Enquanto caminhava para casa, Flora tentava afastar os pensamentos sobre Filipa e Renan. A manhã havia sido sufocante, e o cansaço emocional começava a pesar. O silêncio da rua era um alívio bem-vindo, mas sua mente continuava tumultuada. Ela mal percebeu quando Lúcia se despediu, deixando-a sozinha com seus pensamentos.
Assim que virou a esquina da sua rua, Gabriel apareceu, vindo do lado oposto. Ele parecia ansioso, andando rápido na direção dela.
Gabriel: Flora! Que bom que te encontrei. — Ele parou na frente dela, respirando fundo.
Flora: O que foi agora, Gabriel? Já não basta o que aconteceu hoje?
Gabriel: Eu fiquei pensando no que aconteceu. Isso não pode continuar assim. A Filipa passou dos limites, e o Renan... Bom, não sei se dá pra confiar nele. — Ele balançou a cabeça, a expressão séria.
Flora: Ele disse que vai resolver.
Gabriel: E você acredita? Ele está andando por aí com a Filipa como se nada tivesse acontecido. —Gabriel franziu a testa, claramente cético.
Flora: Eu sei. Mas o que mais eu posso fazer, Gabriel?
Gabriel: Eu não sei. Mas você não precisa enfrentar isso sozinha. Eu tô aqui. — Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para ela.
As palavras de Gabriel aqueceram o coração de Flora, mas também a deixaram mais confusa. Antes que pudesse responder, ele colocou a mão no bolso e puxou algo. Um pequeno colar com um pingente em forma de coração. Era simples, mas bonito, brilhando sob a luz suave da tarde.
Gabriel: Eu... encontrei isso há um tempo e guardei. Pensei em te dar antes, mas nunca tive coragem.
Flora: Gabriel, eu não sei o que dizer. — Flora ficou surpresa, olhando para o colar e depois para Gabriel.
Gabriel: Não precisa dizer nada. Só... aceite. Você é importante pra mim, Flora. Sempre foi.
Ele estendeu o colar para ela, e Flora, hesitante, pegou-o. O coração dela acelerava, confusa com a situação.
Flora: Obrigada, Gabriel. É lindo.
Ela olhou para o colar em suas mãos, sentindo-se estranhamente tocada pelo gesto. Gabriel sorriu timidamente, mas logo mudou de assunto para evitar que o momento ficasse mais constrangedor.
Gabriel: Só queria que você soubesse que, não importa o que aconteça, eu sempre vou estar aqui.
Flora: Eu sei disso. E fico muito grata por ter você ao meu lado. — Flora sorriu, sincera.
Flora: Agora eu preciso entrar. Foi um dia bem longo, e eu preciso de um tempo pra pensar. — Ela deu um passo para trás, segurando o colar com cuidado.
Gabriel: Claro. Vai descansar.
Ele sorriu, mas havia algo melancólico em seu olhar. Flora percebeu, mas decidiu não comentar. Guardou o colar no bolso e virou-se para a casa.
Flora: Tchau, Gabriel.
Gabriel: Tchau, Flora.
Ele ficou parado na calçada, observando enquanto ela entrava. Assim que fechou a porta, Flora encostou-se nela por um momento, segurando o colar no bolso. Sentia uma mistura de emoções gratidão, confusão e uma pontada de culpa por não saber como lidar com os sentimentos de Gabriel.
No entanto, decidiu deixar isso para outro momento. Caminhou até seu quarto, pronta para refletir sobre tudo o que havia acontecido naquele dia tumultuado.
Flora subiu as escadas lentamente, ainda segurando o colar que Gabriel lhe dera. Quando entrou em seu quarto, deixou a mochila no canto e foi até a cama. Sentou-se, abrindo a palma da mão para olhar o pingente mais uma vez.
O coração brilhava de forma suave sob a luz do abajur. Era bonito, mas também parecia carregar um peso que Flora não sabia ao certo como lidar. Sabia que Gabriel tinha sentimentos por ela, mas sua vida estava tão confusa que sequer podia pensar em começar algo com ele.
Ela suspirou, tirando o colar do bolso e colocando-o sobre a mesa de cabeceira. Seus pensamentos a levaram novamente a Renan. O que ele queria dizer com aquela promessa de resolver as coisas? Será que ele estava sendo sincero ou apenas tentando aliviar sua culpa?
Flora balançou a cabeça, tentando afastar as dúvidas. Levantou-se, foi até o banheiro e lavou o rosto com água fria. Precisava clarear a mente antes que todos esses problemas a consumissem.
Quando voltou para o quarto, sentou-se à mesa e começou a organizar algumas anotações da escola, tentando se distrair.
Noite estava silenciosa, mas o silêncio só fazia seus pensamentos parecerem mais altos. De repente, um barulho na janela a fez sobressaltar.
Flora virou-se rapidamente e viu uma pequena pedra bater no vidro. Foi até a janela e a abriu, espiando lá fora. Para sua surpresa, Renan estava parado no jardim, olhando para ela.
Flora: Renan? O que você está fazendo aqui?
Renan: Preciso falar com você. Não deu pra esperar até amanhã.
Ele olhou para os lados, como se certificando de que ninguém o viu. Flora hesitou, mas desceu as escadas com cuidado. Abriu a porta e saiu até o jardim, cruzando os braços.
Flora: O que é tão importante assim?
Renan: Sobre a Filipa... eu já sei quem tirou as fotos e quem espalhou tudo.
Ela arregalou os olhos, surpresa.
Flora: Sabe? Quem foi?
Renan: Foi a Carla, uma das amigas dela. Eu ouvi as duas conversando hoje à tarde.
Flora: — E por que ela faria isso? — Flora piscou, confusa.
Renan: Porque a Filipa pediu. Carla só executou o plano, mas a ideia foi toda da Filipa.
Flora sentiu um nó se formar no estômago.
Flora: Claro que foi ela. Mas o que você vai fazer?
Renan: Vou resolver. Só queria que você soubesse antes de qualquer coisa. — Ele deu um passo à frente, mas Flora recuou.
Flora: Resolver como, Renan? Ela tem controle sobre tudo e todos.
Renan: Confia em mim.
Ele olhou nos olhos dela, e Flora viu algo diferente. Era determinação. Ela suspirou, cansada demais para discutir.
Flora: Espero que saiba o que está fazendo.
Renan: Ah, e sobre aquela carta... eu realmente espero que você descubra quem a escreveu. —Renan assentiu, virando-se para ir embora, mas parou antes de cruzar o portão.
Flora: Boa noite, Renan. — Flora sentiu as bochechas queimarem e cruzou os braços novamente, olhando para ele com desconfiança.
Ele sorriu, dando de ombros, e desapareceu na escuridão da rua. Flora voltou para dentro, fechando a porta com cuidado. O coração estava acelerado, e as dúvidas não diminuíam.
Sentou-se novamente à cama, olhando para o colar de Gabriel na mesa de cabeceira e relembrando as palavras de Renan. A confusão parecia crescer ainda mais dentro dela, como se estivesse presa em um labirinto sem saída.
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Atualizado até capítulo 30
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