da minha filha — consegui dizer, meu coração apertado por todas as palavras não ditas ao longo dos anos.
— Não precisa agradecer, é o meu trabalho. E, apesar das circunstâncias, estou feliz de ter te encontrado novamente — ele respondeu com um sorriso gentil, que me fez lembrar dos velhos tempos.
— Sinto muito por perder contato com você, eu até tentei m... — comecei, mas ele me interrompeu com um aceno de cabeça compreensivo.
— Hain, não tem por que pedir desculpas. Nós dois fomos ocupados com a nossa vida e acabamos nos afastando. Mas estou aqui novamente, você está aqui, se quiser ainda ser meu amigo podemos marcar algo — sugeriu, e algo em seu tom me fez sentir como se não tivéssemos perdido um dia sequer.
— Isso seria ótimo, Henry! — exclamei, sentindo uma onda de alívio e felicidade por ter meu amigo de volta.
— Que bom, meu telefone está na receita médica no canto superior abaixo do meu nome e em cima do carimbo — ele apontou, e eu peguei a receita, prometendo a mim mesmo que não deixaria essa oportunidade escapar.
— O.k. Muito bem, vamos mocinha? — chamei Claire, que já estava de pé, pronta para ir embora. Ela correu para dar um último abraço em Henry, que retribuiu com carinho.
— Se cuida e nada de andar de skate ou patinete — ele brincou, mexendo nos cabelos dela.
Saímos do hospital, e enquanto caminhávamos para o carro, Claire mostrava orgulhosa seu gesso verde para os padrinhos que nos esperavam do lado de fora. Eu, por outro lado, guardava no bolso o contato de Henry, decidido a não deixar que a vida nos afastasse novamente.
No banco de trás do carro, eu observava a paisagem passando enquanto o som de uma discussão amigável começava a encher o espaço. Meus amigos, Luka e Zion, estavam em mais um de seus embates clássicos. Dessa vez, o campo de batalha era o gesso verde no braço da minha pequena Claire.
— Eu claramente desenho melhor, Zion. Lembra daquele desenho que fiz no aniversário dela? — dizia Luka, com um sorriso confiante enquanto dirigia.
Zion revirava os olhos, claramente discordando.
— Ah, por favor, Luka. A única coisa que você sabe desenhar é palito. Eu transformarei esse gesso em uma obra de arte. Até a Claire concorda, não é, Claire?
Claire, sentada ao meu lado, apenas ria com aquela inocência que só as crianças têm.
— Gosto dos desenhos dos dois! Mas quero um castelo e um dragão no meu gesso! — exclamava ela, animada com a ideia de ter seu gesso decorado por seus dois padrinhos queridos.
Eu sorria, observando a cena.
— Vocês dois são incríveis, sabiam? Desde que ela nasceu, essa competição só mostra o quanto vocês dois amam essa garotinha. Mas, lembrem-se, o importante é fazer a Claire feliz, não importa quem desenhe o dragão ou o castelo.
A conversa continuava animada, com planos sobre cores e detalhes dos desenhos no gesso de Claire. O carinho que eles demonstravam um pelo, outro e por Claire era palpável, transformando aquela pequena discussão em um momento de alegria compartilhada. E, no fundo, eu sabia que, independentemente de quem desenhasse melhor, minha filha amaria cada traço, porque era feito com amor.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Fafa
Os dois amigos apaixonados pela mesma mulher 😢!!! Não quero nem imaginar o que será dela quando sua memória voltar 😢😢😢
2024-06-11
1
Cirlande Ferreira
já estou triste .eles não merecem
2024-01-03
2
Sirena 🧜🏾♀️💦
Mais que amigos, irmãos.
Até quando, né?!
2023-11-04
2