Na manhã seguinte Norah não apareceu para o desjejum, nem mesmo Salina a viu. O que me deixou bastante intrigada, onde ela poderia ir tão cedo?
Depois de tomar o desjejum, fui a biblioteca e fiz minha leitura matinal.Depois da morte de minha mãe, continuei com meus hábitos de leituras pela manhã, comecei a ler romances e isso me distraia bastante.
No almoço, Norah estava se aguentando, havia um sorriso estranho em seu rosto, aquilo não era comum de se ver, mas me mantive calada.
— Não há questionamentos hoje Freya? — Ergo meu olhar a sua face.
— Não, disse tudo que precisava ontem. — Ela suspira.
— Mas eu tenho. — Ergo os ombros me aprumando.
— Então diga minha irmã.
— No jantar irei te fazer algumas perguntas.E espero que seja sincera comigo. — Engulo seco.O que ela está aprontando desta vez?
— Perguntas? Relacionadas a quê? — Ela respira fundo erguendo o queixo.
— Relacionadas a Lorde Kilian. — Seus olhos se comprimem.— Espero que realmente diga a verdade. — Prendo a respiração.
Pelos deuses, o que Norah tem em mente? Ela é cruel como nossa mãe, se falar qualquer coisa que seja bom em relação a Kilian é bem provável que ela arranje uma forma de prejudicar sua reputação ou bem pior.
— Pode perguntar, não precisa esperar até o jantar, minha irmã. — Ela arqueia a sobrancelha sorrindo.
— Te darei este tempo pra pensar em como irá responder minhas perguntas. Até lá, espero que tome a melhor decisão. — Suspiro.
— Direi a verdade, nada além dela.— Pelos deuses, ela não pode machucar kilian.Como ela pode ser tão cruel? Assim como a mamãe ela sempre quer me ferir.
— Assim espero Freya. — Ela sorri, me levanto da mesa.— Onde pensa que está indo?
— Para o meus aposentos, fiquei meio indisposta. — Ela ergue as sobrancelhas.
— Tudo bem, te vejo ao anoitecer.
Saio do salão com as mãos trêmulas, imaginando as barbaridades que Norah seria capaz de fazer com kilian apenas por saber que tenho sentimentos por ele. Ao entrar no meu quarto, posso respirar novamente, fico na janela olhando o campo a frente do castelo.
— Ah, sim ela é exatamente como nossa mãe. — Fecho os olhos suspirando. — Eu nunca terei paz neste castelo.Mas Bri tem razão, este é meu lar e com os reinos em conflito não faz sentido algum sair daqui.
— Falando sozinha querida? — Brigitte entra no quarto.
— Como posso fazer pra minha irmã mudar, Bri? Ela é cruel como nossa mãe. — Ela segura minha mão.
— Aguente firme meu amor. Em breve as coisas podem melhorar. — A olho com os olhos encharcados.
— Como? Se o prazer de Norah é me fazer sofrer exatamente como nossa mãe.
— As coisas podem melhorar, pensa assim.Em dois anos você pode escolher um marido e ir para bem longe. — Respiro fundo.
— E quem há de querer — Arregaço o vestido em minhas costas expondo as quatro linhas que me marcam.— uma mulher com isso? Com cicatrizes profundas, se fosse apenas nas costa, mas na perna e no lábio.
— Querida, não diga isso.
— Minha mãe tinha razão, sou amaldiçoada, uma aberração. — Ela ajeita meu vestido aos suspiros.
— Não, sua mãe quem era uma maldita ordinária, que nunca amou a filha maravilhosa que tinha. — A abraço chorando. — Coloca pra fora meu amor, isso fará você se acalmar.
— Sinto tanta falta de meu pai, os deuses me castigaram o levando.— Ela afaga meus cabelos.
— Minha pequena criança, deixa os mortos descansarem. — Ela se afasta segurando meu rosto. — Me escuta, você não é essa garota frágil, insegura e dócil. Precisa se posicionar como a mulher forte que enfrentou a morte de frente. Posso não ser sua mãe, mas tenho apreço por você garota. — Assinto secando as lágrimas. — Aprenda a ser calculista e não demonstrar tanto suas emoções aquela garota mimada lá em baixo.
— Você tem razão, quanto mais eu demonstrar o quanto ela me afeta, mais ela me fará sofrer. — Respiro fundo. — Obrigada.
— Não por isso, você é forte, minha criança.
— Irei cavalgar um pouco, assim espanto estes pensamentos ruins. — Beijo sua testa e saio.
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Cavalgo pelas campinas verdejantes e pelos bosques distantes do castelo.
Acabo parando no convexo de túneis em que fui atacada.Prendo meu cavalo em uma das árvores e desço até o exato local, flashes ecoam por minha mente.
FOME...ESTOU FAMINTO ...
A voz da Puka fica ressoando em minhas lembranças, meu estômago revira trazendo a bile a minha garganta, me encosto nas paredes craqueladas de musgos secos respirando fundo, dispersando sua imagem da cabeça.
Nunca pensei em voltar neste lugar, mas preciso enfrentar meus medos de frente.
Ao puxar o ar, sinto o cheiro familiar, Dama da noite com cravo, olho ao redor e estou sozinha.
— Como seu cheiro está neste bosque? — Puxo mais o ar para sentir mais uma vez. — Seu cheiro é tão bom. Se estiver aqui, por favor, apareça.
Com os olhos procuro alguma movimentação, porém apenas ouço os pássaros e esquilos sobre as árvores.
— Eu devo estar delirando, ele não estaria aqui.
Respiro fundo voltando a meu cavalo, mas por alguns segundos sinto o peso de um olhar, mais uma vez olho ao redor e nada.
Volto rapidamente para o castelo, me lavo para o jantar e desço para o salão.
— Atrasada como sempre, Freya. — Respiro fundo tomando meu lugar a mesa.
— Apenas alguns minutos, minha irmã. — Ela me encara .
— Salina, pode nos servir. — Seus olhos fixos em mim, me dizem suas intenções.Preciso me manter firme. — Pois bem... Espero que sua tarde tenha sido agradável.
— Sim, foi formidável.Cavalguei pelo bosque.
— Não levou seu arco desta vez? — Respiro fundo. Há um bom tempo não caço e ela sabe bem disso,sabe que era o que fazia com nosso pai. Por que ela está estranha?
— Não caço mais, há um bom tempo.
— Verdade, há tempos não te vejo praticar no pátio. — Ela respira fundo. — Não viu lorde kilian hoje?
— Não. — Fixei meus olhos nela de forma que não percebesse minhas próximas mentiras.
— Vocês dois parecem bem íntimos. Há alguma coisa acontecendo entre vocês? — Eu sabia que era exatamente isso que ela gostaria de saber.
— Não e também não somos íntimos, Norah. — Continuo com minha postura ereta, tomando um pouco de vinho.
— Imaginei que fossem amigos ou até tivessem um tipo de laço. — Rio ironicamente.
— Não tenho nenhum amigo. — Me perdoe por isso kilian. — Kilian é apenas meu objeto de distração. — Ela sorri satisfeita, mas não emite um som se quer.
— Sinceramente, imaginei que houvesse sentimentos entre vocês. Acredito que ele tenha te dado este colar. — Ela olha para meu pescoço, coloco a taça sobre a mesa.
— Como disse antes, ele é apenas meu brinquedo particular e este colar ridículo, apena o uso como forma de lembrete, que homens não merecem nossos sentimentos. — Ela ergue o queixo respirando fundo.
— Coitado do rapaz, você tem sido cruel. Mas não te culpo. — Ela se levanta vindo até mim, se encosta na mesa segurando meu queixo. — Admiro sua determinação, gostei de ouvir cada palavra sua. — Ela diz em um tom baixo, quase inaudível. — Agora suba para seus aposentos, tenho convidados para o jantar, assuntos de suma importancia para o reino.
— Mas não posso ficar e participar? — Ela solta meu queixo balançando a cabeça negativamente.
— Suba é uma ordem. — Ela se afasta voltando para seu assento.
— Como preferir,irmã.
Saio da sala em passos largos, estou me segurando para não desabar, dizer exatamente aquelas coisas sobre kilian foi muito difícil. Mas era preciso, só os deuses sabem, o que ela seria capaz de fazer se dissesse a verdade.
Ao passar pela porta a fecho caindo de joelhos, respiro fundo diversas vezes até conseguir engolir as lágrimas.
— Trouxe seu jantar, está tudo bem? Nora disse que estava indisposta. — Ainda olhando para o chão aponto para a mesa
— Pode colocar ali Bri, preciso de um tempo, só alguns minutos.
— Como preferir. — Ela coloca a bandeja sobre a mesa. — Norah fez alguma coisa com você?
Respira Freya... Você consegue.... — Digo a mim mesma em pensamentos.
— Precisei mentir para ela sobre Lorde Kilian, ela me fez perguntas muito específicas sobre nós.
— Por isso estava inquieta mais cedo. — Me levanto olhando Brigitte.
— Não quero que ela o prejudique ou o machuque por minha causa. Não seria justo com ele e sua família.
— Aquela cobra traiçoeira. Como pode ser tão má com a própria irmã, com seu próprio sangue?
— Foi melhor assim Bri. Olha, pode voltar para a cozinha e terminar seu jantar, eu vou ficar bem. — Ela beija minha testa.
— Como preferir, minha criança.
Brigitte sai me deixando completamente sozinha com meus pensamentos, retiro minhas vestes e me deito me perdendo em minha cabeça. Algumas horas depois Norah entra em meu quarto.
— Tenho uma notícia pra você. — Me sento a olhando.
— O que ouve? — A questiono intrigada.
— Amanhã ao anoitecer você fará uma viagem. Então se prepare, tenha uma boa noite irmãzinha.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
~BABY grill ~😏
é isso aí , você precisa ser calculista e um pouco fria e não mostrar suas emoções pra ela e nem para ninguém que te machuca 😎
2022-05-15
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Joelma Oliveira
o que essa cobra aprontou c a própria irmã????
2022-05-10
1