A mesa estava apenas Astrid, Rasthy deveria estar com os marujos no convés tomando conta da navegação. Ulrik puxou a cadeira para que eu me sentasse, se quer agradeci, depois do que ele tinha feito, não merecia muita gentileza da minha parte.
— Sua fisionomia está até melhor. — Observa Astrid.
— Acabei pegando no sono, estava exausta. — Ulrik me serve rindo, Astrid o olha de cenho franzido.
— Aconteceu alguma coisa que eu não saiba Ulrik? — Ele a olha segurando o riso.
— Não querida irmã, só me lembrei de algo que Rasthy disse. — Ela o olha séria.
Como é mentiroso, não vale nem a comida que come.O que tem em beleza, falta em decência.
— Nem sei pra quê pergunto, já te conheço demais pra imaginar.— Ele não retruca.
— O navio está muito calmo. A tempestade parou? — Pergunto curiosa.
— Não, mas não se preocupe, está tudo sobre controle. Coma.
Olho para o prato a minha frente, parece carne de cervo,há alguns legumes e um pouco de grão de lentilha. Ergo o olhar entre Astrid e Ulrik que me observam.
— Tem algo de errado com seu prato? — Pego o talher enfiando em um legume.
— Não. — Respondi encarando meu prato.
— Acho que ela está pensando que colocamos algo na comida, Astrid. — Ela da um leve grunhido de boca fechada.
— Se alguém deste navio a quisesse morta já tinha feito. — Levo o legume a boca. — Não somos tudo o que dizem por aí princesa. — Ela geme. — Talvez algumas das coisas não sejam boatos, mas nem tudo é verdade.
Saboreio o alimento, posso sentir várias especiarias e ervas, principalmente coentro e mais uma vez cravo.
— Não quis ofender, peço desculpas. — Ela sorri. — A propósito está muito bom.
— Não ofendeu, mas vejo que você é leiga sobre o que acontece nos reinos. Principalmente no seu. — Respiro fundo deixando o talher de lado.
— Astrid, vamos começar a falar disso agora? Vamos comer em paz. — Ela o olha limpando os dentes.
— Ela tem o direito de saber. Muito me impressiona você não se agradar deste assunto no jantar. Você e Caspian só sabem falar sobre política e assuntos impropios a mesa.
— Mas agora estamos com a princesa como companhia. — Ele me olha com um leve sorriso. — Vamos dar a ela um momento de paz. — Ela me olha sorrindo.
— Tem razão. Me fale um pouco sobre você, Freya. Pelo visto gosta de caçar, reparei em suas flechas. São muito boas aliás.
— Não sou muito boa em falar sobre mim. — Ulrik sorri de escárnio.
— Mas tem uma língua afiada. — Ele ri.Minha vontade é jogar esse prato em seu rosto descarado.
— Foi você quem me tirou do sério, não deveria ter entrado em meus aposentos sem se anunciar. — Rebato.
— Eu bati várias vezes a propósito, chamei também. Mas a bela princesa estava apagada na jacuzzi.— O fito com os olhos.
— Pelos deuses, você entrou com ela no banho Ulrik? — Astrid o encara de olhos vidrados.
— Não tive escolha, ela não respondia. Pensei que estivesse desacordada ou coisa pior, como pulado no mar pela janela. — Astrid esfrega o rosto.
— Você tem noção do que o Caspian faria a você se soubesse? — Ulrik me olha sorrindo.
— Ela não irá dizer nada a ele, não é Freya? — Ele arqueia a sobrancelha.
— Ainda estou decidindo. — Ergo as sobrancelhas sorrindo com deboche, ele desfaz o sorriso.
— Me perdoe a petulância de Ulrik, ele é impulsivo na maioria do tempo. — Ela o chuta por debaixo da mesa.
— Contanto que isso não se repita, eu mantenho isso sobre segredo. — O olho séria esperando sua resposta. Ele comprime os olhos rangendo o maxilar.
— Tenho certeza de que ele entendeu o recado, não é? — Ele continua me olhando sem responder. — Não é Ulrik? — Insiste Astrid.Ele respira fundo voltando a seu prato.
— Sim, me perdoe princesa. — Seguro o riso.
Me sinto em êxtase em deixá-lo sem saída, mas isso não me convenceu nem um pouco.
— Perfeito, então temos um acordo.— Ele aperta o talher sobre a carne. Parece que estou irritando o rapaz. — E vocês dois, são da guarda real? — Volto a comer.
— Ulrik é comisario e general das Tropas Negras. — Ele a olha sério respirando fundo e volta sua atenção para o prato. — Acho que ele não sabe fazer outra coisa na vida a não ser se dedicar a Caspian.
— Devo minha vida a ele e você sabe bem disso. — Murmura Ulrik.
— Quando não está em batalha ou protegendo Caspian está na cama de alguma feérica. — Ele solta o talher a olhando irritado.
— Por que está contando minha intimidade a uma desconhecida? — Ela sorri.
— Não é novidade para ninguém, muito menos um segredo guardado a sete chaves.— Ela o provoca.
— Mas e você, parece ter um cargo importante. — Tento atrair sua atenção para não discutirem e me pouparem um constrangimento.
— Bom... — Ulrik a interrompe.
— Descrevendo seu cargo diria mercenária. — Ele devolve a provocação. Ela o fita fincando o talher na mesa.
— Não sou nenhuma mercenária, quando pedi alguma recompensa para servir Caspian? — Ele ri de escárnio.
— Sempre pelo que me lembre. Astrid não tem um cargo definido Freya, como pode ver ela é a comandante deste navio, assim como a assassina de monstros e concelheira de Caspian nas horas vagas. — Ele respira fundo se levantando da mesa.
— Vou subir e ver como estão as coisas no convés. Se continuar aqui com você irei te matar. — Ele sorri debochando de Astrid.
— Rasthy deve estar precisando de você mesmo. — Ela bufa saindo.
— Por que você a provoca desta forma? Parece que tem prazer em fazer isso com as pessoas.
Ele me olha de uma forma sensual fazendo meu sangue gelar, me fazendo arrepender de ter feito a pergunta.
— Me divirto em torturar donzelas, ver a reação que causo é satisfatório. — Sua voz sai baixa como um sussurro sensual.
— Isso é notório. — Respiro fundo me levantando. — Se me der licença, vou para meus aposentos.
— Fique mais um pouco e me faça companhia, prometo não morder princesa. — Olho para minha taça ainda cheia voltando para seu rosto.
— Não sei se é uma boa ideia. — Ele umideçe os lábios.
— Sou tão desprezível assim? — Ele tomba a cabeça mordendo os lábios.
— Apenas não quero criar problemas com você. — Ele gargalha cruzando os braços.
— Tenho certeza que não seremos inimigos, pelo contrário, tem um aliado. Fique, prometo ser agradável e me comportar. — Olho para a cadeira mais uma vez para a taça cheia, por fim para seu rosto. — Vejo que deseja terminar sua bebida.
— De fato. — Me sento pegando a taça.
— Me diz, gosta de caçar? — Coloco a taça sobre a mesa.
— É apenas uma distração, mas me faz lembrar dos momentos que passei com meu pai.
— Rasthy disse que quando chegou para te buscar, tinha voltado de uma caça. Qual animal abateu, um veado ou javali?
Por que ele acha que seria capaz apenas de abater um animal pequeno?
— Uma pantera. — Digo orgulhosa de meu feito.Ele engasga.
— Pantera? — Ele ri. — De que tamanho?
— Era adulto, era maior que o comum, deveria ter quase dois metros e uns cento e vinte quilos. — Ele apoia os cotovelos sobre a mesa apoiando o rosto sobre as mãos me olhando.
— E você a carregou sozinha? — Respiro fundo. Tive muita dificuldade e quase caí por vezes, mas ele não precisa saber dos detalhes.
— Claro, que satisfação eu teria em abater um animal e não o levar pra casa nos lombos? — Ele sorri.
— Você é muito intrigante princesa.
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Atualizado até capítulo 146
Comments
Joelma Oliveira
isso mesmo! não se desmereça na frente dele
2022-05-10
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