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Rafael passou os dias seguintes perdido em pensamentos, considerando o conselho que seu advogado lhe dera. Embora a ideia de ter um filho com outra mulher fosse absurda, ele não conseguia pensar em outra opção para garantir que Raquel recebesse menos do que o acordado no divórcio.

Mas onde encontraria uma mulher que aceitasse um acordo transacional para ter um filho com ele? Rafael decidiu confiar em seu amigo Eduardo, que havia passado por situação semelhante anos atrás. Os dois se reuniram à noite no bar que costumavam frequentar bastante antes de conhecerem Raquel.

— Eduardo, preciso do seu conselho — disse Rafael, servindo-se de um copo de uísque. — Meu advogado sugeriu que eu tenha um filho com outra mulher para reduzir os direitos de Raquel no acordo de divórcio. O que você acha?

Eduardo tomou um gole de sua bebida e franziu a testa.

— É uma jogada arriscada, meu amigo. Você está falando em trazer uma criança a este mundo pelas razões erradas. E se Raquel descobrir? Na melhor das hipóteses, ela vai usar isso contra você.

— Eu sei que não é o ideal — disse Rafael, passando a mão no cabelo. — Mas não posso simplesmente deixar que ela leve tudo. Ela me traiu, Eduardo e, portanto, não merece sair disso com uma fatia maior dos nossos bens.

— Entendo como se sente, Rafael. Mas pense nas consequências. Você pode acabar se arrependendo disso pelo resto de sua vida.

Rafael assentiu, considerando as palavras de Eduardo. Ele sabia que seu amigo estava certo, mas não conseguia se livrar da sensação de que esta era sua única chance de se vingar de Raquel.

...***...

Enquanto isso, Raquel estava ocupada fazendo seus próprios planos. Ela sempre foi uma mestre da manipulação e sabia exatamente como jogar com Rafael.

Ela iria convencê-lo de que ele não precisava continuar com o divórcio, que poderiam resolver as coisas entre os dois e reatar o relacionamento.

— Sim, vou convencê-lo a desistir desse divórcio e, quando ele menos esperar, tomarei tudo... tudinho, não deixarei um centavo sequer aqui, pois se pensa que pode simplesmente se livrar de mim, está muito enganado, Ra-fa-el.

Raquel riu consigo mesma deitada em sua cama de colchão terapêutico. As risadas abafadas se tornaram gargalhadas audíveis, até ouvir batidas na porta.

— Quem é?

— Sou eu, dona Raquel.

— Ah, é você, sua velha? O que quer me perturbando a esta hora da noite?

— Vim avisar que o senhor Rafael chegou, como a senhora me pediu.

Raquel abriu a porta do quarto, notando o espanto da empregada. Embora não fosse a única funcionária da casa, ela era a mais velha e seu corpo já não tinha o mesmo vigor de antes.

Após dispensá-la, Raquel esfregou as mãos, ansiosa para colocar seu recente plano em ação.

No entanto, mal sabia ela que Rafael já estava um passo à frente, determinado a não ser mais enganado e a sair desse divórcio com a cabeça erguida, mesmo que isso significasse fazer coisas das quais ele nunca pensou que fosse capaz.

Raquel desceu as escadas rumo ao sofá em que Rafael estava pensativo no que seu amigo Eduardo lhe disse. Por isso, quando percebeu a presença dela, sentiu seu peito arder em ódio.

Agora o sorriso dela era falso, carregado de hipocrisia e mentiras. Seu corpo não tinha mais a mesma beleza de antes, embora fosse atraente e bem cuidado desde a época em que trabalhava como modelo para grandes empresas de moda.

A tensão entre os dois era palpável. Cada vez que eles estavam na mesma sala, era como se o ar estivesse carregado de palavras não ditas e desejos não realizados.

Rafael não pôde deixar de pensar no dia em que pegou Raquel em flagrante, embora ela e o amante não o tenham visto. Ele nunca havia sentido tanta dor em sua vida, pois a amara de todo o coração, mas ela o traiu da pior maneira possível.

— Boa noite, amorzinho!

Ele cerrou os dentes e apertou com força uma das almofadas do largo sofá em que Raquel ocupou boa parte ao se deitar e estender suas pernas seminuas sobre o colo do marido em silêncio.

— Como foi o encontro com o seu amigo? Aposto que falaram muito sobre mim.

A tensão no ar era cada vez mais palpável. Ela percebeu que algo havia mudado em Rafael, pois não era mais o homem submisso que podia controlar com seus joguinhos. Agora, ele parecia determinado a não ser mais enganado e a lutar pelo que lhe era de direito.

Raquel tentou manter a pose, mas seu sorriso falso e seu corpo sem vida não enganavam ninguém. Ela sabia que não tinha mais o mesmo poder sobre o marido, mas não estava disposta a abrir mão de tudo o que tinha conquistado após se casar com ele.

Rafael, por sua vez, se esforçava para manter a calma, apesar da raiva e da mágoa que sentia. Ele sabia que precisava manter o foco e garantir que receberia o que merecia no acordo de divórcio, deixando o mínimo do mínimo para sua esposa infiel. E se isso significasse ter um filho com outra mulher, que assim fosse.

Enquanto Raquel se acomodava no sofá, Rafael afastou as pernas dela, levantou-se do sofá e se sentou em uma poltrona distante. Ele não queria estar perto dela, não queria ser contaminado pela sua falsidade e sua mentira.

— O encontro com Eduardo foi bom. Falamos sobre muitas coisas, mas não sobre você, Raquel.

Ela pareceu surpresa com a resposta de Rafael, como se esperasse que ele estivesse se lamentando e se humilhando por causa dela. Mas ele não ia mais fazer isso e, sim, ia lutar pelo que lhe era de direito e garantir que Raquel pagasse pelo que fez.

— E o que vocês falaram, então? — perguntou ela, tentando parecer interessada.

Rafael deu de ombros.

— Coisas de homem, Raquel. Você não entenderia.

Ela bufou, visivelmente irritada. Raquel sempre se sentiu superior aos outros, achando que podia manipular a todos ao seu redor. Mas agora ela estava diante de um homem que não ia mais se deixar enganar.

O silêncio se prolongou por alguns minutos, até que Raquel resolveu quebrá-lo.

— Rafael, eu sei que errei. Mas não precisamos acabar com tudo o que construímos juntos. Podemos tentar de novo, recomeçar do zero. Eu te amo, você sabe disso.

Rafael olhou para ela, sentindo a raiva crescer dentro de si. Como ela podia ser tão hipócrita? Como podia dizer que o amava depois de o ter traído de forma tão cruel?

— Não, Raquel. Não podemos recomeçar do zero. Eu não confio mais em você, não te amo mais. O que tínhamos se perdeu para sempre. Agora, o que nos resta é resolver as questões do divórcio e seguir nossas vidas separados.

Raquel tentou argumentar, mas Rafael não queria ouvir mais nada. Ele se levantou da poltrona e rumou às escadas.

— Para onde está indo?

— Para o quarto de hóspedes, como sempre. Vou tomar um banho, ler um pouco e depois dormir. — Ele sempre lia ao menos um capítulo de um livro literário antes de dormir. — Amanhã bem cedo tenho de ir ao trabalho. Vamos contratar novos funcionários e a entrevista de emprego vai iniciar bem cedo.

— Por que não dorme comigo? Ao menos hoje, querido?

— Não vai me enganar mais, Raquel. Se ainda te deixo morar nesta casa e ocupar sozinha o quarto que um dia foi nosso, não é por amor, mas por saber que em breve o nosso divórcio chegará ao fim e você finalmente irá embora da casa que herdei dos meus pais. — Rafael se aproximou das escadas. — Boa noite!

— Rafael, espera!

Ela se levantou do sofá e seguiu atrás dele, mas enquanto subia as escadas, sentiu um repentino frio percorrer sua espinha que a fez parar no meio dos degraus e se apoiar sobre o corrimão.

Rafael já estava longe demais para ver os olhos marejados e os finos lábios sem sorriso de sua esposa. Embora sentisse ter perdido naquele momento, ela não se deixou abalar por uma derrota, pois a guerra só estava começando para si.

— Rafael, nem pense em tentar algo contra mim ou vai se arrepender amargamente — murmurou consigo mesma, enxugando os olhos com a palma de sua mão e contraindo seus lábios em um bico de ódio.

Raquel sabia que não podia mais contar com a submissão dele e que teria que lutar com unhas e dentes pelo que considerava seu. A razão do pedido de divórcio de seu marido ainda não estava clara, embora desconfiasse que ele havia descoberto sua traição. Mas mesmo assim não admitiria perder tudo por causa de um deslize seu, uma fantasia de algumas noites.

— Não duvido que ele também já tenha me traído — murmurou ela, retornando ao seu quarto. — Que atire a primeira pedra quem nunca traiu ou pensou em trair o seu parceiro. Desejos vem e vão. Fantasias são inevitáveis e quando menos imaginamos a coisa já está acontecendo na realidade.

Paralelo a isso, Rafael se refugiou no quarto de hóspedes, tentando afastar de sua mente as lembranças dolorosas de sua vida conjugal com Raquel. Sentia-se ainda mais ferido e traído por não conseguir mandá-la embora antes do fim do divórcio e, portanto, ainda mais determinado em seguir com o plano sugerido por seu advogado, mesmo que seu amigo Eduardo tenha lhe alertado com mais ênfase nas consequências das quais poderia se arrepender.

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Comments

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

Raquel sua vadia interesseira,tomara que não saia com nada desse casamento...e Rafael deveria ter confrontado ela quando ela estava o traindo,é um outro panaca mesmo 😡😡😡😡

2024-01-28

2

Rosilene Dias

Rosilene Dias

pq ele ñ usa a traição dela p o divórcio ?
assim ela ñ tinha direito a nada

2023-11-08

1

Vilma Elias

Vilma Elias

Nossa, ela é uma cobra

2023-08-09

1

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