Era o início da noite de uma sexta-feira, e o céu de Nova Aurora estava tingido de tons alaranjados, anunciando que as luzes da metrópole logo tomariam conta. A cidade começava a ganhar vida, com buzinas ecoando pelas avenidas e risadas espalhadas pelas calçadas movimentadas. Para muitos, a sexta-feira significava o início de um fim de semana de diversão, mas, para Ana Clara, era apenas mais uma noite cercada por livros e anotações de seu curso de psicologia.
No pequeno quarto da república estudantil, ela estava sentada à sua escrivaninha, caneta em mãos e olhos fixos no caderno. Sua rotina era sempre essa: estudar até tarde, imersa em teorias e análises de casos clínicos. Gostava da sensação de aprender algo novo, mas, ultimamente, começava a sentir que sua vida se resumia a isso.
Seu devaneio foi interrompido por batidas insistentes na porta. Antes que pudesse responder, a porta foi escancarada e suas colegas de república, Marcela e Lívia, entraram como um furacão, falando alto e gesticulando.
— Clara, você vai com a gente hoje! — anunciou Marcela, cruzando os braços com um sorriso determinado.
— E nem adianta inventar desculpas, hein! Hoje é sexta-feira e nós estamos saindo para a balada. Você vem junto! — completou Lívia, já puxando um vestido do armário de Ana, analisando se seria uma boa escolha.
Ana suspirou, largando a caneta sobre a mesa e girando na cadeira para encará-las.
— Meninas, sério, eu tenho um monte de coisa para revisar. A prova de neurociência é semana que vem, e vocês sabem como aquele professor é exigente.
Marcela revirou os olhos dramaticamente.
— Ah, qual é! Você vive trancada nesse quarto. Uma noite fora não vai te matar.
— Talvez me mate de cansaço, brincou Ana, forçando um sorriso.
Mas, no fundo, sabia que as amigas estavam certas. Fazia semanas que não saía para se divertir. Na verdade, nem se lembrava da última vez que havia pisado em uma festa ou feito algo espontâneo. Desde que começara a faculdade, sua dedicação aos estudos tinha se tornado quase uma obsessão.
Lívia se sentou na cama de Ana e cruzou as pernas, inclinando a cabeça de lado.
— Olha, você precisa respirar um pouco. Sair, dançar, esquecer os livros por algumas horas. Além disso, nunca se sabe quem você pode conhecer.
Ana arqueou uma sobrancelha.
— Eu já conheço vocês. Não preciso de mais do que isso.
— Você precisa de um pouco mais de emoção na sua vida, isso sim! — Marcela riu.
Depois de mais alguns minutos de insistência — e até um leve ataque de cócegas feito por Lívia para desestabilizá-la — Ana finalmente cedeu.
— Tá bom, tá bom! Eu vou. Mas só por algumas horas, ok?
As duas comemoraram como se fosse uma vitória épica.
— É assim que se fala! Agora, vamos te arrumar. Você não pode sair com essa roupa de "estudante exemplar".
— Ei! Eu gosto da minha roupa!
— Sim, mas hoje você vai usar algo mais… apropriado para uma balada.
Marcela e Lívia começaram a vasculhar o guarda-roupa de Ana, separando opções. Depois de muita discussão e algumas tentativas frustradas, ela acabou escolhendo algo que a deixava confortável e bonita ao mesmo tempo: uma saia jeans, uma blusa leve e confortável. Prendeu os cabelos cacheados com um elástico, como sempre fazia, e se olhou no espelho.
Para sua surpresa, um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
Talvez sair realmente fosse uma boa ideia.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Emily Silva
o que acontece agora /Smile/
2025-02-26
0
Emily Silva
estou ansiosa/Grin/
2025-02-26
0