Ana Clara caminhava lentamente pelos corredores da faculdade, o cansaço evidente em seus olhos, estava cabisbaixa, mentalmente esgotada. A última semana tinha sido uma verdadeira loucura: trabalhos, provas, reuniões… e, para completar, ainda não conseguira um emprego de meio período. Seus pais nunca reclamaram de ajudá-la financeiramente, mas ela odiava sentir que era um peso para eles.
Suspirou, ajeitando a bolsa pesada no ombro, quando escutou o ronco do motor de moto parando na entrada principal.
Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, viu Léo descendo da moto e tirando o capacete com seu jeito despreocupado, os olhos escuros fixos nela e um sorriso.
Seu coração disparou.
— Droga! Você não me avisou que estava vindo me buscar hoje! — ela exclamou, correndo na direção dele.
Léo abriu um sorriso de canto e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ana pulou em seus braços, o envolvendo em um abraço apertado. Ele riu, segurando-a com firmeza.
— Queria te fazer uma surpresa. Pelo visto, deu certo.
Ela se afastou um pouco, olhou para ele, apenas para segurar o rosto dele entre as mãos e beijá-lo. O gosto familiar o fez sorrir contra os lábios dela. Quando se separaram, Ana suspirou.
— Como foi a viagem? Dormiu bem por lá? Comeu bem?
— Ah, o de sempre… reuniões chatas, aumentar a divulgação da boate, conseguir melhores preços… essas coisas. Desse jeito até parece uma mãe.
— Parece bem… animador — ela brincou, rindo.
Léo deu de ombros.
— Faz parte do trabalho. E você? Como passou esses dias sem mim?
Ana bufou.
— Bati muita cabeça com trabalhos e provas. Além disso, andei para cima e para baixo tentando um emprego de meio período, mas até agora nada.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Tá precisando de alguma coisa? Se quiser, eu posso ajudar.
Ela balançou a cabeça rapidamente.
— Não, eu só queria aliviar um pouco o peso financeiro dos meus pais. Não gosto de me sentir como um fardo.
Léo observou-a por alguns segundos. Ele entendia o que ela estava dizendo. Ana era independente e não gostava de depender de ninguém.
— Entendi — respondeu simplesmente.
Ana mordeu o lábio inferior, sentindo o coração acelerar. Precisava tocar no assunto, mas sua mente gritava que era vergonhoso demais.
Ainda assim, tomou coragem:
— Léo… posso conhecer sua casa?
Ele franziu o cenho.
— Agora?
— NÃO! — Ana gritou, se assustando com a própria voz.
Léo piscou algumas vezes, confuso.
— Tá bom… Então quando?
Ela desviou o olhar, nervosa.
— Hoje à noite.
A expressão dele mudou ligeiramente, como se estivesse avaliando se seria possível.
— Acho que não vai dar…
Ana fez uma careta, desapontada.
— Não vai dar?
Léo suspirou, derrotado pelo olhar triste dela.
— Vou falar com o Vítor pra me cobrir. Passo aqui às 19h.
Os olhos de Ana brilharam.
— Sério?
— Sim. Mas antes, você quer jantar em algum lugar?
— NÃO! — ela gritou de novo.
Léo arqueou uma sobrancelha.
— Tá bom, direto pra minha casa então.
Ela assentiu, mordendo os lábios.
Léo a deixou na porta da república, e Ana entrou sorrindo para si mesma.
"É hoje!"
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Atualizado até capítulo 52
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