Me apressei em voltar para o castelo, para não me atrasar entrei pela passagem dos empregados, enquanto subia as escadas, ouvi a voz de Rasthy e Caspian em um dos corredores. Parei exatamente onde estavam, precisava descubrir mais coisas sobre àquele lugar.
— Eles estão cada vez mais dentro de nossas terras.Astrid disse que encontrou dois próximos ao castelo. — Caspian deu um longo suspiro.
— Ela está os mandando, tenho certeza que é pra me forçar a cumprir o acordo.
— Estamos ficando sem tempo. Não acha melhor contar toda a verdade para Freya, seria mais fácil.
— Não, nem ouse em fazer isso. Ela não é obrigada a entrar nisso, é minha responsabilidade. — Disse em voz áspera.
O que eu deveria saber? Quem será esta mulher de quem falam?
— Você deveria ter feito como te sugerimos, talvez as Valquírias possam interceder a Tecelã. — Um estrondo de algo batendo na parede acontece juntamente com um urro de raiva.
— Apenas faça seu trabalho, híbrido, não me diga o que tenho que fazer. Mate cada um que tentar entrar neste castelo, cada um deles. Com a Tecelã, eu mesmo resolvo. — Esbraveja Caspian soltando Rasthy.
— Como preferir, Majestade.
Olho Caspian sair pelo corredor furioso, Rasthy se apruma, ajeitando suas vestes. Respiro fundo antes de sair de meu esconderijo, olho para Rasthy que me dá um leve sorriso.
— Olá princesa, como está passando? — Retribuo o sorriso.
— Bem, obrigada. Podemos trocar algumas palavras?
— Precisa de alguma coisa? — Nego balançando a cabeça, olho os corredores e me aproximo de Rasthy.
— O que exatamente está acontecendo, Rasthy? E por favor, não minta pra mim.
— Você ouviu? Pelos deuses, se ele souber que você ouviu nossa conversa... Ouça, finja que não ouviu nada e continue seu caminho. — Sugeriu Rasthy seguindo pelo corredor.
— Se não me disser vou descobrir por mim mesma. — Ele parou me olhando pelo ombro.
— Não faça nada que irá se arrepender, princesa.
Apressei meu passo até meus aposentos, Analis já havia preparado minhas vestes para o almoço, veio até mim rapidamente retirando minhas roupas.
— A senhorita irá se atrasar.
— Estamos dentro do cronograma Analis, o príncipe também entrou agora.
— Estava com o príncipe? —Assenti.— Então estão se entendendo?
— Não.— Neguei — Você pode me falar sobre as Valquírias e a Tecelã? Sabe alguma coisa sobre elas? — Questionei enquanto me vestia.
— As Valquírias são as ninfas da morte, as lendas dizem que elas escolhem os guerreiros que irão morrer nas batalhas. — Me sento em frente a penteadeira, Analis penteia meus cabelos. — Já as Tecelãs, são conhecidas como Nornas. Elas tecem o fio da vida de cada ser, seja deuses, feéricos ou humanos.
— Você sabe se elas fazem tratos ou acordos? — Analis me olha através do espelho, seu olhar é de um cervo encurralado.
— Sei onde a senhora quer chegar e isso é perigoso, confie em mim senhora. — Respiro fundo.
Alguma coisa me diz, que isso tem algo a ver com a maldição que ela comentou no dia anterior. Minha intuição gritam dentro de mim, as pontas dos meus dedos sempre formigam guando estou perto de descobrir o que procuro. Caspian e Rasthy, deixaram a entender que estou envolvida nisso até o pescoço.
— Alguma destas duas criaturas tem alguma coisa a ver com a maldição? — Seus olhos se arregalaram como se visse um fantasma, isso ativou ainda mais meu alerta. — Foi o que pensei.
— É melhor a senhora deixar este assunto de lado, ou vai se encrencar.
— Algo me diz que vou me encrencar com ou sem este assunto, Analis.
Ela coloca uma tiara de pedras Onix em meus cabelos, e reforça minha pele com óleos perfumados. Desço para o salão e apenas Astrid está a mesa, me sento a cumprimentando com um aceno.
— Parece que está mais familiarizada com o castelo.
— Um pouco... Caspian me mostrou um pouco do reino e dos arredores do castelo. — Ela sorri.
— Você ficou muito bem de preto. Acredito que nasceu pra viver no castelo Negro. — Mordo o lábio.
— Gosto de cor. — Assibilei.—Precisamente azul e verde. — Arqueio a sobrancelha.
— Imaginei que gostasse de rosa ou talvez lilás, você é bem delicada. — Dei de ombros.
— Estas são as cores preferidas de Norah, gosto do que as cores representam pra mim.
— Sério? E o que elas representam na verdade? — Rebate Astrid mostrando interesse.
— O azul significa tranquilidade, serenidade, harmonia e espiritualidade, mas também está associada à frieza, monotonia e depressão. Simboliza a água, o céu e o infinito.
— Interessante, não sabia que uma cor pudesse representar tantas coisas. E o verde?
—Esperança, liberdade, saúde, vitalidade e a juventude. Ela está presente na natureza, em tudo que tem vida.
— Olha só que interessante. O que o preto deve representar? Se for olhar para Caspian deve ser melancolia, tristeza e fúria. — Rimos, sem perceber que ele já estava no salão.
— Pra mim é poder, elegância, respeito e morte. — Assibila Caspian vindo até a mesa. Astrid o olha ainda rindo.
— Devo confessar que você realmente fica muito elegante, mas completamente sombrio. — Ele se senta revirando os olhos.
— Depois do almoço quero que venha até meu gabinete, precisamos conversar. — Ela respira fundo se endireitando sobre a cadeira.
— Tudo bem, já imagino do que se trata.
Seu olhar sombrio recai sobre mim, mas não diz nada por alguns segundos. Seus olhos parecem penetrar minha alma, fazendo que um arrepio percorra por minha coluna.
— Suvina, sirva a refeição. — Ele ordena ainda olhando diretamente para mim, encará-lo esta me incomodando, mas não deixo seus olhos. Caspian cerra os olhos me mostrando que esta pensativo, o que deve estar passando em sua mente agora?
— O equinócio da primavera esta chegando Caspian. Deveremos dar continuidade aos preparativos? — Questiona Astrid pegando sua taça sobre a mesa. Caspian a olha de rabo de olho quebrando nosso contato visual. Me sinto aliviada por sua ajuda.
— Sim, falaremos sobre isso no gabinete.
— O quê é o equinócio de primavera? — Indago enquanto tomo minha bebida.
— Uma festa de plantio, nada muito grande, mas muito importante pra nossa raça. — Responde Astrid.
— E muito satisfatório! — Completa Caspian erguendo a sobrancelha sorrindo.
— Pra vocês homens deve ser mesmo. — Rebate Astrid torcendo os lábios.
— Pra algumas fêmeas também, mas você não deve saber. — Replica Caspian rindo.
— Tanto faz, não faço nenhuma questão de participar.
— Eu posso participar? — Os dois me olham surpresos.
— Definitivamente não, jamais, não quero você nem perto desta festa. — Franzo o cenho.
— E por qual motivo? — Ele desvia o olhar corando. Caspian esta envergonhado? Isso é novidade.
— Por que eu não quero e não permito que vá. — Rio de escárnio.
— Até parece que é meu dono. — Digo sussurrando com a taça nos lábios.
"Quem disse o contrário? " — Sua voz ecoou na minha cabeça. O olhei seria mas escondendo meu espanto.
— Algum problema Freya? — Interpelou ele arqueando a sobrancelha.
— Nenhum . — Engoli seco. Ele era capaz de ler meus pensamentos ou apenas leu minhas expressões? E como ele foi capaz de falar sem mover os lábios?
— Freya?
— Sim? — Olhei rapidamente para Astrid.
— Perguntei se quer dar uma volta de cavalo na parte da tarde? — Olhei brevemente para Caspian que ainda tinha um sorriso arteiro nos lábios.
— Claro vou adorar.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
lascou-se kkkk pode nem pensar mais kkkkk
2022-05-10
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