O celular vibrou sobre o criado-mudo, rompendo o silêncio do quarto escuro. Leonardo abriu os olhos, o brilho da tela iluminando seu rosto. Ele passou a mão no rosto, já sabendo quem era antes mesmo de olhar.
— O que foi, Vítor? — atendeu com a voz rouca de sono. Porra tava dormindo!
— O que foi? O que foi?! Você tá achando que virou funcionário público agora, é? — Vítor bufou do outro lado da linha. — Sete da noite, e nada de você aparecer aqui.
Léo sentou na beirada da cama, pegando um cigarro no bolso da calça jogada no chão. Acendeu, tragou fundo e soltou a fumaça devagar, olhou para o espelho e pensou: aaahhh cara mais um dia infernal.
— Eu já tô indo.
— Melhor mesmo, porque tem uma porrada de coisa pra resolver e, adivinha? Eu não sou babá de bandido preguiçoso, levanta esse traseiro e vem trabalhar.
Léo revirou os olhos e desligou antes que Vítor pudesse continuar reclamando. Vestiu uma camisa preta, pegou o casaco de couro e saiu.
Inferno Urbano
A boate pulsava ao ritmo do grave pesado da música eletrônica, luzes vermelhas piscando no teto. Homens e mulheres circulavam pelo ambiente luxuoso, com camarotes reservados para os membros da gangue e convidados especiais. No bar, bebidas caras eram servidas sem moderação.
Léo entrou sem pressa, acostumado com o ambiente. Acenou para alguns conhecidos, mas evitou conversas. Encontrou Vítor no segundo andar, observando tudo do camarote principal.
— Até que enfim, né? — Vítor zombou, erguendo um copo de whisky. — Tá me devendo um salário de chefe pelo tanto que eu trabalhei sozinho hoje, e nem tenta me enrolar igual a última vez. --- Fez eu ficar 2 plantões sozinho e nem me deu motivos válidos.
Léo ignorou a provocação e se jogou no sofá de couro.
— O que tem de tão urgente?
Vítor estudou o amigo por alguns segundos antes de se recostar na poltrona à sua frente.
— Você me diz. Desde quando você perdeu o interesse no que acontece aqui?
Léo franziu o cenho.
— Que porra é essa agora? Vai me demitir?
— Você tá diferente, mano. — Vítor girou o gelo no copo, pensativo. — Mal senta pra tomar uma bebida com a gente. Nem joga mais com os caras. --- Tá todo mundo sentindo tua falta.
— Só tô ocupado.
— Certo… E Tiffany?
Léo apertou os lábios.
— O que tem ela?
— Anda perguntando de você. Tá estranhando seu sumiço.
— Problema dela.
O silêncio se instalou entre os dois, apenas o som da música preenchendo o espaço. Vítor soltou um riso abafado.
— Nunca pensei que ia ver o Léo “Sombra” dando perdido até em mulher.
Léo ficou de pé, pegando um cigarro.
— Você tá vendo coisa onde não tem, Vítor. Eu tô aqui, tô cuidando dos negócios. Isso é o que importa.
Ele deu um último trago antes de apagar o cigarro no cinzeiro de cristal e sair, deixando Vítor sozinho.
Do camarote, Vítor observou a boate fervilhar abaixo. Balançou a cabeça, rindo sozinho.
— Sei…
Porque, no fundo, ele sabia que aquilo era mentira.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
Emily Silva
essa me quebrou "eu não sou babá de bandido preguiçosos." kkkkkkkkk
2025-02-26
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