Revirei na cama a noite toda, não consegui pregar os olhos. Norah sabe como ativar minha ansiedade, sabe como deixar meus pensamentos martelando na mesma coisa por horas.
Me levantei da cama me sentindo um moribundo, me preparei antes mesmo de Brigitte vir pela manhã.
Se quer desci para o desjejum, a ansiedade me deixava enjoada. Quando por fim consegui me acalmar segui até o jardim, precisava descarregar aquilo de alguma forma.Vesti minha capa,peguei meu arco e uma aljava, meu pai sempre trazia as melhores flechas de Tesdas, feitas de freixo e outras de bétula prateada, ambas com pontas de prata pura. Perfeitas para caça e na minha opinião a de bétula tem ótima flexibilidade para dias de forte ventos e tempestades, alcançando a caça com mais força e precisão.
Treinei por quase uma hora nos alvos, não estava ruim como imaginei, minha mira ainda era certeira. Nunca errei um alvo de caça, minha mira sempre foi precisa e mortal. Peguei meu cavalo e parti para floresta a dentro, amarrei meu cavalo e fiquei na espreita', quieta, apenas esperando algum animal infeliz aparecer, o vento soprava e havia um imenso silêncio na floresta.
Armei minha flecha no arco ao ouvir o som de um cervo, segui o som até próximo a uma pequena clareira,me agachei em um amontoado de arbustos . Ele estava bem na minha frente com enormes chifres,a menos de trinta passos, na minha mira. Minha garganta secou, assim que percebi que não era apenas eu o seu caçador, uma pantera também o estava espreitando, logo a minha frente, diante do cervo que não percebera sua presença.
Seus olhos verdes e brilhantes se cruzaram aos meus, seu nariz se enrugou. Ela me encarou como um aviso de que o cervo a pertencia, mas não desviei meu olhar.
Precisava tomar uma decisão, se atirasse no cervo ela me atacaria, não teria tempo suficiente para armar uma nova flecha, por outro lado se ela fosse meu alvo eminente, o cervo fugiria e perderia uma ótima carne para o jantar. Porém precisava decidir com rapidez, cada segundo era crucial naquele momento. A pantera ou o cervo? Inspirei fechando os olhos, expandi a corda do arco, abri os olhos soltando o ar e assim a flecha em seguida. Ela cortou o vento sibilando até sua vítima, acertando em cheio seu peito no exato momento do ataque, derrubando a pantera sobre o solo. O cervo se afugentou assim que percebeu seu predador pelo som emitido, um grunhido ao receber a flechada em sua carne.
Me dirigí até a pantera morta no chão,em seus olhos não haviam mais brilho. Puxei a flecha de seu peito a retirando, voltando para a bolsa sobre minhas costas.
— Sinto muito. — Acaricio sua pelagem macia. — Que os deuses o receba.
Entalei seu ferimento mortal para não sujar minha capa de sangue, a joguei sobre os ombros. O cavalo estava a alguns metros dali, mas tive um pouco de dificuldade pelo peso da enorme pantera.
Por fim a joguei sobre o cavalo e voltei para o castelo.
Ao me aproximar, avistei uma carruagem próximo a entrada do castelo. Meu coração gelou no mesmo momento, minhas mãos ficaram trêmulas e meu estômago se revirou, mesmo vazio.
Aquilo significava algo, e sabia no meu íntimo que era sobre a a viagem dita por Norah na noite anterior. Quanto mais o cavalo se aproximava da entrada, mais aflita eu ficava. Eu simplesmente poderia dar meia volta e fugir para a floresta, mas pra onde iria? Onde poderia me esconder e sobreviver sozinha na floresta não era uma boa ideia.
Desmontei do cavalo entregando as redias a um dos soldados.
— Leve-o para o estábulo e peça para alimentar e dar água. A caça leve para a cozinha.
— Sim princesa.
Retirei o capuz da capa da cabeça, adentrando no castelo, cada passo em direção ao salão de entrada era uma tortura. Havia um rapaz com Norah, alto de ombros largos, cabelos longos presos no alto da cabeça.Seu cabelos são como um reflexo da luz do sol refletindo nas flores no primeiro dia de primavera.
Norah colocou seus olhos em mim com tanto penso que quis fugir dali o mais rápido que conseguia.
— Aí está você. Estava caçando? — Congelei o ar em meus pulmões.
— Estava, precisava me distrair.
— Senhor, está é Freya. Me perdoe suas vestimentas.
Ele se vira para me olhar, revelando um par de esmeraldas brilhantes sobre um rosto escupido pelos deuses. Seu olhar foi direcionado apenas para meu rosto, não vi repulsa nem encômodo algum. Sua túnica preta com arabescos bordados em ouro, me deixara intrigada, jamais havia visto vestes tão peculiares.
— Princesa Freya, é uma honra enfim conhecê-la. — Ele se curva com um braço nas costas e outro sobre o abdômen. — Me chamo Rasthy.
— O prazer é todo meu, mas poderia me explicar o que está acontecendo aqui, Norah? — Digo com firmeza, Norah respira fundo contraindo os lábios.
— Te avisei que iria viajar hoje. Espero que esteja pronta.
— Você disse, mas se quer me contou o motivo e o lugar. E se não me engano, você foi precisa em dizer que era ao anoitecer.
— Sinto muito princesa, mas a culpa é minha por me adiantar. O vento estava favorável e contribuiu para uma viagem rápida.— Rasthy tenta se retratar.
— Rasthy, poderia me dar alguns segundos a sós com minha irmã? — Ele se curva novamente.
— Claro majestade, se me dão licença.
Ele se retira do salão, Norah me encara de queixo elevado e olhos entreabertos, posso sentir sua raiva ao respirar.
— Seja sincera comigo Norah. O que está acontecendo exatamente aqui?
— Te dei como troca em um acordo com o Lorde da Escuridão. Você pertence a ele agora.
Perco o ar em meus pulmões, sinto como se minha própria irmã me apunhalasse pelas costas.
— Você me ofereceu como barganha? — Fecho os punhos cravando as unhas em minha carne.
— Barganha não é bem a palavra correta. Mas foi o preço pago por vidas inocentes.Ele disse: Uma vida importante por milhares. — Ela se quer expressa alguma reação.
— E assim você me jogou aos lobos? Sua própria irmã? — Meus lábios tremem, meus joelhos querem fraquejar, mas me mantenho firme.
— Lembre-se de que uma Rainha precisa fazer escolhas difíceis.
Minha vontade era gritar e pular sobre seus cabelos metricamente arrumados em um penteado preso, estapear seu lindo rosto de seda e deixá-lo irreconhecível. Dando a ela um motivo de me chamar de camponesa ignorante e selvagem. Mas me contive, puxando o ar para acalmar meus ânimos.
— Bela Rainha o povo terá. Uma capaz de sacrificar sua única irmã, seu sangue e última parente viva. — Norah da de ombros.
— Não seja dramática. Tenho certeza que tudo irá correr bem e em breve você voltará. Assim que ele colocar os olhos em você, ele a mandará de volta. — Suspiro profundamente.
— Afinal,quem iria querer uma aberração, não é? — Ela sorri.
— Exatamente isso, então não se desespere.
— Rasthy. — O chamo em alta voz, ele volta ao salão.— Quando partiremos? — Não tiro os olhos de Norah, seu rosto exala satisfação.
— Imediatamente princesa. — Respiro fundo.
— Ótimo. Me dê apenas alguns minutos para me despedir... — Norah me interrompe.
— Se está se referindo a Brigitte, ela não está no castelo. Foi com Salina até o vilarejo ao norte comprar legumes. Então não precisa se despedir. — Mordo as bochechas.
— Sendo assim, podemos partir Rasthy.
Me viro de costas para Norah sem me despedir, saio do castelo de cabeça erguida rumo a minha morte eminente.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
~BABY grill ~😏
porque não faz isso ela merece. 😏😏😏😏🔥🔥🔥🔥😈😈
2022-05-15
3
Joelma Oliveira
tendo essa bruxa má como irmã, ela não precisa de inimigos
2022-05-10
1
Cristiane Bertoldo
essa Norah é um perigo como rainha
2022-05-10
2