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Rafael levou Maria Antônia até a sala de entrevistas. Ele não pôde resistir à compaixão que sentiu pela situação dela. Uma jovem mulher desempregada com a mãe internada no hospital sem condições para pagar o tratamento recomendado pelo médico.

— Sente-se, por favor!

Maria Antônia se sentou um pouco sem jeito na cadeira puxada por Rafael.

— Obrigada, senhor.

— Chame-me de Rafael — disse ele, após se sentar na própria cadeira e retirar os currículos que guardara na gaveta de sua mesa. — Sou o dono e também diretor executivo ou CEO desta empresa como preferir.

Maria Antônia se ajustou ainda mais nervosa na cadeira. Estava em uma sala muito bonita, com ornamentos dignos de uma novela. Vasos de flores coloridas e quadros que pareciam custar muito caro.

— Embora as vagas já tenham sido preenchidas, nada impede que a senhorita possa ser entrevistada por mim. Se for aprovada, pedirei que a coloquem na lista de espera, para o caso de algum dos contratados desistir da vaga.

— Muito obrigada!

— Não me agradeça ainda. Espere ser aprovada — disse ele, folheando os currículos. — Estranho.

— Algum problema, senhor?

— Não encontro o seu currículo.

— Se precisar, tenho uma cópia comigo — disse ela, abrindo a pasta sobre suas pernas.

— Mas eu lembro de ter colocado na minha gaveta os quatro… — Rafael se calou, de repente, com a lembrança do que fizera.

— Aqui está a cópia dele, senhor Rafael.

— Eu disse que pode me chamar apenas de Rafael — disse ele, recusando a cópia. — Infelizmente, lembrei o que houve com o seu currículo.

Rafael se levantou da cadeira e pegou da pequena lata de lixo um papel muito bem amassado. Maria Antônia observava a cena, sentindo certa estranheza.

Rafael leu em silêncio o nome dela no currículo, engoliu em seco e, em seguida, sentiu dificuldade para olhá-la novamente devido à vergonha.

A sua frente se encontrava uma mulher de cabelos ruivos e olhos verdes, vestida da melhor forma que a condição financeira permitia, mas cujo currículo fora desprezado sem hesitação.

Maria Antônia ficou um pouco surpresa ao saber que aquele era o seu currículo.

— Jogou o meu currículo na lixeira?

— Sim, eu sinto muito. — Rafael pôs o currículo na mesa e uma mão sobre a testa, desejando reparar com palavras a situação, já que voltar no tempo não seria possível. — Eu não sabia…

— Não se preocupe — interrompeu ela. — O senhor não precisa me dar nenhuma explicação. Se não estou de acordo com os critérios de sua empresa, não faz sentido a minha presença aqui.

Maria Antônia se levantou da cadeira, virando o rosto para o lado de tal forma que seus olhos não transbordassem diante da visão dele. Ela não conseguiu segurar as lágrimas.

— Eu já sabia que as minhas chances de trabalhar aqui eram mínimas, mesmo que eu tenha melhorado a minha aparência para vir hoje a esta empresa, sei que o meu currículo não tem muito a oferecer, tanto que o jogou no lixo.

— Não é bem isso, senhorita.

— Já disse que não precisa se explicar — disse ela, usando a cópia do próprio currículo para enxugar seu rosto. — Obrigada por ter me ouvido, senhor Rafael.

— Espere, Maria Antônia — pediu ele, mas ela deixou a sala de entrevista às pressas, quase correndo, desejando sumir dali o mais rápido possível.

Rafael baixou o olhar sobre o currículo desamassado em sua mesa e bateu com o punho cerrado nele.

— Droga! — sentou-se, então, em sua cadeira e pôs as mãos na cabeça, arrependido pelo que fizera.

— O que houve, Rafael? — indagou a secretária, adentrando a sala sem bater na porta. — Eu estava vindo para cá, quando ouvi um grito seu.

— Você viu ela?

— A mulher que chegou duas horas antes do horário das entrevistas? Sim. Ela saiu de um jeito estranho da empresa. Parecia até estar chorando. Aconteceu algo sério?

— Sim, Suzana. Aquela mulher está muito preocupada e angustiada porque a mãe está hospitalizada.

— Mas você não tem nenhuma culpa disso, ou tem?

— Claro que não. — Rafael se levantou da cadeira e apontou o currículo amassado. — Acho que a magoei sem querer e em um momento muito difícil para ela.

— Mas também — disse Suzana, lendo o papel desamassado. — Com um currículo desse, amassá-lo é muito pouco. Eu mesma teria queimado.

— Acha que ela pode me perdoar?

— Vai pedir desculpas pelo quê? Por ter amassado um péssimo currículo?

— Não, Suzana. Vou pedir desculpas por ter dado falsas esperanças a uma mulher bonita e pontual que está sofrendo pela doença da própria mãe.

— Hum! — fez Suzana, desconfiando do tom de voz preocupado de Rafael. — Por que tanta preocupação com uma desconhecida? Vai me dizer que já se apaixonou novamente? Ainda nem se divorciou e já está vivendo uma nova paixão. Quero só ver quando a Raquel souber disso.

Rafael encarou Suzana e, sentido irritação pelas palavras desagradáveis dela, decidiu que não era hora de discutir com sua secretária, que ainda não havia aprendido a se comportar bem diante do próprio chefe.

— Aonde vai, Rafael?

Ele abriu a porta e saiu sem dizer nada. Suzana perdeu seu sorriso ao vê-lo sair sem dizer uma só palavra. Suas provocações não surtiram o efeito desejado. Ela bufou, sentando-se na cadeira diante da mesa, e rasgou o currículo que fora desamassado.

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Comments

Sol Sousa

Sol Sousa

Esse CEO muito fajuto fica se explicando pra uma secretária mal caráter. kkkk, Oh CEO fraquin esse aí

2024-10-29

0

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

para ser sincera essa Suzana nem para secretaria serve..AFF..mulher intrometida 😡😡😡

2024-01-28

1

Vilma Elias

Vilma Elias

já era para ele ter dispensado essa secretária, independente de ser amiga da sua esposa, que secretária intrometida é essa?

2023-08-09

0

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