Era o lobo mais gigantesco que veria na vida, sua pelagem acinzentada era opaca, suas presas enormes e afiadas,capazes de destroçar sua vítima em segundos, seus olhos pareciam duas pedras de rubis, vermelhos brilhantes e estava fixadas em nós.
Meus olhos estavam vidrados na besta atrás de nós, provavelmente Ulrik sabia que estávamos sendo perseguidos por aquela besta gigantesca.
Em um reflexo pela minha vida, soltei meus braços que envolviam Ulrik, levando a mão ao arco, ele estava bem preso na bolsa, puxar não seria suficiente.
— Preciso que use sua mão para desfazer o laço. — Ele me olhou por uma fração de segundos.
— Quer nos levar pra morte? — Eu sei que ele era capaz de fazer aquilo mesmo focado no caminho.
— Vamos morrer se eu não fizer alguma coisa. — A besta se aproximava ainda mais de nós. — Ulrik. — Gritei.
— Certo.
De uma única vez, ele soltou sua mão da rédia a levando até o laço que prendia o arco o desfazendo. Com velocidade agarrou a rédia novamente, puxei o arco. Mas teria um pouco de dificuldade em acertar o alvo naquela posição, então joguei um pouco o corpo para a lateral. Ulrik gemeu, mas o braço dele me daria estabilidade, peguei a flecha em suas costas a posicionando no arco. Mirei na besta, mas onde deveria acertar? Direcionei no enorme peito do animal, mas algo me dizia que não seria o suficiente para pará-lo.
— O que está esperando? — Suspirei ainda mirando no animal.
— Não sei onde devo acertar.
— Nos olhos, atire nos olhos.
Sugeriu com rispidez, ele parecia estar com tanto medo quanto eu estava. Ergui minha flecha apontando para seu olho esquerdo, o cavalo não deixava minha mira ser exata pelo movimento, prendi o ar fechando um dos olhos e o fixando em meu alvo. Aquela não seria a primeira vez que iria errar a mira, não desta vez, eu não poderia, minha vida dependia da minha exatidão. Me concentrei limpando minha mente do medo, da circunstância ao meu redor, apenas sentia e ouvia a respiração de Ulrik ofegante. Puxei mais a flecha esticando a corda ao máximo, soltei o ar juntamente com a flecha. Ela parecia cortar o ar e a chuva em câmera lenta, aumentando ainda mais minha aflição. Quando, enfim, atingiu em cheio o olho da besta o fazendo tropeçar nas próprias patas. Aquela flechada não seria mortal, mas o tiraria dos nossos calcanhares, pude respirar aliviada, voltando a me agarrar a Ulrik.
— Graças aos deuses você trouxe seu arco. — Assibilou. — E mais ainda em ser certeira. — Sorri ajeitando o rosto em seu pescoço.
— Só tira a gente desta floresta.
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A tempestade estava piorando quando chegamos a estalagem e a noite já estava instalada sobre nós. Era um casebre em madeira, não muito grande e por fora passava a sensação de não ter conforto algum, mas iria nos manter seguros e aquecidos.
Ulrik amarrou o cavalo na pequena baia com água e comida para o animal, o cavalo deveria estar exausto e faminto devido o esforço.
— Só espero que tenham quartos disponíveis, com esta tempestade repentina, ficam lotadas. — Murmurou enquanto passamos pela porta.
O salão estava lotado, todas as mesas ocupadas, Ulrik rosnou enquanto nós dirigimos para o balcão.
— Senhor, tem algum quarto disponível?
Ulrik parecia incomodado com a quantidade de pessoas no salão, mas pra mim aquilo era incrível, tantos reunidos bebendo e rindo, nenhum deles me olharam duas vezes seguidas, nem fixaram o olhar em meu rosto. Estava em um lugar que não me sentia estranha ou uma aberração.
— Você tem sorte meu rapaz, acabaram de desocupar um quatro. — Respondeu o estalageiro.
— Quem seria o louco de partir em meio a uma tempestade destas? — Questionou Ulrik.
— Um mercenário, ele pagou mas não ficou.Creio que teve urgências maiores.
— Ótimo, vamos ficar com o quanto.
Minha atenção estava sobre o aglomerado de pessoas, não dei muita atenção ao que falavam, estavam tão alegres que me encantava.
— Freya... Freya... — A mão de Ulrik me trouxe de volta.
— Oi. — Respondi.
— Vamos subir, precisamos nos secar.
— Tudo bem.— Dei uma última olhada no salão enquanto seguia para as escadas.
Subimos para o andar superior, Ulrik abriu a porta entrando no quarto.
— E o meu? — Ele me olhou erguendo a sobrancelha.
— Está de brincadeira? Temos sorte em ter este disponível.
— O quê? — Ele riu de escárnio.
Olhei o quarto pequeno entrando, havia uma única cama e um baú com um pequeno fogareiro.
— Não... — Respirei fundo esfregando o rosto. — Não vou dormir aqui com você, prefiro passar a noite no estábulo.
Me ignorando, ele começou a se despir, seu abdômen era ainda mais lindo nú, parecia uma obra feita pelas mãos dos deuses e pude ver em fim sua tatuagem, era uma espécie de árvore sem folhas na lateral do peito se estendendo para o braço e pescoço. Enguli seco desviando o olhar para seu rosto, o fogareiro já estava aceso, Ulrik colocou sua tabarde próxima a ele para secar.
— Se é este seu desejo princesa, fique a vontade. — Ele retira as botas. — Eu irei ficar bem aqui, e dormir sobre aquela cama. — Apontou com o queixo. — Sugiro que coloque suas vestes próximo ao fogareiro para secarem ou irá adoecer.
Sem resposta fiquei o encarando, parecia não ter escolha a não ser encarar aquela situação. A tempestade só piorava e aquele quarto era tudo que tínhamos pra nós manter aquecidos, suspirei retirando a capa dos ombros a pendurando próximo ao fogareiro, mas ficar de roupas de baixo perto dele jamais.
— Que bom que é sensata princesa. Tire logo este vestido, está ensopada. — Rosnei o olhando.
— Ahh, não mesmo. Estou bem assim.— Ele me encarou sério.
— Você não acha que já vi tudo que precisava na noite anterior? — Meu estômago revirou. Em um impulso levei a mão em seu rosto, mas ele a segurou antes de atingir sua face. — Não quero que adoeça, é apenas isso. Agora tire suas vestes.
— Escroto arrogante. — Ele sorri soltando meu pulso.
— Agradeço o elogio, você é simplesmente gentil princesa.
— Por que tem que ser tão desagradável? O que deveria esperar de um feérrico sujo. — Ele me olha tombando a cabeça.
— Se não me engano a princesa também é feérica. Ou estou enganado? Você não é uma humana comum, não pertence a clase baixa. Então está ofendendo a si também.
— Seu boçal. — Gemo irritada. — Insuportável. — Ele suspira.
— Se não quer que arranque esse vestido ensopado a força, sugiro que o retire imediatamente. — Bati o pé fechando os punhos. Sabia que aquela ameaça seria concretizada se não obedecesse, o que seria pior que ficar nua perto dele novamente.
— Se vira. — Pedi em um sussurro, erguendo a sobrancelha ele obedeceu. — Por favor, não olhe. — Pude sentir seus olhos se revirar.
Retiro minha túnica, ficando apenas de chemises e combinação, graças aos deuses coloquei corset, ou me sentiria ainda mais nua.
— Eu não tenho costume de ficar desta forma perto de um homem. — Ele se vira me olhando nos olhos.
— Não é como se estivesse completamente nua, ainda cobre seu lindo corpo. — Ele sorri sem desviar o olhar para meu corpo. — Agora fique perto do fogareiro e se aqueça. — Ele se senta ao chão encostando na parede de olhos fechados.
— Queria te agradecer por me segurar e não me deixa morrer no caminho pra cá. — Ainda de olhos fechados ele responde.
— Apenas fiz meu trabalho. — Suspiro.
— Mesmo assim, queria agradecer. — Me sentei próximo ao fogareiro. — O que era aquele animal?
— Fenrisulfr, o lobo faminto, como o chamamos. — Disse ele. — "Desprendido será Fenris Lobo e destruirá o reino dos homens,antes que venha um principe real tão bom quanto, para ficar em seu lugar." — Ja ouvira aquele poema, mas jamais imaginei que a besta fosse real. — Não devia ter cortado caminho pela floresta petrificada. Me desculpe. — Ele suspira.
— Não tinha como você saber que aquela besta cruzaria nosso caminho.
— Ele poderia ter devorado nós dois se você não pensasse rápido. Era questão de tempo até nos alcançar.
Sei que ele não irá ser claro, mas preciso perguntar, preciso saber onde estou me metendo.
— Há monstros piores que aquele ? — Ele abre os olhos me encarando.
— Aquilo não é nem um resquícios do que pode encontrar aqui. Agora entende o porque de querer que fique no castelo?
Apenas assenti em silêncio, mesmo que aquele castelo fosse minha prisão, não queria ser devorada ou sabe o quê,por alguma besta como aquela.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Cristiane Bertoldo
ela precisava levar umas roupas de casa né? não dava pra sair assim
2022-05-10
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Joelma Oliveira
ter q passar a noite n msm quarto c ele e ainda sem roupa .... tem cm ficar mais difícil pra ela não né!?
2022-05-10
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