Pela manhã, acordei enjoada, talvez fosse o balançar do navio ou o excesso de ervas na comida,não estava acostumada com temperos fortes.
Me vesti e subi para o convés, Astrid estava no timão, seus longos cabelos negros estavam ao vento e sua atenção no horizonte, seus olhos brilhavam com os pequenos raios de Sol que estavam começando a alvorecer a nossa frente,admirei sua beleza por alguns minutos. Astrid tem uma beleza radiante, como o desabrochar de um lírio,cheia de graça e majestade. Desviei o meu olhar para o céu, estava tão limpo, sem uma única nuvem, nem parecia que tínhamos passado por uma tempestade durante a noite. Me dirigí até a proa, fiquei admirando o alvorecer. Era de um laranjado tão intenso e perfeito, que chegava a ser surreal.
O vento soprava frio, e minha capa não me aquecia, envolvi os braços em volta do peito os aquecendo.
Fechei os olhos imaginando como Brigitte e Kilian reagiram com minha partida, espero que nenhum dos dois venham atrás de mim, as terras de Shadowsdusk é conhecida por ser cheia de monstros e demônios cruéis. Não queria que eles se dessem o trabalho de enfrentar certas situações de quase morte por mim, eu não valeria o trabalho.
Sinto algo sendo posto sobre meus ombros, abro os olhos , Ulrik repousa seu casaco sobre minhas costas.
— Precisa se aquecer princesa. — Suspiro o olhando nos olhos. Me surpreende um ato de gentileza vindo dele. — Espero que tenha passado bem durante a noite.
— Demorei a pegar no sono, mas depois que adormeci, não vi mais nada. — Ele sorri segurando o parapeito.
— Que bom. — Ele volta seu olhar ao horizonte. — Não me canso de admirar a alba. É intenso, vibrante, mágico, perfeito, a coisa mais linda que já vi em toda minha vida. — Ele volta a atenção a mim, seus olhos analisam meu rosto, ele sorri.
— É lindo mesmo. — Suspiro enquanto olho a intensidade de cores.
— Se precisar de mim, estarei na polpa com Astrid.
Assinto com um sorriso, ele se vira indo para a polpa, volto a admirar o nascer do sol.
As horas passam tão rapidamente que falta pouco para chegarmos em Shadowsdusk. A névoa já cobre o Mar Negro, imaginava que era no sentido literal quando me diziam que essa parte do mar próxima as terras sombrias fossem obscuras. Ouço barulhos e cânticos vindo do meio da neblina, uma voz femenina aveludada, macia e envolvente.
Tento ver além da neblina mas apenas ouço a linda voz.
Rasthy se aproxima de mim com tamanho silêncio que me assusto com sua aproximação.
— Me desculpe, não queria assustar a princesa. — Respiro fundo.
— Estava perdida em meio a está voz, o que habita nestas águas?
— É uma Rusalka, ela atrai os marinheiros para a morte. Geralmente são espiritos de lagos, mas está deve ter se jogado ao mar.
— Mas por que motivo elas atrai os marinheiros? E por que os homens deste navio não estão encantados por sua linda voz?
— Elas os atraem para os afogá-los, geralmente estas almas foram atormentadas por seus amantes a levando ao suicídio. Elas fazem por vingança, elas se sentem na obrigação de proteger as mulheres de homens cruéis.E nós já estamos acostumados a navegar por estas águas, seu cântico não nos afeta mais. — Mordo os lábios pensativa.
Imagino o que esta jovem passou para ter se lançado ao mar, tirando sua própria vida de amargura e sofrimento.
— Falta muito para chegarmos, Rasthy ? — Ele sorri sacudindo a cabeça negativamente.
— Está cansada do mar? — Suspiro profundamente voltando o olhar para o mar.
Na verdade estou com medo do que virá chegando em Shadowsdusk. Sabe-se os deuses como serei tratada por Caspian e o que ele espera de mim. Talvez ele me escravize, o que não seria nada mal perto de tudo que já ouvi dizer sobre ele.
— Não tenho costume de viajar, nada parou no meu estômago a manhã toda.
— Ulrik está na cozinha, por que não o ajuda a preparar algo? Assim se distrai um pouco.— Sorrio.
Ficar sozinha mais uma vez com Ulrik, não parece uma boa ideia. Apesar de que ele se comportou muito bem ontem a noite.
— Obrigado, vou até a cozinha então. Esse cântico está me deixando perturbada.
Desço dois piso do navio, Ulrik está cortando alguns legumes, há um caldeirão sobre o fogareiro. Fico alguns segundos o observando antes de adentrar na porta.
Ele está vestindo um tabarde de couro justo, seus braços fortes estão expostos deixando a vistas suas tatuagens. Suas costas largas me chamam atenção , cada movimiento de corte que ele faz, move os músculos de suas costas e braços. Desço o olhar abaixo de sua cintura, diria que ele foi agraciado pelos deuses, tem um traseiro invejável.
— Consigo sentir seu olhar daqui Freya. — Engulo seco.
— Ahh... Eu vim ver se precisava de ajuda? — Ele me olha pelo ombro.
— Ajuda é sempre bem vinda. — Me aproximo da bancada, ele me olha sorrindo com um sorriso assanhado. — Gosta do que vê? — Desvio o olhar.
— Não vi nada que me agradasse... — Ele arqueia a sobrancelha.
— Não é o que seu rosto vermelho diz. — Prendo o ar.
— Está me constrangendo... Estava apenas pensando na Rusalka, pobre alma. — Desvio o olhar.
— Não tente disfarçar, senti seu olhar sobre mim assim que chegou. Eu sei que sou gostoso, sexy e atraente. Responda; Gosta do que vê? — Seu olhar é completamente sensual e atraente, jamais havia visto um olhar tão atraente como o dele.
— Você é muito presunçoso. — Ele sorri.
— O que quer fazer? — Engulo seco mordendo o lábio pensativa. — Estou falando do almoço Freya. — Respiro fundo.
— Não sei cozinhar, nem picar legumes.
— Tudo bem. — Ele coloca a faca em minha mão se posicionando atrás de mim. — Segure assim, e o legume assim. — Suas mãos ficam sobre as minhas, sinto milhares de mariposas na boca do estômago. — Deslize a faca lentamente sobre o legume. — Ele diz ao meu ouvido praticamente sussurrando. — Muito fácil, não acha?
— Eu...nunca precisei.... — Respiro fundo. — fazer nada. Mas é fácil. — Chego a gaguejar.
— Não pense Freya, apenas sinta o movimento da lâmina. — Seu abdômen se encosta em minhas costas. Prendo a respiração.
— Não consigo pensar em muita coisa agora, estou concentrada em não cortar a mão. — Mentirosa descarada. Meus pensamentos estão perdidos e vagando sem rumo em como seu abdômen é rígido e volumoso.
— Consegue sentir Freya? — Sinto cada detalhe, cada centímetro.
— Não quero me cortar Ulrik, mas acho que consigo fazer isso sozinha. — Lentamente ele solta minhas mãos, sua respiração quente se afasta de meu ouvido.
— Tome cuidado, não quero que se machuque. — Volto a respirar.
— Serei cautelosa, obrigada. — Ele sorri indo até o fogareiro. — O que está preparando?
— Um ensopado de legumes com peixe.
— Amo ensopado. — Seu olhar me examina. — O que foi? Uma princesa não pode gostar de comidas simples? — Ele arqueia a sobrancelha.
— Claro que pode, mas como disse ontem, você me intriga.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
assim fica difícil pra qq mulher manter raciocínio lógico 😶😶😶😶 esse vai dar muito trabalho ainda pra coitada
2022-05-10
2
Cristiana Guerra
coitada
como resistir
2022-02-05
1