Ao voltar para meus aposentos, Analis estava me aguardando na porta. Ela estava radiante, aquele doce sorriso estava impregnado em seu lindo rosto.
Assim que fechou as portas, pulou em meu pescoço, rindo e dando pulinhos.
— Senhora, eu vou te honrar até meus últimos dias, quero ser a melhor dama de companhia do Reino Shadowsdusk. — Afastei seus braços de meu pescoço com delicadeza.
— Se acalme, vamos trabalhar nisso e provar para aquele príncipe mimado que ele estava errado.
— Eu ouvi a conversa do lado de fora. Agradeço muito pelo que está fazendo por mim.
— Pois bem, antes de mais nada. Quero que vá até a cozinha, diga aos cozinheiros que quero figos de sobremesa para o jantar. — Ela arregala os olhos. — E que no lugar de vinho, sirvam cerveja.
— A senhora vai caçar confusão com o mestre. — Sorrio mordendo os lábios.
— Ele merece pelo que fez comigo no desjejum. Agora se apresse, antes que os figos acabem no mercado. — Ela assenti saindo do quarto as pressas.
Iria dar a ele alguns dias de trégua, mas se é briga que ele busca, é briga que ele terá. Me dirijo até a sala de banho e lavo meu rosto, assim que me viro, Caspian está encostado no varão da cama me olhando.
— Já disse que não quero que entre nos meus aposentos sem se anunciar. — Ele sorri afagando os cabelos.
— Vim convidá-la para um passeio matinal, quero que conheça a propriedade.
— Acabei de voltar de um passeio ao ar livre, a resposta é não. — Caspian rosna.
— Por que você está me afastando? — Suspiro me virando para olha-lo.
— Qual parte de somos inimigos, você não entendeu? Quer que desenhe para você? Talvez tenha uma mente preguiçosa. — Seus olhos fitam os meus enquanto cruza os braços.
— Você não é minha inimiga, na verdade nunca foi. Deveria rever seus conceitos sobre mim, senhorita irritadinha.
— Eu tentei no desjejum, mas não funcionou, como pode perceber. — Ele respira fundo caminhando pelo quarto.
— Façamos assim, a princesa caminha comigo pela propriedade, e eu te concedo um desejo. — Arqueio a sobrancelha.
— Um desejo? Está barganhando comigo, como ladrões no porto Caspian? — Ele sorri parando a minha frente.
— Não vejo desta forma. Digamos que estou oferecendo um acordo de paz entre nós dois.E então, o que me diz?
Mal sabe ele que não existe este tipo de acordo entre nós.
— Tudo bem, mas meus caprichos não saem barato.
— Por mim, tudo bem, diga que eu mando buscar nas terras geladas do Atlantes ou até mesmo em Hermeron. Posso gastar toda minha fortuna com a princesa se for preciso.
— Menos, já deu pra perceber que o príncipe tem muitas posses e poder. Não precisa tentar esfregar isso na minha face. — Sua mão vem em direção a meu rosto, mas dou um passo para trás.
— Não estou me exibindo senhorita, apenas dizendo que não importa o que a princesa pedir, eu farei. — Sorrio satisfeita.
— Ótimo. — Me viro em direção a saída. — E então, você vem ou não?
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Caspian me levou até a parte norte do castelo, havia muitas árvores de maçã e pêra, o rio que corria aos pés da colina podia ser visto de onde estávamos, boa parte do vilarejo também. Caspian colheu uma das maçãs e me entregou, ela era tão vermelha que parecia ter sido pintada com pinceladas leves e delicadas.
— Obrigada. — Mordi a maçã o olhando, ele observava cada gesto que fazia. — Está muito suculenta, veja. — Levei a sua boca, ele mordeu o mesmo lugar que havia mordido.
— Geralmente elas são, mas esta está com um gosto acentuado e bastante intrigante. — Ergui a sobrancelha séria.
— Não comece com seus joguinhos de palavras atrevidas. — Ele sorri limpando os lábios com a língua.
— Não são joguinhos, mas vou tentar manter a seriedade com a princesa. — Respirei aliviada.
— Ótimo — Me virei para olhar o vilarejo. — assim o passeio será mais agradável... É daquele vilarejo que vem suas verduras e animais?
— Sim, a maioria dos alimentos na verdade. O vilarejo de Midas é muito bem desenvolvido e fértil. Mas o da costa, aquele por qual vocês atracaram, é melhor em questão de pescados e aves.
— O nevoeiro não me permitiu ver muita coisa. — Ele sorriu me olhando de relance.
— Posso te levar até lá para uma visita algum dia.
— Seria ótimo.— Nos olhamos, mas virei o rosto assim que percebi o que estava fazendo. — E aquelas montanhas ao fundo, o que fica atrás delas? — Limpando a garganta ele responde:
— Um dos meus vilarejos preferidos, Petras, conhecida por seu vale e rosas. É de lá que vem os óleos perfumados que está usando. A propósito, está muito perfumada hoje.
— Obrigada.— Limpei a garganta. — Ahh... Podemos continuar?
— Claro. — Começamos a caminhar lentamente sentido ao leste.
— Hoje está um dia bem limpo, o nevoeiro parece ter se dissipado quase por completo. — Seu rosto estava neutro enquanto falava, não consegui decifrar seus pensamentos.
— Não se acostume com dias assim, são raros por aqui. — Tomei ar lentamente em meus pulmões, criando coragem para perguntar sobre a maldição, mas não podia ser direta.
— A névoa tem algum motivo pra se instalar sobre Shadowsdusk? — Seus olhos pareciam vagos e distantes com minha pergunta, come se ele não estivesse mais alí, como se sua mente vagasse em outro lugar.
— Nada que precise se preocupar, eu te garanto.— Suspirei frustada. Ele não iria falar sobre isso assim tão abertamente.
— Há um caminho no jardim de tulípas, onde ele leva? — Seus olhos voltaram a vida novamente, um sorriso se formou em seu rosto.
— Quer descobrir?—Me pergunta empolgado.
— Claro, mas já está quase na hora da refeição. Não vamos nos atrasar? — Ele ri pegando minha mão.
— Esqueceu que eu quem sou o príncipe? Vem.
Me surpreende ele está sendo tão agradável, será que ele está armando alguma coisa? A forma que ele age não condiz com tudo que ouvi falar sobre ele. Não, definitivamente ele deve estar tentando me cativar para conseguir informações sobre meu Reino, ou pior pra ter mais oportunidade de me fazer sofrer. O fato é que ele está conseguindo me deixar completamente confusa.
Chegamos ao caminho, a fonte dos pássaros esta com alguns pequenos rouxinóis, são tão fofos e delicados. Mas Caspian me puxa pelo caminho correndo, que todos voaram, por fim chegamos em um mancebo redondo coberto por ramas trepadeiras , sobre ele há um dragão de pedra com as asas encolhidas e a cabeça em direção a muralha uns quinhentos metros a frente. Sentamos no banco dentro do mancebo, minha respiração está ofegante e acelerada, já Caspian parece que nem estava correndo.
— Eu gostava de vir aqui com Alef e Sirrush, nos passávamos horas aqui. — Puxo o ar, tomando fôlego. Caspian parece tão a vontade que chega a ser outra pessoa. — Eles gostavam de subir nas árvores e pular do galho mais alto.
— Quem são? É alguém do seu círculo íntimo. — Seus olhos se encontram novamente com os meus, estão novamente sem brilho e distantes.
— Meus irmãos... não deveria ter falado deles. Na verdade não deveria ter te trago aqui. — Ele se levanta com uma expressão cruel. — Vá se arrumar para a refeição e trate de não se atrasar. — Caspian volta pelo caminho me deixando completamente confusa. Pra onde foi aquele rapaz cortês de minutos atrás?
— Não vai me acompanhar até o castelo?
— Sabe o caminho Freya. Te vejo em breve. — Ele se quer parou para responder, o que o fez mudar tão repentinamente?
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
tem caroço nesse angu!!!
2022-05-10
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