10

Raquel estava sentada sozinha no sofá da sala. Ela olhou para o relógio na parede e percebeu que seu marido Rafael ainda não havia retornado. Já passava das sete da noite. Ele nem sequer havia voltado para almoçar com ela como de costume.

Ela começou a sentir sua estranha ausência. Então, chamou a empregada Sônia, sabendo que a idosa estava mais do lado de seu marido do que dela própria, embora a servisse bem e atendesse prontamente os seus caprichos, pensando que poderia ter a resposta que tanto desejava.

— Sabe onde o Rafael foi, Sônia? — perguntou Raquel.

— Não sei, dona Raquel. Ele apenas me disse que não voltaria para o almoço e não deu mais nenhuma explicação — respondeu Sônia.

— Isso é estranho. Acha que ele está com outra mulher? — perguntou Raquel, estreitando os olhos.

Sônia ficou surpresa com a pergunta e respondeu com a voz tremendo:

— Não sei, dona Raquel. Nunca ouvi nada sobre isso.

Raquel começou a pensar que talvez seu marido estivesse sendo infiel, então sentiu uma pontada de raiva e traição, embora já tivesse traído ele primeiro.

— Mas, se me permite dizer, dona Raquel, não acho que o senhor Rafael seja capaz de fazer algo terrível assim. Eu conheço seu marido desde que ele era apenas uma criança e sei muito bem como ele é um homem correto e digno — disse Sônia.

— Sim, também acho, mas ultimamente Rafael tem agido diferente comigo, desde que começamos o processo de divórcio.

— Talvez seja apenas sua impressão, senhora — sugeriu Sônia.

— Pode ser, mas você sabe que eu não gosto de ser enganada. Espero que ele não esteja me trocando por outra mulher, por que se estiver... — disse Raquel, cerrando os dentes e apertando uma das almofadas do sofá, liberando a raiva que pulsava em seu peito.

Nesse momento, a campainha tocou. Sônia foi rapidamente atender a porta, com as mãos trêmulas devido ao medo que sentiu do tom de voz da patroa. E, não demorou para voltar e informar Raquel que era Suzana, a secretária de Rafael e melhor amiga de Raquel.

Suzana apareceu pouco depois que Sônia voltou para a sala. Raquel se levantou do sofá, dispensando a empregada.

— Já pode ir descansar agora.

— E se a senhora precisar de alguma coisa?

— Eu me viro. Agora vá para o seu quarto. Não quero que ouça a nossa conversa.

— Claro que não, senhora — disse a empregada, levantando as mãos em um gesto de rendição. Raquel a olhou com desconfiança e repetiu a ordem.

— Boa noite e desculpe!

Sônia deixou as duas amigas sozinhas na sala penumbrosa. A pouca iluminação vinha de luminárias coloridas e lâmpadas de baixa intensidade fixadas nas paredes. O clima estava bom e o ar de um cheiro delicioso.

Suzana e Raquel se cumprimentaram de pé com beijos no rosto e em seguida se sentaram no mesmo sofá para conversar sobre algumas fofocas e, por fim, sobre Rafael e sua ausência.

— Falei com ele antes de o ver deixando a empresa horas atrás. Seu marido recebeu uma repentina ligação telefônica. Não sei quem era, mas suspeito que estivesse confirmando algum encontro — comentou Suzana.

Raquel ficou furiosa ao ouvir isso e concluiu que seu marido havia saído para jantar com outra mulher. Não existia outra explicação lógica em sua cabeça que não fosse essa. Ela pensou que se soubesse onde ele estava, não perderia tempo para fazer uma surpresa ao seu maridinho.

— Não posso acreditar que ele seja capaz de me trair. Rafael é certinho demais para essas coisas — argumentou Raquel, sentindo certa incerteza nas próprias palavras. — Mas se ele acha que vai me ferir fazendo isso, ah está muito enganado. E quanto ao nosso divórcio, não vou dar enquanto não aceitar me ceder mais dinheiro do que o descrito no papel — prometeu Raquel a si mesma. — Ou me dar mais do que mereço, ou nada feito.

Suzana tentou acalmá-la, dizendo com voz serena:

— Não fique tão irritada, Raquel. Talvez haja uma explicação para tudo isso. Rafael sempre me pareceu muito apaixonado por você, mesmo que nesses últimos dias não tenha demonstrado isso com tanta ênfase quanto antes.

— Ele está frio comigo desde então, como se soubesse de algo que não sei — murmurou Raquel.

— De qualquer forma, você deveria conversar com ele antes de tirar conclusões precipitadas — sugeriu Suzana. — E sobre seu divórcio, não acho que seu marido vá aceitar essa sua imposição. Não já é suficiente o grande valor que receberá da fortuna dele?

Raquel virou o rosto de lado e bufou. Sua melhor amiga não estava ajudando muito. Não era isso que queria ouvir.

— Claro que você não entende.

— O que quer dizer?

— Não imagina o quanto o meu marido é rico e se estivesse no meu lugar, certamente estaria fazendo o mesmo que eu.

— Não sei não, Raquel. Cuidado com a sua ganância, ou pode acabar sem nada.

Raquel se levantou do sofá e caminhou até a estante de bebidas, onde encheu um copo com uísque e o esvaziou em apenas dois goles. A sensação de queimação na garganta e o calor que percorreu todo o seu corpo aliviou um pouco a sua raiva. Suzana se aproximou por trás e a abraçou, pegando a garrafa de uísque e o copo de suas mãos.

— Não espere que a bebida resolva seu problema ou lhe dê as respostas que procura.

— Deixe-me beber sozinha, até que o meu amorzinho volte.

— Entendo que esteja passando por um momento difícil, mas acho que não deve agir com tanta ganância — disse Suzana, colocando a garrafa de volta no lugar. — Seu casamento pode ter solução e, além disso, você não quer perder tudo o que construiu com Rafael por causa disso, certo?

— Não, Suzana. — Raquel se virou e encarou Suzana com frieza. — Entre mim e ele não há mais amor. E se não se lembra, foi ele quem propôs o divórcio, e eu apenas aceitei.

— E por que não recusou?

— Já sabe a resposta — disse Raquel em tom rude.

Suzana se afastou, tentando compreender a situação de sua melhor amiga. Olhou ao redor, contemplando todo o luxo que Raquel tinha à sua disposição.

— Não despreze sua sorte, Raquel. Dê mais valor a isso — disse Suzana, de braços abertos. — Convença Rafael a abandonar a ideia do divórcio.

Raquel suspirou e interrompeu os conselhos da amiga, resmungando:

— Você não me entende, Suzana. Acho melhor que vá embora.

— O quê? — Suzana ficou surpresa e desapontada com a reação da amiga. — Está me mandando ir embora, como da outra vez?

— Hoje é diferente.

Suzana percebeu a firmeza nas palavras de Raquel e não insistiu em ficar.

— Tudo bem, vou embora, mas pelo menos pense melhor no que vai fazer.

— Por que tanto interesse nisso?

— Ora! Não quero ter que visitá-la em um apartamento como anos atrás, ou termos que morar juntas novamente.

— Isso nunca! Porque não só espero receber mais com esse divórcio, mas também desejo muito esta mansão.

O olhar de Raquel transmitiu a chama da ganância e o desejo ardente por brilhantes e ouro. Seus pensamentos estavam agitados com a ausência de Rafael e o desconhecimento de onde ele estava, o que fazia, com quem estava e com que propósito. O único pensamento sólido que tinha era tomar tudo o que o marido herdou e conquistou nos últimos anos atuando como Diretor Executivo.

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Comments

Ângela Abreu

Ângela Abreu

Eu espero que no divórcio ele espoe a traição dela.

2023-11-15

1

Ileuza Madalena da Silva

Ileuza Madalena da Silva

que mulher gananciosa espero que ela não receba nada

2023-08-11

1

Amanda Vitoria Dos Santos

Amanda Vitoria Dos Santos

espero que ela não receba nada com o que ela tanto quer

2023-05-19

2

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