13

Rafael deixou sua mansão em seu carro prateado a toda velocidade. Mas logo teve que diminuir a velocidade, pois o trânsito estava, como sempre, uma fila de tartarugas. Ele seguiu pela mesma rodovia em direção ao seu local de trabalho.

Ao parar no sinal vermelho onde as pessoas pediam dinheiro aos motoristas, Rafael cerrou o punho e bufou de raiva. As palavras de Raquel ecoavam em sua mente como se ela quisesse deixá-lo louco.

E então, Rafael relembrou em poucos segundos o dia em que flagrou a esposa traindo. Ele estava trabalhando com uma pilha de papéis em sua mesa quando Raquel ligou, dizendo:

— Oi, amor! O que está fazendo agora?

— Raquel, sabe que estou no trabalho.

— Sim, eu sei, mas você sabe que dia é hoje?

— Hum? O que quer dizer?

— Rafael…

— Hoje é um dia como qualquer outro — disse ele, com o telefone pressionado entre sua orelha e seu ombro. — Estou cheio de trabalho aqui, sentado à minha mesa, tentando organizar uma papelada da empresa. Acredita que a minha secretária faltou de novo sem nenhuma justificativa?

— Ela é assim mesmo — disse a esposa, levianamente. — Deve ter tido algum problema pessoal.

— Problema nenhum justifica uma série de faltas sem justificativa — retrucou, irritado, pois o trabalho que lhe restou era demasiado demais para seu cargo de Diretor Executivo. — Estou pensando seriamente em demiti-la…

— Não faça isso, por favor!

— Não fazer por quê, Raquel? Só porque ela é sua melhor amiga?

— Você prometeu que daria uma oportunidade a ela…

— E eu dei, mas veja só: ela não está dando o mínimo valor… Esta empresa não tem a obrigação de manter empregado um funcionário que praticamente não faz nada. Para mim, isso já deu o que tinha de dar. Hoje mesmo irei assinar a rescisão dela.

— Se fizer isso, amanhã mesmo irá assinar o nosso divórcio também…

— Que chantagem é essa agora? — indagou, surpreso, deixando os papéis de lado por um momento. — A minha própria esposa está defendendo sua amiga incompetente com a consequência de divórcio?

— Não estou defendendo ninguém.

— Como não, Raquel? Acabou de dizer que se eu tirá-la do cargo de secretária, nós teremos que nos separar… Foi isso que a minha boa audição ouviu.

— Interprete como quiser.

— Já me decidi — ressaltou ele —, vou demiti-la.

— Faça o que desejar. A empresa é sua mesmo — ressaltou com tom carregado de certo sarcasmo. — Agora preciso desligar. Você mesmo disse que tem muito trabalho para resolver ainda. Não quero te atrapalhar.

— Raquel, você não me atrapalha — disse ele em tom sereno —, mas…

— Sem mais, Rafael — interrompeu-o —, vou desligar.

Antes que ele pudesse dizer algo mais, ela encerrou a ligação telefônica. Isso o deixou de certa forma chateado, mas não tanto quanto o trabalho que tinha sobre sua mesa.

Havia muitos papéis para organizar, registrar, assinar, enfim, levaria mais do que aquele meio de tarde, talvez fosse preciso adentrar a noite e, se o café não acabasse, ficaria também pela madrugada em sua sala para concluir todo o trabalho que não desejava deixá-lo para outra hora.

...***...

Enquanto isso, na mansão de Rafael, sua esposa colocou seu aparelho celular sobre a pequena mesa diante do enorme sofá, onde se encontrava sua melhor amiga, também, trajando um vestido curto colado ao corpo e, confortavelmente, sentada no objeto riquíssimo, produzido com a melhor qualidade do mercado imobiliário.

— E então, o que ele disse, Raquel?

— Disse que vai te demitir, Suzana…

— O quê!? Ele não pode fazer isso comigo.

— Sim, foi o que eu disse.

— Nós somos melhores amigas, Raquel, não esqueça disso, por favor!

— Eu sei, amiga, não se preocupe. Ele não vai te demitir. O Rafael não teria coragem de me contrariar. Ele morre de medo de me perder. — Raquel esboçou um sorriso que contagia sua melhor amiga também, e ambas riram da situação. — É um bobão…

— Amiga! Não diga isso do seu próprio marido.

— Mas é a verdade, Suzana. O Rafael não tem atitude, não tem pulso firme, é sem iniciativa até mesmo na cama…

— Mas tem muito dinheiro — retrucou Susana, interrompendo os tantos problemas que Raquel ainda tinha para citar do marido. — Olha esta casa! Não é qualquer mulher que pode desfrutar desse luxo. Confesso que às vezes sinto uma pontinha de inveja de ti também.

— Isso é muito normal. Não tem quem não sinta inveja de mim.

— Você tem sorte de ter fisgado ele com esse seu corpão…

— Corpão que ele mal sabe explorar até hoje.

— Mas você queria o quê? Ele tem muito conhecimento em diversas áreas: finanças, empreendedorismo, computação, inglês… mas pouquíssimo no amor.

— Ah! Isso é verdade.

— Eu queria também ter essa sorte toda na vida.

— Fica triste não, amiga — consolou Raquel, elogiando-a. — Você é linda, tem um excelente corpo, aposto que logo conseguirá um peixão também.

— Você acha?

— Não duvido.

Suzana esboçou um sorriso de satisfação, alisando seus longos cabelos morenos, e ouviu, assim como Raquel, a campainha da mansão tocar.

“Quem será?”, indagou-se Raquel, antes de abrir a porta e notar um homem de braços fortes, músculos de um palmo de tamanho, barba rala, cabelos penteados, olhar sedutor e sorriso galanteador.

— Boa tarde, minha princesa…

— Psiu! — fez Raquel, temendo que a amiga pudesse ouvi-lo, pois a porta de entrada estava situada no mesmo cômodo do enorme sofá, porém, havia uma parede com furos dividindo tal cômodo quase ao meio.

— Entendi. Não está só.

— Sim. Por sorte, Sônia não está, e eu decidi vir atender a porta — sussurrou ela também. — Espera um momento aí fora, escondido em algum lugar, enquanto mando ela embora.

— Certo.

Raquel fechou a porta e retornou ao campo de visão da melhor amiga, que recebeu o desagradável pedido.

— Já está me mandando ir embora? Nós ainda nem bebemos o champanhe, nem conversamos sobre isso e aquilo.

— Faremos isso outro dia, Suzana. Prometo. — Raquel se sentou no sofá, murmurando um repentino cansaço. — Agora não estou me sentindo muito disposta para fazermos isso. Espero que me entenda?

— Não se sentir disposta às vezes é até compreensível, mas assim de repente.

— Isso é impossível evitar, Suzana.

— Tudo bem — acreditou, pois, nas palavras de Raquel. — Vou embora, mas antes, quem foi que você atendeu agora há pouco?

— Quem eu atendi? — Suzana engoliu em seco antes de dar sua esperada resposta. — Ninguém mais que o carteiro.

Suzana saiu daquela luxuosa mansão com sua pequena bolsa no ombro e, do lado de fora, não avistou carteiro algum.

O Sol estava quase se pondo e a calmaria reinava naquela rua de um pequeno bairro nobre da cidade. Ali as casas eram grandes e bonitas e os jardins maravilhosos. O vento começava a soprar as primeiras brisas que antecediam a chegada da noite.

Assim que a amiga se foi, Raquel se levantou do sofá e comunicou aos empregados da casa que não a incomodassem em seu quarto. Em seguida, ela correu até a entrada e sussurrou diante da porta aberta:

— Pronto, Ricardo, já pode vir.

Mas tudo que se ouviu em seguida foi o sopro do silêncio. Raquel estranhou a situação e deu um passo adiante.

Ela olhou em volta, e ao virar a cabeça, se assustou com o súbito aparecimento do homem musculoso que a agarrou de forma invasiva e tentou beijá-la.

— Aqui fora não! — reclamou ela.

Foi então que, usando sua força descomunal, ele a pegou nos braços e a carregou para o interior da mansão de seu melhor amigo.

Logo chegaram a um quarto amplo, charmoso e requintado, onde Raquel foi deitada na enorme cama de colchão terapêutico.

— Onde está o Rafael?

— Trabalhando, Ricardo — respondeu ela, retirando seus calçados e os jogando no chão. — Trabalhando… Trabalhando como sempre. — bufou, então, insatisfeita. — Faz tempo que ele não me satisfaz.

Ricardo retirou sua camisa, que quase rasgou por ser tão apertada, e a jogou de lado no chão. Em seguida, avançou como um leão sobre a mulher carente e ardente de desejos e fantasias.

— Foi por isso que me chamou?

— Não — respondeu sem firmeza. — Talvez… Sim, admito, Ricardo, mas também porque você sabe como me tratar bem.

— O meu amigo não te trata bem?

— Se tratar bem for me ofertar joias, boa comida, uma ótima casa para morar, roupas caríssimas, empregados, sim, ele faz tudo isso.

— Então, por que reclama da vida que tem aqui?

— Ricardo, essas coisas não são tudo. Reconheço que são importantes, mas o calor de um homem é o complemento indispensável de tudo isso.

Sem mais delongas e com ares de paixão incandescente, o amante subiu na cama e, de joelhos sobre o macio colchão, curvou-se em direção à mulher casada. O clima ameno se transformou em um inferno de excitação e desejos insaciáveis. Seus olhares se encontraram, e a intensidade do momento fez com que ela se derretesse como um cubo de gelo sob a luz resplandecente do sol.

— Me ame, Ricardo! Me ame! — implorou ela, tomada por uma loucura incontrolável, envolvendo-o em seus braços e enlaçando suas pernas ao redor das costas dele. — Eu necessito de você... Preciso daquilo que apenas você pode me proporcionar.

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Comments

Sol Sousa

Sol Sousa

Aff...parei com leitua

2024-10-29

0

Luciene Costa

Luciene Costa

Cara é molenga e ela uma safada ..porque não conversa com o marido sobre o que sente falta..mas tudo se envolve ao caráter da pessoa

2024-02-02

0

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

Rafael vc é muito mole,cede as coisas que a sua esposa traidora fala....pelo amor de Deus seja um homem de pulso firme,estou criando raiva de vc Rafael 🤬🤬🤬🤬

2024-01-29

0

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