Despertei com três batidas na porta, provavelmente era Ulrik. Suspirando me levantei, mas meu desejo era ficar ali deitada e voltar a dormir.Ele me despertara de um sonho lindo.Estava sobre a campina floral, cheia de pequenas flores amarelas. Kilian e eu estavamos deitados próximos olhando as nuvens no céu e dando nomes as formas delas, em um lapso nossos rostos estavam próximos e quando seus lábios tocariam os meus, este infeliz veio tirar minha paz, me trazer para esse tormento que minha vida está se tornando.
Abro a porta bocejando, me deparando com Rasthy e seu lindo sorriso angelical.
— Desculpe te acordar, mas Ulrik me pediu que te avisasse que estaremos atracando em dez minutos. — Suspirei recebendo a notícia.
Era um aviso de que estava chegando a minha prisão, a meu cabresto.
— Estarei pronta em alguns minutos. Obrigada.
Em um aceno com a cabeça ele se vira indo embora. Não tive pressa em vestir minha capa e colocar a bolsa de flechas sobre as costas, olhei para o arco encostado sobre a parede suspirando. O arco era tudo que havia trago, juntamente com as flechas, fora aquilo, me sentia uma miserável.Agarrei o arco tomando coragem para subir para o convés, meus pés vacilaram enquanto subiam os últimos degraus. Os homens estavam agitados preparando o navio para a chegada. Pude avistar o porto das terras sombrias — a neblina era menos densa, mas ainda assim ela era presente — meu estômago se agitou como se fosse o próprio océano em tormenta. Não tinha como fugir daquilo, minha coragem esvaiu de meu corpo, senti minhas mãos gelarem como de um cadáver.
Quando coloquei os pés sobre o deque, minha garganta arranhou e minha boca secou.
— Está animada para cavalgar? — A voz grave de Ulrik ressoou atrás de mim.
— Não sei se animada é a palavra exata. — Ele sorri passando por mim.
— Venha, não temos muito tempo até o por do sol.
Respirei fundo o seguindo, havia apenas um cavalo de pelagem camurça, procurei um segundo enquanto nos aproximamos, mas era apenas aquele.
— Você irá a pé? — O questionei.
Ulrik lançou a cabeça para trás em uma gargalhada intensa.Como se aquela pergunta fosse a coisa mais engraçada dos Sete Reinos. Ele pediu meu arco e a bolsa de flechas,o entreguei, ele amarrou o arco na bolsa lateral do cavalo e jogou minha bolsa de flechas atrás das suas costas.
— Que bom que te faço ri. — Graciosamente ele monta o cavalo me estendo a mão.
— Vamos Freya, já vai escurecer. — Respirei fundo mais uma vez encarando sua mão.
— Eu não vou no mesmo cavalo que você. — O encarei exitante.
— Não me obrigue a descer e te jogar no lombo do cavalo.— Sacudiu a mão insistentemente.— Ande. — Acrescentou franzindo o cenho.
— Droga. — Segurei sua mão que me puxou para sua dianteira. — Odeio galopar desta forma. — Ele sorri pegando as rédias.
— Breve se verá livre de mim. — Seu peito rígido se estendeu encostando em minhas costas, prendo o ar com sua aproximação.
— Só me diz que o castelo não fica muito longe daqui. — Apenas um riso foi minha resposta.
Conforme o cavalo galopa em direção a floresta, nossos corpos ficavam se encontrando, flexionando, e algo com volume denso estava me incomodando quando tocava abaixo de minha coluna. Era algo difícil de ignorar, agradeço aos deuses por Ulrik não poder ver meu rosto.
— Ahh... U-Ulrik. — Tentei criar coragem em meio a seu nome.
— Sim. — Ele sussuros a meu ouvido desacelerando o cavalo. — Está tudo bem?
— Como vou dizer isso. — Fiz uma pausa. — Tem alguma coisa me machucando entre suas pernas. — Contrai o corpo.
— Como é? — Senti seu peito se afasta. — Me desculpe Freya, é minha adaga. — Respirei aliviada, mas completamente constrangida por aquela situação. Ele soltou uma das mãos da rédia, senti quando ele a retirou da cintura. — Espera... — Prendi o ar. Sabia o que vinha em seguida e iria me deixar ainda mais constrangida. — Você pensou que fosse meu ... — Ele gargalha agarrando a rédia novamente. — Que menina travessa e maldosa. — Suspiro fechando os olhos.
— Eu não pensei nada, seu pervertido. Só precisava que tirasse isso daí. — Ainda rindo se aproximou do meu ouvido.
— Não é que eu não seja dotado de uma bela arma, mas acredito que minha adaga ainda seja maior. — Engoli seco.
Que rude e obsceno, ele não tem modos algum com uma donzela. Como pode dizer isso para uma dama, assim, desta forma, sem nenhum respaldo? Respirei fundo pensando em vários adjetivos ofensivos para atacá-lo, mas mantive minha postura.
— Tenha modos Ulrik, não precisa ser um boçal. Se não tenha reparado, sou uma donzela. E não uma de suas fêmeas feéricas. — Ouço seu riso debochado.
— Apenas queria deixar claro certas questões. Não quis ofendé-la. — Estalei a língua.
— Ainda falta muito? — Perguntei como um sussurro. Queria que aquela situação terminasse o quanto antes.
— Apenas duas horas, vamos atravessar a floresta petrificada. O castelo fica meia hora depois dela.— Pelos deuses, mais duas horas com ele neste cavalo, isso é um tormento.
— Queria meu próprio cavalo. — Resmunguei, ele sorri enquanto bate os calcanhares.
A floresta estava bem a nossa frente, árvores marmorizadas como pedras, suas raízes grossas e aparentes no chão chamavam a atenção. Nunca havia visto algo parecido com aquilo, mesmo o cavalo cavalgando com velocidade, era possível perceber os detalhes daquela floresta tão peculiar. Um trovão ressoou no céu nublado, meu peito gelou na mesma hora. Se aquela chuva caísse logo agora, iria nos atrasar e seria mais horas sozinha com Ulrik.
Isso de certa forma me incomodava, não que ele não seja um homem atraente, ele era atraente até demais e este era o problema. Não tinha experiência com o sexo oposto, o que dificultava bastante meu alto controle.
Me sentía sendo atraída para uma armadilha que era perigosa demais para me livrar dela encima da hora.
Mais um trovão ressoou e logo após um raio cortou o céu, o vento soprava fortemente contra nossa direção. Ele avisava que a tempestade estava a caminho.
— Se segura, vamos ter que fazer um desvio.
— Desvio? Espera ... — Me agarrei em seus braços, mas não foi o suficiente, me vi sendo lançada para a lateral do cavalo. Ulrik agarrou minha cintura com tanta vontade que apenas consegui suspirar pelo contato.
— Não temos escolha Freya, vamos ter que ir para uma pousada próxima daqui. — Não consegui assimilar muito bem o que ele dissera, o cavalo desacelerou e Ulrik me segurou com suas fortes mãos me erguendo.
— O que está fazendo?
— Passe a perna para o lado direito. — Ordenou.
— Como? — Ele realmente estava sugerindo aquilo? Montaria invertida aquela altura?
— Preciso ir mais rápido, faça o que pedi. — Suspirei obedecendo sua ordem. — Agora a outra. — O olhei fechando o cenho. — Freya a outra perna, ou quer cair do cavalo? — Passei a perna esquerda para o outro lado ficando de frente a Ulrik.
— Desnecessário se tivesse meu próprio cavalo. — Murmurei.
Seu sorriso reprimindo me deixa ainda mais nervosa. Agora estou sobre ele e tenho que ficar agarrada a seu corpo. A chuva cai de uma vez, coloco meu capuz me escondendo, Ulrik faz o cavalo correr o mais veloz possível. Um uivo feroz ecoa em meio a floresta fazendo minhas pernas tremerem, aquele não é um uivo de lobo qualquer. Já havia caçado lobos e seu uivo era mais um um ruído básico e desagradável aos ouvidos humanos, mas aquilo era muito além. Estava mais para um gruñir feroz e selvagem, aterrorizante.
— Dava pra piorar? — Murmura Ulrik. — Segura mais forte Freya.
Apertei meus braços o agarrando ainda mais forte, meus olhos ficaram vagando no caminho atrás de nós, atentos a qualquer movimento. Foi então que aquele enorme lobo apareceu atrás de nós, meu sangue congelou em minhas veias.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
isso não se faz autora kkkk coitada d menina kkkk deu calor😂😂😂😂😂
2022-05-10
1
Cristiana Guerra
autora tadinha fica assim com gostosão é tortura😂😂
2022-02-05
3