O nevoeiro era denso, mas Ulrik parecia conhecer bem o caminho. Não consegui avistar muito bem as terras, o que me deixou bastante curiosa, queria saber o caminho, não que pretendesse fugir das terras sombrias, afinal não tinha pra onde ir, minha própria irmã me mandou para a morte, se voltasse, provavelmente ela me mandaria de volta para Caspian.
Começamos a nos aproximar de uma montanha, porém quanto mais perto chegamos, mais visível ficava que, aquilo não era uma montanha em si, mas o Castelo Negro.
Ficava na parte mais alta do terreno, no topo de uma colina. A muralha em seu redor era bastante alta com torres de vigilância a cada dez metros de distância.
Haviam três torres, uma a leste e duas ao sul da construção principal, cada uma em um nível mais alta que a outra, a estrutura principal tinha um tipo de abóbada no centro de sua construção. O castelo era todo em pedra escura, e mostrava claramente o nível de poder de Caspian sobre os outros reinos.
A única entrada também parecia bem fortificada,um dos guardas avistando Ulrik gritou para que abrissem os portões, então aquele enorme portão de ferro subiu enquanto nos dirigimos para ele.
Meu coração já não cabia no peito, estava descompassado e acelerado, agarrei ainda mais forte a cintura de Ulrik, apoiando a cabeça em suas costas. O apertava com tanta força, que sua respiração ficou lenta, seu coração batia tão lentamente, o som era calmante, mas mesmo assim não conseguia aliviar o que estava sentindo. Era uma mistura de falta de ar, tremores, estava suando frio e um terrível medo de morrer. Ele desacelerou o cavalo apertando meu braço levemente.
— Freya, respire, não sinto seu peito se mechendo.
— Ulrik.... Por favor... Me leve daqui. — Ele parou o cavalo, retirando meus braços envolto dele.
— Você vai ficar bem, agora respire. — Eu puxava o ar, mas ele parecia ter dificuldade pra entrar. Ulrik desceu do cavalo me pegando pela cintura, me abraçando tão forte, que de alguma forma me sentia segura e confortável.Meu corpo respondeu a seu afago, lentamente ele foi se acalmando e voltando ao normal.
— Não precisa ter medo, Freya. Você está segura comigo, eu vou te proteger. — Suspirei profundamente, o ar já estava entrando com facilidade em meus pulmões.
— Eu não sei se consigo encará-lo de frente, estou aflita. — Ele ergueu meu queixo olhando em meus olhos.
— Caspian jamais a machucaria, não precisa temer. — Ficamos nos olhando por alguns segundos até uma voz femenina aveludada e macia nos interromper.
— General Ulrik, que bom que está de volta senhor. — Ele se afastou dando atenção a mulher.
— Analis, leve a princesa para se lavar antes de levá-la ao príncipe. A deixe completamente perfumada e bem vestida.— O olhei enquanto ordenava a criada.
— Sim general... — Ela dirigiu o olhar a mim com o sorriso mais doce que havia visto. — Venha comigo princesa. — Hesitei por um momento.
— Vá com ela Freya, nos vemos mais tarde. —Assenti respirando fundo.
Me virei para olha-la, ela era uma mulher de estatura baixa, sua pele era bastante branca como a pura seda, seus lindos cabelos castanhos estavam presos com uma tradicional touca branca, seus cachos saiam mostrando sua perfeição. Os olhos grandes e levemente puxados eram em um avelã tão brilhante, que exalava alegria.Os traços de seu rosto eram finos, nariz levemente empinado,seus lábios pareciam um morango na forma e cor em um rosto levemente arredondado.
Analis me levou pela cozinha, estava bastante agitada, tinha três pessoas fazendo a refeição e outras duas recebendo mercadoria. Subimos a escada de acesso dos empregados até o andar superior, entramos em um quarto um pouco maior que o meu. Do lado esquerdo ficava a cama de madeira escura, com dorsel em um tom escuro de azul com babados e franjas em dourado, Uma penteadeira do lado esquerdo, dois criado na mesma madeira,um de cada lado da cama, do lado oposto uma lareira, próximo a ela duas poltronas em capitonê de um couro em um tom parecido com a madeira. A tapeçaria era impecável, havia três, entre as poltronas, aos pés da cama e na entrada do quarto — onde havia uma pequena mesa redonda com flores azuis e brancas— os tapetes pareciam ter vindo de Hermeron, onde são feitos os tapetes mais lindos dos Sete Reinos, o fundo era em um tom de azul royal, haviam varios galhinhos cheio de folhas desenhados por todo ele em um tom de cobre muito sutil.
As cortinas pesadas cheias de camadas seguía o mesmo tom da cama e estavam abertas, como se já me aguardassem, um baú aos pés da cama e várias obras de artes nas paredes.
— Este será vosso quarto. Se puder me acompanhar.
Em silêncio a acompanhei, entramos em uma porta ao lado da lareira, revelando uma sala de banho privativa. O mármore negro no chão estava impecavelmente pulido, um tanque de banho que caberia duas pessoas facilmente, uma mesa com bacia e jarro em cobre para a higienização matinal.
— Qual a essência que a senhorita usa? — A olhei torcendo os lábios.
— Minha dama de companhia quem preparava tudo, nunca precisei escolher a essência.
— Aqui na sala de banho tem três, Sândalo, Salvia com alecrim e Cítricos. — Suspirei a olhando, enquanto ela aguardava uma resposta.
— Creio que ela usava olhos cítricos, minha pele sempre cheirava a flor de larangeira. — Ela sorriu.
— Perfeito, vou preparar seu banho.
— Obrigada.
— Me desculpe a indelicadeza, mas a senhora está com um forte odor de cevada azeda. Aconteceu alguma coisa no caminho até aqui?
— Precisamos parar em uma pousada por causa da tempestade. O quarto era nada confortável, havia goteiras por toda parte e estava lotada. Um dos hóspedes derramou cerveja em mim quando chegamos.— Ela me olhou surpresa colocando a mão sobre o peito.
Não podia ser sincera com Analis, não por ainda não confiar nela, mas por ter certeza de que não seria apropriado uma princesa se embebedar e acabar na cama com um desconhecido.
— Coitadinha — Ela se dirigiu a mim retirando minha capa. —, deve ter sido uma noite horrível.
— Realmente, foi horrível. — Segurei o riso. — Eu mesma posso me despir, obrigada.
Retiro minha túnica, a chamise e o cocelet jogando ao chão ,em seguida entro no tangue, Analis me ajuda no banho, pego ela olhando minhas cicatrizes por vezes, mas não faz nenhuma pergunta sobre elas. Logo após terminar ela enche meu corpo de óleo e me leva até o pequeno armário ao lado da porta de entrada pegando uma túnica de tecido groso preta com pedraria nos ombros como escamas, mangas longas que se abrem no pulso indo até os joelhos, me veste e trança meus cabelos molhados.
— Está divinamente linda senhora.
— Obrigada, Analis. — Agradeço com um sorriso.
— Irei avisar que a senhorita já está pronta. — Assenti.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
alguém aí sabe me dizer cm se faz pausa n leitura, pq eu não tô conseguindo! ADORANDO DEMAIS 😍
2022-05-10
2
Edna Pereira
😍😍😍😍😍😍😍😍
2022-03-14
1
Inês Casagrande
estou amando esse livro
2022-03-09
1