O tempo passou rápido depois do primeiro encontro. O que começou com uma ligação despretensiosa logo se tornou algo frequente. Sempre que podia, Ana Clara enviava mensagens para Léo, compartilhando pequenos fragmentos do seu dia.
"Prova de neurociência hoje. Socorro."
"Acabei de sair da aula e vi um cachorro de roupinha. Meu dia tá feito."
"Se eu te dissesse que fiz um bolo e queimei, você acreditaria?"
Léo nunca era de falar muito, mas sempre respondia. Às vezes, com apenas um emoji ou uma piada curta, mas o suficiente para fazê-la sorrir.
"Se queimou, tecnicamente virou carvão. Parabéns, agora você tem um diamante em potencial."
"Aposto que o cachorro tava mais bem vestido que eu."
"Prova de neurociência? Parece um ótimo dia para fingir um desmaio."
Ana adorava aquele jeito seco, mas divertido, de responder. Era como se, sem esforço algum, ele conseguisse deixá-la confortável. E, quando ele mesmo mandava mensagens primeiro — coisa rara, mas que acontecia —, ela sentia um calor no peito, uma ansiedade boa.
Léo, por outro lado, também se pegava esperando pelas mensagens dela. Era um hábito novo e estranho. Seu celular sempre foi uma ferramenta de trabalho, um meio de comunicação essencial no mundo que vivia. Mas agora, toda vez que vibrava, ele torcia para ser Ana.
Ele não deveria estar tão envolvido. Sabia disso. Seu mundo era um campo minado, e ele jamais deveria permitir que ela se aproximasse demais. Mas, por mais que tentasse manter distância, não conseguia.
Ana estava cada vez mais encantada.
Ele era misterioso, sim, mas também atencioso e gentil de um jeito único. Não o tipo óbvio, que dizia as palavras certas ou fazia grandes gestos românticos. Mas do jeito discreto, como quando lembrava de perguntar como foi o dia dela ou quando zombava de algo que ela havia dito só para arrancar uma risada.
Mesmo quando estavam juntos, ele não falava muito sobre si mesmo. Contava coisas do presente — o que estava fazendo, o que achava de algum filme ou música —, mas nunca do passado. E Ana percebia.
No começo, não se importou. Algumas pessoas simplesmente não gostam de falar sobre si. Mas, com o tempo, ela começou a notar os vazios na história dele. Como nunca mencionava a família, como desviava de certas perguntas ou como, às vezes, o olhar dele parecia distante, carregado de algo que ela não conseguia decifrar.
E Léo mentia.
Não era algo que gostava de fazer, mas era necessário. Não queria que Ana soubesse quem ele realmente era ou o que fazia. Não queria arrastá-la para o mundo perigoso em que vivia.
Mesmo assim, as semanas foram passando, e os encontros se tornaram mais frequentes. Cinema, caminhadas pelo parque, conversas até tarde da noite. Pequenos momentos que, para qualquer outra pessoa, seriam comuns. Mas, para Léo, eram raros e valiosos.
Estar com Ana fazia algo nele se acalmar. Como se, por algumas horas, ele pudesse esquecer a parte sombria da sua vida.
E então, sem que percebessem, o que começou como um simples pedido de sorvete evoluiu para algo muito maior.
Eles estavam apaixonados.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Elain
Esta história me transportou para outro mundo...
2025-02-18
1
Emily Silva
uhm !!
2025-02-26
0