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Maria Antônia voltou ao hospital onde sua mãe estava internada. Ela encontrou sua mãe dormindo enquanto respirava por uma máscara de oxigênio e recebia fluidos intravenosos. A mãe de Francisca estava ao seu lado, e Francisca havia saído do quarto para tomar café na lanchonete.

— Vá procurá-la — sugeriu a mãe de Francisca. — Eu vou ficar aqui com a sua mãe até você voltar, querida.

Maria Antônia olhou para a mãe e sentiu um aperto no peito. Pensar no que havia acontecido na empresa do centro fez seu coração doer ainda mais. Ela segurou a mão de sua querida mãe idosa e sussurrou desculpas.

— Eu não consegui honrar o dinheiro que gastamos no salão de beleza, minha mãe.

Ela então beijou a testa de sua mãe, e uma de suas lágrimas caiu no rosto inconsciente dela. Maria Antônia agradeceu a mãe de Francisca pelo apoio e cuidado incondicional.

— Eu irei à lanchonete para encontrar sua filha.

— Faça isso, querida, e certifique-se de tomar um café da manhã farto para ter mais energia para cuidar de sua mãe.

— Sim, senhora.

Maria Antônia saiu da sala com a pasta na mão. Seu lindo vestido chamou a atenção de todos, principalmente dos enfermeiros e pacientes. Houve muitos olhares de admiração.

Ao chegar na lanchonete, viu sua melhor amiga sentada a uma mesa, sozinha, tomando um cafezinho e comendo um pão de queijo.

— Sente-se, Antônia, e me conte tudo — pediu Francisca ansiosa, mordendo o pão para não morder o lábio de curiosidade. — Como foi? Aposto que você conseguiu uma dessas vagas.

Maria Antônia se sentou devagar na cadeira, pôs a pasta sobre a mesa e baixou o olhar por um momento. Sua amiga evitou que o silêncio ficasse constrangedor.

— Não tinha porque não ser contratada. — Francisca sorriu, pondo a mão sobre a de Maria Antônia. — Parabéns, Antônia!

Maria Antônia permaneceu calada. Seus lábios pareciam cerrados, e isso confundiu Francisca. Por que sua amiga não estava feliz e chorando de alegria?

— O que está havendo? — perguntou Francisca.

Maria Antônia afastou a mão, cobriu o rosto e chorou baixinho para que as mesas ao redor não percebessem seu sofrimento.

Francisca sentiu seu coração apertar ao ver a amiga chorando daquela forma. Sua expressão foi de um olhar comovido. Ela se levantou da cadeira e foi até o outro lado da mesa, onde abraçou Maria Antônia com força.

— Me conta o que aconteceu, minha amiga. Estou aqui para te ouvir e te ajudar no que precisar — disse Francisca, tentando confortá-la.

Maria Antônia se soltou do abraço e limpou as lágrimas com as costas da mão.

— Eu não consegui nenhuma vaga.

Francisca ficou surpresa com a resposta da amiga. Ela tinha certeza de que Maria Antônia havia se saído bem na entrevista. Francisca pegou a mão da amiga e olhou em seus olhos.

— O que aconteceu? Por que você não conseguiu a vaga?

Maria Antônia encheu bem de ar os pulmões antes de falar.

— Eu não tinha todos os critérios necessários para ser admitida naquela empresa, embora eles tenham telefonado para eu participar. Talvez tenha sido apenas uma garantia para o caso de não terem conseguido candidatos melhores.

— Mas para mim, você é a melhor.

— Não é o que o entrevistador pensou. Ele até havia amassado o meu currículo e jogado na lixeira de sua sala.

— Meu Deus! E o que você fez?

— O que eu poderia ter feito nessa situação, Francisca? Senti-me humilhada e, sem pensar duas vezes, fugi daquele lugar. — Maria Antônia bufou sua raiva ao lembrar do rosto de Rafael. — Naquela empresa eu não pisarei nunca mais.

Francisca soltou a mão da amiga e se sentou de volta em sua cadeira, percebendo que Maria Antônia estava enfurecida por dentro, pois, conhecendo-a bem, não era do feitio dela fugir dos problemas.

— E agora? O que você vai fazer?

Maria Antônia balançou a cabeça, expulsando os maus pensamentos, e suspirou em busca de um alívio em seu peito dolorido.

— Eu não sei. Não tenho muitas opções agora a não ser voltar ao meu trabalho de artista de rua. Não é muito o que ganho fazendo malabarismo na rodovia e pedindo trocados aos motoristas, mas é o que posso fazer no momento.

Francisca segurou outra vez a mão da amiga por cima da mesa.

— Não desanime, Antônia. Vamos pensar juntas em uma solução para que consiga pagar o tratamento de sua mãe. Você é uma pessoa inteligente e talentosa. Tenho certeza de que vamos encontrar uma maneira de sair dessa situação.

Maria Antônia sorriu fracamente, agradecida pela amizade de Francisca, sabendo que podia contar com sua melhor amiga nos momentos difíceis.

— Obrigada, Francisca. Mais uma vez eu não sei o que faria sem você ao meu lado.

— Não fale assim que fico envergonhada — brincou Francisca.

As duas riram de tal forma que atraíram a atenção das mesas ao redor. Ninguém podia imaginar o porquê da alegria daquelas duas, embora a situação não fosse para tal, sorrir era a primeira dose para cura do problema.

— O que vai querer comer? — indagou Francisca.

— Não estou com fome.

— Ah, mas tem que comer, Antônia. Você foi àquela empresa sem mordiscar nem um pãozinho. Talvez tivesse se alimentado antes, poderia ter dado o troco no entrevistador.

— O que quer dizer, Francisca? Acha mesmo que eu seria capaz disso?

— Você pode até parecer uma rosa, principalmente agora com esse lindo vestido, com seus cabelos soltos e avermelhados e olhos esmeraldas brilhantes. Mas sabe muito bem que toda rosa tem seus espinhos, e você não é diferente.

— Confesso que senti muita raiva pelo que ele fez com o meu currículo. Nunca na minha vida me senti tão humilhada, Francisca. Melhor teria sido se eu nunca tivesse ido àquela empresa.

— Mas se não fosse por isso, não estaria tão elegante agora.

— É verdade, mas ao menos não teria gastado o dinheiro que ganhei em…

Maria Antônia, de repente, ficou em silêncio, desviando o olhar como se estivesse se lembrando de algo importante. Francisca colocou a mão no queixo, tentando decifrar as palavras não ditas por sua melhor amiga.

— Sim — disse Maria Antônia, de súbito.

— Sim, o quê? — perguntou Francisca, confusa.

— O entrevistador — respondeu Maria Antônia. — É o mesmo homem que me deu os cinquenta reais naquela manhã na rodovia, quando eu me apresentava com as minhas bolas de malabarismo.

— Não? — duvidou Francisca.

— Sim, Francisca. É ele, o homem bondoso.

— Mas como pode um homem bondoso ter te humilhado? — questionou Francisca.

— Não sei — pensou Maria Antônia, intrigada —, mas lembro que o nome dele é Rafael.

— Interessante... Talvez ele tenha agido de forma diferente na entrevista por algum motivo que anulou a sua bondade — conjecturou Francisca. — De qualquer forma, isso não justifica a forma como ele tratou seu currículo e sua vontade de trabalhar naquela empresa.

— Tem razão — concordou Maria Antônia.

— Mas talvez valha a pena tentar falar com ele e tentar entender o que aconteceu — continuou Francisca. — Você pode ter a oportunidade de esclarecer as coisas e talvez até mesmo receber uma desculpa ou uma explicação. O que você acha?

— Acho melhor não — respondeu Maria Antônia, passando a mão no cabelo.

— Deixa de ser medrosa — insistiu Francisca. — Você sabe muito bem que precisa de dinheiro para pagar o tratamento de sua mãe.

— Mas ele me humilhou, Francisca — argumentou Maria Antônia.

— Esqueça isso por enquanto — pediu Francisca. — Há coisas mais importantes agora do que remoer uma situação constrangedora. Pense bem, Antônia. Sua mãe precisa que você consiga um emprego logo — insistiu a amiga. — Baixar a cabeça neste momento não é uma opção, mas uma grande necessidade. E também não deixe que a sua humildade seja anulada pelo orgulho do próprio ego.

— Tudo bem, Francisca. Vou tentar falar com ele — disse Maria Antônia, finalmente. — Mas não sei se terei coragem de encará-lo depois do que aconteceu.

— Vai dar tudo certo, amiga. Tenho certeza que você conseguirá se comunicar bem com ele e esclarecer as coisas. E se precisar de ajuda, pode contar comigo.

Maria Antônia sorriu, agradecida pela amizade e apoio de Francisca. Ela sabia que não estava sozinha nessa jornada e que, com a ajuda de sua amiga, poderia superar qualquer obstáculo que surgisse em seu caminho, como voltar àquela empresa do centro e encarar o CEO Rafael.

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Comments

Sol Sousa

Sol Sousa

Oh CEO bobo vá no hospital e paga o tratamento da mãe dela, faz alguma coisa bundão, se remedia com ela

2024-10-29

0

Mônica Rejane Moraes Da Silva

Mônica Rejane Moraes Da Silva

nossa essa moça está precisando muito de ajuda 😔

2023-08-05

1

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