Lúcia: Já que ele teve coragem de mandar uma carta, por que você não manda uma de volta?
Flora, que estava distraída mexendo na carta que Júlia ainda segurava, olhou para Lúcia com surpresa.
Flora: O quê? Mandar uma carta? Mas eu nem sei quem é essa pessoa! Como vou fazer isso?
Júlia: É simples. Você escreve e deixa no mesmo lugar onde encontrou a primeira. Quem quer que tenha mandado a carta, com certeza vai ver.
Flora cruzou os braços, pensativa. A ideia parecia um pouco louca, mas ela também estava curiosa sobre quem era o remetente.
Flora: E o que eu escrevo? Não faço ideia do que dizer.
Lúcia: Você pode perguntar quem ele é. Faz uma carta misteriosa, se bem que ele já sabe quem você é, pelo que parece
Flora ainda parecia relutante, mas Júlia já estava animada com a ideia.
Júlia: É perfeito, Flora! Assim a gente descobre quem é o corajoso.
Flora: Tá bom, mas... e se for uma brincadeira? E se eu parecer boba?
Lúcia balançou a cabeça, sorrindo.
Lúcia: Não custa tentar. O máximo que pode acontecer é não receber uma resposta.
Flora suspirou, sentindo-se encurralada pela animação das amigas.
Flora: Certo, eu vou tentar. Mas só se vocês me ajudarem a escrever.
As três começaram a discutir o que poderia ser escrito, jogando ideias para lá e para cá. Depois de alguns minutos de conversa, Flora se levantou.
Flora: Acho que já entendi o que fazer. Vou pra casa agora. Quero colocar essa ideia em prática o quanto antes.
Júlia: Vai lá, Flora. E depois nos conta tudo.
Lúcia: E não esquece de deixar no mesmo lugar!
Flora se despediu das amigas, com a mente a mil, pensando no que escrever. Ela estava nervosa, mas também animada com a possibilidade de desvendar o mistério.
Quando Flora chegou em casa, fechou a porta com um leve suspiro e foi direto para o quarto. O dia tinha sido cheio, e as conversas com Lúcia e Júlia ainda ecoavam em sua mente. Ela sabia que precisava escrever a carta, mas o nervosismo começava a tomar conta. Sentou-se na cama e abriu sua gaveta, pegando um pedaço de papel e uma caneta. Por alguns minutos, ficou olhando para a folha em branco, tentando encontrar as palavras certas. Sua mente estava inquieta, mas ela sabia que precisava agir.
Depois de muito pensar, começou a escrever. Cada palavra parecia pesada, mas conseguiu colocar seus pensamentos no papel. Quando terminou, dobrou cuidadosamente a folha e colocou-a em um envelope simples.
Carta de Flora
"Para quem escreveu a carta,
Eu a encontrei e fiquei surpresa, mas também curiosa. Quem é você? Por que escreveu isso para mim?
Deixe sua resposta no mesmo lugar.
Flora."
Assim que terminou, leu e releu o texto várias vezes, sentindo-se vulnerável, mas determinada. Colocou o envelope em cima da cama e saiu do quarto rapidamente. Foi até a cozinha, tentando afastar os pensamentos sobre a carta enquanto tomava um copo d'água.
Depois de alguns minutos, voltou para o quarto. O envelope ainda estava lá, intacto, como se estivesse esperando por ela. Flora respirou fundo, pegou a carta e olhou para ela novamente, ponderando se deveria mesmo deixá-la onde encontrou a outra.
Flora desceu para jantar ainda inquieta. Os pensamentos sobre a carta a acompanhavam como uma sombra. Tentou participar da conversa à mesa, mas estava distraída demais. Assim que terminou, subiu rapidamente para o quarto, ansiosa para verificar a carta que havia deixado ali.
Assim que abriu a porta, sentiu o coração disparar. A carta tinha sumido.
Flora: Como assim? — Ela começou a procurar freneticamente, revirando a cama, olhando no chão, na mesa, até no armário. Nada. — Como isso saiu daqui sem ninguém fazer barulho?
Sentou-se na cama, com as mãos na cabeça. A ausência da carta só tornava tudo mais misterioso e angustiante. Passou o restante da noite acordada, tentando imaginar como aquilo tinha acontecido. Nenhuma explicação fazia sentido.
O fim de semana passou de forma arrastada. Flora tentava se distrair, mas os pensamentos sobre a carta e o que significava continuavam a assombrá-la. Quando a segunda-feira finalmente chegou, ela se arrumou para a escola com um nó no estômago.
Ao chegar no pátio, foi recebida por uma visão que fez seu sangue gelar. Fotos editadas suas estavam espalhadas por toda parte: presas nas paredes, jogadas pelo chão, em cima das mesas. Um grupo de estudantes se aglomerava ao redor, olhando e cochichando. Flora ficou paralisada.
Filipa: Palmas para a ladra de namorados! — A voz sarcástica de Filipa ecoou pelo pátio, e a garota apareceu acompanhada de sua turma, batendo palmas de forma exagerada.
Flora: Que palhaçada é essa, Filipa?
Filipa: Só estou expondo a verdade, querida. Todos precisam saber o que você anda fazendo. Primeiro rouba o Renan da festa, agora quer se passar de vítima? — Filipa sorriu de forma venenosa, cruzando os braços.
Flora: Eu não roubei ninguém! Para de inventar coisas! — Flora sentiu a raiva subir.
Filipa: Ah, não? Então explica essas fotos espalhadas por todo canto. Vai dizer que não é você nelas? —Filipa riu alto, atraindo ainda mais atenção. Apontou para as imagens, que alguns alunos estavam recolhendo.
Flora: Você está inventando tudo isso porque não consegue aceitar que o problema é seu relacionamento, Filipa! Não tem nada a ver comigo.
Nesse momento, Júlia e Lúcia surgiram, empurrando a multidão para se aproximar de Flora. Júlia, com as mãos na cintura, encarou Filipa diretamente.
Lúcia: Sabe o que eu acho, Filipa? Que você está com ciúmes. Deve ser difícil ver que o Renan não dá a mínima para você.
O sorriso de Filipa desapareceu, dando lugar a uma expressão de fúria. — Cuidado com o que você fala, Júlia. Você não quer entrar nessa briga.
Júlia: Por favor, Filipa. Todo mundo aqui sabe como você é. Se toca.
Filipa: Aproveite a atenção enquanto pode, Flora. Logo todos vão saber quem você realmente é. —Filipa estreitou os olhos, mas não respondeu. Apenas olhou para Flora com desdém.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 30
Comments