Ana Clara suspirou e jogou o lápis sobre o caderno. Sua mesa de estudos estava um caos. Pilhas de livros, anotações espalhadas, um laptop aberto com dezenas de abas carregadas. O relógio na parede marcava quase meia-noite, e seu corpo gritava por descanso.
Mas não havia tempo para isso.
As últimas semanas foram uma loucura. Provas acumuladas, trabalhos em grupo, reuniões do estágio, e ainda a pressão para encontrar um emprego de meio período. Seus pais estavam se esforçando ao máximo para pagar sua faculdade, mas ela sabia que precisava ajudá-los. O orçamento estava apertado e, mesmo que não dissessem nada, Ana percebia as preocupações nas vozes deles.
Suspirou, inclinando-se para trás na cadeira. Seu corpo estava rígido de tanto tempo sentada. Passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos. Pegou o celular sem nem perceber, como um reflexo automático.
A tela acendeu. Nenhuma mensagem nova.
Aperto no peito.
Léo.
Ela não o via há dias. A rotina puxada a impediu de tentar marcar algo, mas, mesmo em meio ao cansaço, ele sempre surgia em sua mente. Quando isso acontecia, pegava o celular e mandava uma mensagem qualquer—um meme, uma notícia aleatória, um comentário bobo só para manter contato.
Mas as respostas nunca vinham.
Léo visualizava, mas não respondia.
Ana mordiscou o lábio inferior, encarando o último meme que enviou. Um gato de óculos escuros segurando um papel que dizia: “Estudando para ser rica, mas até agora só consegui ser pobre e cansada.”
Nada. Nenhuma reação.
Ela entendia. Ele também devia estar ocupado, provavelmente trabalhando. Não era do tipo de ficar trocando mensagens o dia todo, e Ana sabia disso. Ainda assim, ela queria sentir ele, o olhar, o cheiro, o toque, o beijo não podia evitar a sensação de estar falando sozinha.
AFF! Será que estava incomodando?
Ela se lembrava das noites em que ele a buscava depois da faculdade, do jeito como a olhava quando estavam juntos. Será que ainda pensava nela? Ou será que ele teria sido levado a outro mundo e sido puxado para longe dela? Meu Deus estou louca!
Tentou ignorar o pensamento. Se deixasse, aquilo a consumiria.
Esticou os braços, sentindo os músculos tensionados, e olhou ao redor. Suas colegas de república, Marcela e Lívia, já tinham ido dormir. Sorte delas. Ela ainda precisava terminar pelo menos mais duas leituras antes de apagar.
Pegou o celular de novo, dessa vez para abrir o aplicativo de empregos. Passou alguns minutos rolando a tela, vendo vagas que exigiam experiência que não tinha ou pagavam menos do que precisava.
Outro suspiro.
Decidiu que já tinha se torturado o suficiente por uma noite. Fechou o laptop, empurrou os livros para o lado e se jogou na cama.
Ficou ali, encarando o teto escuro do quarto, a mente insistindo em um único nome.
Léo.
Ela virou para o lado, puxou o cobertor até o rosto e fechou os olhos.
Se ele quisesse falar com ela, saberia onde encontrá-la.
Mas será que ele sentiria sua falta?
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Atualizado até capítulo 52
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