O motor do carro rugia na estrada deserta, cortando a madrugada com velocidade constante. Dentro do veículo blindado, Léo observava a paisagem monótona do lado de fora, a escuridão sendo cortada apenas pelos faróis.
Vítor dirigia em silêncio, os olhos fixos na pista. No banco de trás, Rogério, "O Rei", folheava um charuto cubano entre os dedos, sem pressa.
— Você tá calado, Sombra — Rogério quebrou o silêncio, a voz rouca e carregada de experiência.
Léo não desviou o olhar da estrada.
— Só estou focado.
Rogério soltou uma risada curta.
— Certo… Vamos ver se continua focado quando estivermos sentados na mesma mesa que os homens que podem decidir se vivemos ou morremos essa noite.
Vítor trocou um olhar rápido com Léo pelo retrovisor, mas não disse nada. O nome do jogo era política. E política no submundo era jogada com dinheiro, sangue e influência.
O carro se aproximou do armazém abandonado no porto. Lá dentro, a elite criminosa do continente os aguardava.
O Conselho das Sombras
O lugar exalava perigo. Homens armados cercavam o armazém, vigiando cada entrada.
Léo e Vítor seguiram Rogério até uma grande mesa no centro. Sentados ali estavam os líderes das quatro maiores organizações criminosas do continente. Homens cujos nomes não apareciam nos jornais, mas cujas decisões moldavam a economia oculta das cidades.
Rogério sentou-se como igual, cruzando os dedos sobre a mesa.
— Vamos ao que interessa.
A conversa girou em torno dos temas de sempre: rotas seguras para o transporte de mercadorias ilícitas, a distribuição de cargas, pagamento de propina para políticos e policiais. Cada palavra dita carregava peso. Um acordo mal firmado poderia significar guerra.
Léo absorvia tudo em silêncio, mas sua mente estava longe dali.
Ana.
Fazia uma semana que não a via. Uma semana desde que tocou sua pele, desde que ouviu sua voz.
Ele nunca pensou que sentiria falta de alguém dessa forma.
Mas ali estava ele, no meio de uma negociação de alto nível, pensando apenas em voltar para Nova Aurora.
— Sombra?
A voz de Rogério o tirou de seus pensamentos. Todos o olhavam.
Léo piscou, disfarçando.
— Sim?
Rogério estreitou os olhos, mas continuou.
— Quero que você resolva a distribuição no sul. Nossos contatos na alfândega estão pedindo um reforço financeiro.
Léo assentiu.
— Considere feito.
Vítor o encarava de lado, como se soubesse exatamente onde a mente de Léo estava.
E ele sabia.
Quando a reunião terminou, voltaram para o carro. Rogério, satisfeito, acendeu o charuto.
— Boa noite de trabalho. Agora, me levem pra casa.
Léo apenas concordou.
Porque, assim que terminasse aquilo, ele faria exatamente o mesmo.
Voltaria para casa.
Para Ana.
E enquanto o carro avançava pela estrada vazia, Léo pegou o celular e desbloqueou a tela. Nenhuma mensagem dela. Nenhuma ligação. Ele não queria parecer desesperado, mas a verdade era que contava as horas.
Atravessar continentes, lidar com assassinos e corruptos, tudo isso fazia parte da sua rotina. Mas a única coisa que o tirava do eixo ultimamente era uma garota que sequer sabia da metade do que ele fazia.
E, por algum motivo, isso o fazia sorrir.
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Atualizado até capítulo 52
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