Renan: Bom dia pra você também, Flora. Estou fazendo café. Quer um pouco? — Ele se virou lentamente, segurando uma xícara de café com um sorriso despreocupado.
Flora: Você perdeu a noção? Se alguém te ver aqui, eu estou ferrada! — Flora cruzou os braços, bufando de irritação. Olhou ao redor, tentando se certificar de que ninguém estava por perto. Renan deu de ombros, tranquilo, e tomou mais um gole de café.
Renan: Calma, Flora. Ninguém vai aparecer. Relaxa, estou quase terminando. — Antes que ela pudesse responder, uma voz conhecida a fez paralisar.
Kátia: Então, esse é o famoso Renan?
Kátia estava parada na entrada da cozinha, com os braços cruzados e um olhar curioso. Flora virou-se devagar, sentindo o rosto esquentar de vergonha.
Flora: Mãe... Eu... — Flora tentou justificar, mas foi interrompida pelo olhar avaliador da mãe, que analisava Renan dos pés à cabeça.
Kátia: E com a roupa do meu marido? Que cena engraçada logo pela manhã.
Renan, sem perder a compostura, inclinou levemente a cabeça em um gesto educado e sorriu.
Renan: Bom dia, dona Kátia. Me desculpe por isso. Passei mal ontem e... Flora foi muito gentil em me ajudar.
Kátia: Sei. Só estou avisando que o pai da Flora já está descendo. E ele não vai achar essa situação nada engraçada.
Flora sentiu o pânico crescer.
Flora: Mãe, por favor, não diga nada. Ele já vai embora.
Renan sorriu, sem parecer abalado pela tensão no ar.
Renan: Obrigado, dona Kátia. A senhora é muito gentil.
Kátia deu de ombros, ainda com um pequeno sorriso, e saiu da cozinha. Flora respirou fundo, puxando Renan pelo braço.
Flora: Vem, Renan. Vamos para o quarto antes que o meu pai te veja.
Renan seguiu Flora sem discutir, ainda achando graça da situação.
Era um sábado, Flora estava tentando manter a calma. Renan parecia estar muito melhor desde a noite anterior, e ela sabia que era hora dele ir para casa.
Flora: Você já está bem. Pode ir embora agora.
Renan, com um sorriso provocador, se aproximou dela e falou com tom brincalhão.
Renan: Não acha que vai me deixar sair assim, fedendo? Preciso de um banho antes. Vou dar um jeito nisso.
Renan: Essa carta... é para mim? — Ele abriu um sorriso malicioso, achando que Flora estava sendo romântica com ele.
Flora, ao perceber, correu até ele e arrancou a carta de suas mãos rapidamente.
Flora: Não é da sua conta, Renan! — Ela disse, com raiva, enquanto a carta estava de volta em suas mãos.
Renan ficou furioso, sua expressão fechada enquanto ele a encarava com uma intensidade desconcertante.
Renan: Quem está te escrevendo essas coisas? Eu mereço saber! — Ele insistiu, querendo entender o que estava acontecendo.
Flora olhou diretamente para ele, tentando se manter calma, mas sentia a raiva se acumulando.
Flora: Você não merece saber nada! — Ela cruzou os braços, desafiadora. "Agora, vai embora! Tome um banho e saia pela janela, não é tão alta, vai ser fácil."
Renan, sem acreditar no que estava ouvindo, soltou um suspiro de frustração, mas sem mais palavras, saiu do quarto de Flora e foi para o banheiro, inconformado com a atitude dela. Flora ficou sozinha, sentindo uma mistura de alívio e curiosidade. Ela sabia que as cartas continham algo importante, mas o que Renan queria saber não era a questão.
Ela precisava de um tempo sozinha para organizar as ideias, mas a tensão entre eles parecia ter criado uma barreira que ela não conseguia atravessar. Depois de alguns minutos, decidiu voltar ao quarto para conferir se ele já havia terminado o banho. Assim que abriu a porta, encontrou o espaço vazio. O banheiro estava silencioso, e Renan não estava em lugar algum.
Ela olhou para a janela aberta e imediatamente percebeu o que havia acontecido. Ele havia saído exatamente como ela sugeriu. Flora suspirou, aliviada por um lado, mas também incomodada com a maneira como tudo tinha se desenrolado.
Flora: É melhor assim — murmurou para si mesma, tentando convencer-se de que o ocorrido era o melhor desfecho para aquela situação estranha.
Flora sentou-se na cama, segurando a carta em suas mãos. A caligrafia ainda a intrigava, e ela não conseguia afastar a curiosidade sobre quem poderia tê-la escrito. Era alguém próximo? Alguém que a observava de longe? Seu coração estava inquieto, e ela não conseguia parar de pensar nas palavras escritas.
Enquanto refletia, ouviu uma notificação em seu celular. Ao verificar, percebeu que era uma mensagem de suas amigas. Elas estavam preocupadas por Flora ter saído tão cedo da festa sem dar explicações.
Lúcia: Está tudo bem, Flora? — escreveu uma delas.
Flora digitou rapidamente uma resposta, evitando entrar em detalhes.
Flora: Sim, eu só não estava me sentindo bem. Já estou em casa, não precisam se preocupar.
Depois de enviar a mensagem, deixou o celular de lado e se deitou na cama. O dia estava apenas começando, mas já parecia que ela havia vivido semanas inteiras em poucas horas. Tentando afastar os pensamentos sobre Renan, decidiu ocupar sua mente com tarefas domésticas.
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Renan narrando
Renan caminhava pela calçada, ainda processando o que havia acontecido naquela manhã. A carta não saía de sua mente, e ele se sentia inquieto por não saber quem havia escrito aquelas palavras para Flora. Ele não era do tipo que admitia sentir ciúmes facilmente, mas a ideia de que alguém pudesse estar tentando se aproximar dela de maneira tão íntima o deixava incomodado.
Renan: Que droga... — resmungou, chutando uma pedra na rua.
Ele sabia que precisava esfriar a cabeça antes de tomar qualquer atitude precipitada. Decidiu ir para casa e tentar esquecer o assunto, mas uma parte de si queria respostas. E ele estava disposto a descobrir quem era o autor daquela carta.
Ao chegar em casa, Renan encontrou sua irmã, Camila, sentada no sofá. Ela olhou para ele com uma expressão curiosa, notando sua aparência desleixada e o humor estranho.
Camila: Onde você estava? E por que está com essa cara de quem perdeu uma luta?
Renan: Longa história. Não estou com paciência pra falar disso agora.
Camila deu de ombros, mas não parecia disposta a deixá-lo em paz tão facilmente.
Renan: Pelo visto, tem a ver com uma garota. Estou errada?
Renan a encarou por um momento antes de suspirar. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que desabafar.
Renan: Não é o que você está pensando. Só estou com a cabeça cheia.
Camila: Sei... Bom, seja lá o que for, espero que você resolva logo. Odeio ver você nesse estado.
Renan não respondeu. Ele subiu para o seu quarto, deitou-se na cama e ficou encarando o teto, pensando na carta e em Flora. Ele sabia que ela estava escondendo algo, e isso o incomodava mais do que queria admitir.
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Atualizado até capítulo 30
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