Ana Clara estava deitada na cama, ainda refletindo sobre a conversa com Marcela e Lívia. As palavras das amigas ecoavam em sua mente:
"Você tem certeza de que ele vai querer esperar?"
"Léo não parece ser o tipo de cara que uma mulher inexperiente consegue segurar."
Ela pegou o celular e abriu o navegador.
Nunca tinha se sentido insegura sobre sua inexperiência. Sempre acreditou que, quando chegasse a hora, tudo aconteceria naturalmente. Mas agora, depois daquela conversa, começou a se perguntar se deveria se preparar.
Ela digitou no Google: "como agradar um homem na cama".
Os primeiros resultados eram artigos de revistas femininas, dando dicas sobre preliminares, posições e "como enlouquecer seu parceiro". Ana clicou em um deles e começou a ler. A maior parte parecia óbvia, coisas que já tinha aprendido nas aulas sobre sexualidade na faculdade. Mas então, nos comentários do artigo, algumas mulheres mencionavam vídeos que ajudavam a aprender melhor.
Ana hesitou.
Ela nunca tinha assistido pornografia. Durante o curso, já estudara a sexualidade humana e até viu algumas representações em contextos acadêmicos, mas nunca procurou vídeos reais por conta própria.
Mordeu o lábio inferior e abriu uma nova aba. Pesquisou: "vídeos educativos sobre sexo".
Os primeiros links pareciam confiáveis, com explicações médicas e entrevistas com especialistas. Mas, ao rolar mais para baixo, começou a encontrar sites mais explícitos.
Seu coração acelerou.
Será que deveria?
Respirou fundo e clicou.
A tela foi tomada por imagens cruas e intensas. Sons invadiram o quarto silencioso, e Ana se assustou, diminuindo o volume rapidamente. Seu rosto ficou quente.
Não era nada como os diagramas anatômicos e discussões teóricas que teve na faculdade. Eram pessoas de verdade, corpos se movendo de forma crua, intensa…
Engoliu em seco.
Sentiu-se uma intrusa, como se estivesse olhando algo que não deveria. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia desviar os olhos. Cada vídeo parecia mais intenso que o outro, mostrando situações que ela nem imaginava.
Então, começou a notar as categorias: fetiches, dominação, submissão, roleplay…
Curiosa, clicou em um dos vídeos.
Seus olhos se arregalaram.
Ela nunca tinha visto nada parecido. Pessoas amarradas, vendadas, algumas até de máscaras… aquilo era mesmo prazeroso?
Sentiu um frio estranho no estômago.
Fechou tudo rapidamente e jogou o celular na cama, respirando fundo.
Sentia-se… confusa.
Nunca tinha parado para pensar em quantas nuances existiam no desejo humano. Sempre viu o sexo de forma racional, como algo estudado e analisado. Mas agora… agora parecia muito mais complexo.
Será que Léo gostava dessas coisas?
O som do celular vibrando fez seu coração saltar. Pegou o aparelho e viu a notificação.
Léo: "Estou voltando."
Ana ficou olhando para a mensagem por alguns segundos, depois se levantou e foi até o espelho. Seu reflexo parecia determinado, mas sentia um leve tremor nas mãos.
Respirou fundo, firmou os pés no chão e disse para si mesma:
— Acho que já está na hora de levar esse relacionamento a outro patamar.
E, sem pensar duas vezes, deu um tapa com as duas mãos no rosto, tentando afastar o nervosismo.
Léo estava voltando.
E ela precisava estar pronta.
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Atualizado até capítulo 52
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