Um dia inteiro se passou sem que Ana enviasse uma mensagem sequer. O silêncio dela era um peso esmagador no peito de Léo. Ele checava o celular a cada poucos minutos, esperando que a notificação surgisse na tela, que o nome dela aparecesse como um sinal de trégua. Mas nada.
Era a primeira vez que brigavam. Até então, tudo entre eles tinha sido leve, fácil. Sempre riam juntos, concordavam na maioria das coisas e, quando discordavam, tudo se resolvia em uma conversa tranquila. Mas agora era diferente. Havia um abismo entre os dois, e ele não sabia bem como atravessá-lo.
Ele revirava os acontecimentos na cabeça, tentando lembrar qual tinha sido o momento exato em que tudo desandou. Teria sido algo que ele disse? Ou algo que não disse?
Tentou se distrair, mas era inútil. O treino na academia não rendeu. O filme que colocou para assistir serviu apenas como um ruído de fundo para seus pensamentos inquietos. O jantar ficou intocado na mesa.
Seu orgulho, no entanto, não o deixava tomar a iniciativa. Ele podia ceder primeiro, mandar um simples “oi” e encerrar aquele impasse ridículo. Mas não. Ela também tinha sua parcela de culpa. Não era justo que ele sempre fosse o primeiro a ceder.
O celular vibrou. O som rompeu o silêncio do apartamento como um trovão. Seu coração deu um salto e ele pegou o aparelho depressa.
O nome dela brilhava na tela.
Ele sentiu um alívio irritante. Não queria admitir o quanto esperava por aquela mensagem.
— Fala, pequena — atendeu, forçando um tom despreocupado.
Do outro lado da linha, Ana soltou um suspiro carregado de ironia.
— Já voltou a racionalizar ou ainda tá no modo homem das cavernas?
Léo riu, balançando a cabeça.
— Você é muito corajosa, sabia?
— Alguém tem que ser sensato nessa relação.
Ele passou a língua pelos lábios, adorando o jeito dela. Ana era fogo e gelo ao mesmo tempo. Sempre tinha uma resposta afiada, mas sabia exatamente como desarmá-lo.
— Que tal me deixar me desculpar? Vamos jantar hoje.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Ele sabia que ela estava avaliando a proposta, decidindo se faria um pouco mais de charme ou se aceitaria de imediato.
— Você tem bom gosto pra restaurante? — Ana provocou, mantendo o tom leve.
Léo sorriu. Já imaginava aquele olhar brincalhão que ela fazia quando desafiava alguém.
— Só se você gostar de ser tratada como rainha.
Ela riu baixinho. Foi um som que preencheu seu peito de um jeito que nada mais naquele dia tinha conseguido fazer.
— Te vejo às oito.
A ligação terminou, mas Léo ficou com o celular na mão por mais alguns segundos, um sorriso involuntário nos lábios. Talvez ainda houvesse muito para entender sobre aquela relação, mas uma coisa era certa: ela tinha poder sobre ele.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Emily Silva
não posso esperar para o próximo capítulo.
2025-02-26
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