Ser tratada como uma ignóbil, eu suportaria até meus últimos dias na face da terra.Mas ser trocada como mercadoria foi além do esperado, meu coração está sangrando e minha alma dilacerada. Ao entrar nesta carruagem fui puxada para o abismo profundo, me sinto o animal mais desprezível de todas as sete terras.
Norah apenas demonstrou sua total repulsa por mim, minha irmã, a quem amava tanto.
Conforme a carruagem segue pela estrada até a encosta do Mar Negro, sigo com os olhos fixos na campina florida, se quer cheguei tão longe em nossas terras. Meu coração parecia ter garras afiadas o apertando, meus pensamentos vagavam nas coisas terríveis que o Lorde da Escuridão poderia fazer comigo. Sua reputação entre todas as terras precedia como cruel, sórdido, tirano, inflexível, sarcástico e malicioso. Estava me preparando para o pior, mas ainda não entendia o motivo de sua exigência. Talvez ele gostasse de torturar donzelas inocentes e depois devorar sua carne intocável.
— Estamos quase chegando ao porto princesa. —Rasthy me tira de meus pensamentos.
— Como é seu Senhor, Rasthy? — Ele me olha sério.
— Em uma palavra o descreveria como incompreendido. — Ele olha para minhas mãos que se esfregam ansiosas.— Não precisa temer ao príncipe Caspian, ele jamais machucaria a senhorita.
Volto meu rosto para a janela da carruagem respirando fundo. Como não temer pelo temível, a qual aprendemos a temer dês de crianças? Seria estupidez acreditar no contrário, confiar no inimigo de séculos.
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Avistei o navio na encosta, era de porte médio e madeira escura, suas velas negras já estavam abertas, apenas aguardando nossa chegada.
Ao embarcar, fui recebida por uma mulher do mesmo porte de Rasthy. Seus cabelos eram como a escuridão da noite sem estrelas,o que destacava seus grandes olhos azuis,seu corpo adornado por roupas de couro preto, marcavam sua silhueta perfeita.Em seu quadril havia uma adaga e um espada, uma de cada lado.
— Chegaram bem na hora, há uma tempestade ao leste vindo direto para nossa rota. Precisamos zarpar agora. — Sua voz aveludada, porém firme se dirige a Rasthy. — Ulrik , vamos zarpar. — Ela sai sobre o convés indo em direção a um segundo rapaz.
— Estaremos bem, Astrid sabe o que faz. — Rasthy tenta me tranquilizar.
— Obrigada. — Agradeci com meio sorriso.
Me seguro no parapeito com tanta força que ouço minhas unhas ranger na madeira.
As nuvens estavam escuras ao horizonte, minha garganta secou imaginando que nosso destino poderia ser exatamente como os de meus pais.
O vento soprava fortemente conforme o navio seguia em sentido as nuvens carregadas, não conseguia aliviar a tensão dos meus pensamentos e o medo de morrer no meio daquela tempestade.
— Freya? — Astrid se posicionou ao meu lado. — Sugiro que desça, há uma cabine preparada para você.
— Onde está o Lorde da Escuridão? — Ela suspira.
— Quer um conselho? Não o chame assim, ele odeia ser chamado desta forma.
— Me desculpe, é apenas o costume. — Ela sorri batendo sobre minha mão.
— Tente não usar seu costume perto de Caspian. Agora desça, Rasthy preparou algo para você comer.
— Certo, obrigada.
Ela se vira e me deixa sozinha com meus demônios. Sigo até o andar inferior, Rasthy está me aguardando aos pés da escada.
— Vou te levar a sua cabine. — Assinto o seguindo. — Coloquei seu arco próximo a cama, você o deixou dentro da carruagem.
— Ah, agradeço muito.
— Uma garota delicada como a princesa, não aparenta ter tamanha destreza para caça. — Suspiro.
— Posso parecer frágil, mas sei bem como cravejar uma flecha em um animal. — Ele sorri abrindo a porta.
— Fique a vontade, há uma jacuzzi preparada para a princesa e deve estar com fome.
— Agradeço, vou me lavar e comer.
— Se precisar é só me chamar. — Ele se vira pra sair.
— Rasthy. — Ele se vira me olhando. — Seu senhor não está a bordo?
— O príncipe a aguarda no palácio princesa.
— Imaginei que ele estivesse aqui.
— Sinto muito te decepcionar. — Ele sorri . — Verá o príncipe amanhã até o anoitecer. — Rio de escárnio.
— Mas é uma viagem de três dias, como chegaremos em Shadowsdusk em um dia e meio?
— Como disse, Astrid sabe o que faz. Bom descanso.
Retiro a bolsa de flechas das costas a colocando próximo ao arco, retiro minha capa a deixando ao pé da cama. Me sento comendo os alimentos deixados por Rasthy, tem um gosto acentuado de cravo no pão, fazendo que ele fique ainda mais saboroso. Por fim tomo o chá de anís estrellado e retiro minhas vestes entrando na jacuzzi.
Estou tão exausta que meus olhos insistem em fechar inúmeras vezes e acabo adormecendo.
Ouço barulhos de alguém batendo na porta ao longe e até mesmo meu nome sendo chamado.
— Freya.... Freya... Acorde.
Sinto um dedo passar em meu rosto e abro os olhos lentamente me deparando com o oceano profundo olhando para meu rosto. Imediatamente cubro meus seios por instinto, ele sorri.
— Me desculpe entrar em seus aposentos, mas há uma tempestade lá fora e Astrid pediu para olhar como estava.
— Não percebe que estou no banho? — Seus olhos percorrem minhas pernas e voltam a meu rosto.
— Tem razão dele ser louco por você. — Balbucia o rapaz. — Vista-se, nesta tempestade não pode dormir na jacuzzi. — Ele se levanta ainda olhando meu rosto, mas seus olhos fixam a meus lábios. — Bela cicatrizes você tem, te deixam ainda mais linda. — Respiro fundo.
— Por favor, saia. — Ele sorri.
— Estarei te esperando do lado de fora.
Ele corre os olhos novamente em minhas costas antes de sair. Respiro fundo relaxando meu corpo aliviada.
— Pelos deuses, o que foi isso?
Saio da jacuzzi me secando, visto minhas roupas em seguida tomo ar em meus pulmões abrindo a porta. Então posso vê-lo melhor, o olho de cima abaixo parando em seu rosto. Seus cabelos negros levemente bagunçados eram como a pelugem da pantera que matei pela manhã, traços fortes de um homem viril, a pele clara se destaca com os olhos em um azul escuro vibrante. Peito largo, braços fortes com inúmeras tatuagens nórdicas, mas a que mais me chama a atenção é a que segue até o pescoço, sua vestimenta deixa eu ver apenas um resquício.
— Deve ser Ulrik, acertei? — Seus lábios se esticaram em um sorriso torto.
— Exatamente. Agora que sabemos os nomes um do outro, podemos ser sinceros. — Retraio o corpo. — Não precisa ter medo de mim Freya, sou melhor amigo de Caspian e seu braço direito. Não a machucaria.
— Poderia ser até o Rei, não me importo. Mas isso não te dá o direito de ficar me olhando nua. — Ele morde o lábio.
— Me perdoe a indelicadeza, mas não resisti.
— Imagino que Caspian não iria se agradar deste infortúnio. — Ele arqueia a sobrancelha.
— Interessante, já percebi que sabe dar as cartas, Freya. — Sua voz grave e sensual me faz arrepiar. — Mas não pode usar isso contra mim, e vai aprender que não sou o tipo que aceita ameaças. — Um meio sorriso surgiu em seus lábios sensuais.
— Eu não... Eu não estou ameaçando você. Mas espero que seja a última vez que isso aconteça. — Ele estala a língua olhando meu corpo.
— Não posso garantir nada. — Seu olhar fixa nos meus com intensidade. — Venha, Astrid está te esperando para o jantar.
Já percebi que Ulrik vai me dar trabalho, espero que não nos encontremos com frequência.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
já vejo confusão de formando com esse urik por perto
2022-05-10
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