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— CHEGA! Cansei de tanto trabalho — disse Rafael consigo mesmo, no ápice de seu estresse. — Pensei em ficar à noite trabalhando também, mas quer saber de uma coisa? Vou embora. Amanhã tratarei de contratar uma secretária que possa dar conta de tudo isso.

Rafael retornou mais cedo que o previsto do trabalho. Só que algumas quadras antes de chegar a sua mansão, o pneu de seu carro furou. Ele teve de continuar a pé.

— Espero que isso não seja um mau sinal — murmurou, enquanto andava sobre as calçadas daquele lindo e calmo bairro, onde até os pássaros que por ali voavam eram de espécies raras.

A riqueza estava em tudo, na arquitetura das lindas mansões, nos muros altos e portões brilhantes, na rua asfaltada e plana. Não havia esgoto a céu aberto, tampouco sujeira que fosse visível a olho nu. O vento soprava brisas agradáveis, anunciando a chegada da noite.

Rafael não tocou a campainha como de costume, porque estava com sua chave reserva. Adentrou a moradia e, aproveitando que não tinha anunciado sua chegada, quis fazer uma surpresa à esposa. No entanto, logo estranhou o fato de não encontrá-la nos locais em que ela deveria estar naquele momento, fosse na enorme sala de estar, ou no jardim, tomando um ar fresco ou nadando na grande piscina.

Sônia havia saído para resolver problemas pessoais, e os demais funcionários estavam limpando a piscina e preparando o jantar. Eles disseram exatamente o que disse a patroa.

Rafael imaginou que ela poderia estar dormindo, por isso pediu para não ser incomodada. Ele subiu as escadas e se aproximou do quarto, do qual ouviu soar gemidos abafados.

Na pior das hipóteses, sua esposa estava tendo um mau súbito, gemendo como se a vida estivesse sendo lhe retirada.

Rafael sentiu seu coração acelerar de preocupação. Ele largou a pasta de trabalho no chão. O barulho fez soar do quarto uma repentina voz de tom grave.

Foi nesse instante que Rafael hesitou em correr, abrir a porta e constatar o que estava ocorrendo com a sua amada esposa.

Um nó se formou em sua garganta. Suas mãos suaram como as de um doente. Seu corpo tremeu dos pés à cabeça, ao passo que seu coração parecia estar a um instante de explodir, de tão acelerado que se encontrava.

Rafael avançou com passos silenciosos e logo abriu lentamente a porta, ouvindo mais audivelmente os sons advindos daquele que também era o seu quarto.

...***...

— Hummm! – gemeu Raquel um instante antes dela e o amante ouvirem o barulho que soou de fora do quarto.

Eles cessaram o ato carnal, atraídos pelo repentino barulho. Talvez fosse um dos funcionários descumprindo a ordem dada.

— Ouviu isso? — indagou Ricardo, preocupado.

— Psiu! — fez Raquel, pondo seu dedo indicador sobre os lábios de Ricardo em vez dos seus. “Não pode ser o Rafael”, pensou ela consigo mesma. “Ele disse que voltaria tarde, mas… E se for ele?"

Contudo, ela negou a possibilidade do som ter sido provocado por seu marido ou por um dos funcionários da casa porque nenhum outro som se ouviu em seguida.

Eles permaneceram em silêncio por mais alguns instantes, com o suor escorrendo entre seus corpos. Respiravam de forma ofegante, com o som da respiração o mais inaudível possível. Tentavam prender a respiração, mas isso era impossível e só os deixou ainda mais excitados.

— Acho que foi só o vento — sussurrou Raquel, finalmente rompendo a quietude.

— Tem certeza?

— Tenho — afirmou, convicta de que seu marido nunca mentiria para si, pois sempre pensava nele como um homem incapaz de enganá-la.

Ricardo retomou a penetração enquanto apertava vez ou outra o pescoço e massageava os seios dela. E Raquel gemia sob a agressividade de seu amante viril.

...***...

Rafael não acreditava no que via e ouvia pela pequena abertura. Não queria acreditar. Mas, infelizmente, era verdade. Sua esposa, a mulher que ele amava mais que a si mesmo, estava na cama com outro homem. E não era qualquer homem, era o seu melhor amigo, aquele em quem depositava maior confiança.

Rafael se afastou da porta antes que fosse percebido pelos amantes pecadores. Seu corpo estava trêmulo, o coração acelerado, a mente tentando processar o que acabara de ver.

Ele não sabia o que fazer, como reagir. Queria gritar, bater em Ricardo, arrancar Raquel da cama e levá-la para longe dali, mas tudo o que conseguiu fazer foi ficar parado, atordoado.

Ele olhou de novo para dentro do quarto pela fresta da porta, como se esperasse que o que vira não fosse real. Mas era, infelizmente.

Raquel e Ricardo estavam nus, abraçados, como se não houvesse mais nada no mundo além deles. Rafael não sabia quanto tempo passou ali, parado, olhando para aquela dolorosa cena. Sua cabeça estava um turbilhão de pensamentos e emoções confusas.

Contudo, tinha que fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Sentiu-se traído, enganado, humilhado e também zangado consigo mesmo por não ter percebido isso antes.

Enfim, ele se afastou da porta, sem fazer barulho. Pegou sua pasta de trabalho do chão e caminhou até a porta de entrada. Estava mais do que na hora de deixar aquela cena para trás antes que perdesse de vez o controle de si.

Rafael saiu da mansão, sabendo apenas que precisava se afastar dali, ficar longe de Raquel e Ricardo, pelo menos por enquanto. Ele não sentiu que estava fugindo da situação, mas sim, que estava evitando o pior se agisse sob a emoção em que se encontrava.

Rafael retornou ao apreciado carro de luxo prateado, consciente de que ainda precisava ligar para a oficina de carros para que trocassem o pneu furado. Mas antes de efetuar qualquer ligação telefônica, ele se sentou ao volante, pensando em sua vida com Raquel, em como eles eram felizes juntos. Por fim, questionou-se o porquê foi tão cego.

Rafael bateu suas mãos sobre o volante, como se o objeto tivesse uma parcela de culpa na dor que sentia. Além do pneu, ele agora tinha de consertar a direção também.

Após suspirar profundamente, Rafael sentiu que precisava tomar uma decisão imediata. A traição não podia continuar de forma alguma. Precisava confrontar Raquel, confrontar Ricardo. Mas como? Ainda não sabia, pois sua mente estava atordoada demais para pensar com razão naquele momento.

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Comments

Edleuza Conceição

Edleuza Conceição

pq n filmou essa era a melhor prova da traição

2024-07-09

0

Luciene Costa

Luciene Costa

mas gente era só abrir a porta e sar uma porrada e arrastar a infeliz pelas cabelos...

2024-02-02

1

Rosilene Dias

Rosilene Dias

Eu teria filmado e a cena e entrado, desmascarado os dois

2023-11-08

0

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