O hospital era um lugar de frio constante, como se a temperatura baixa fosse parte do ambiente cuidadosamente calculado para preservar o ar clínico. Olivia estava sentada na pequena sala de espera próxima ao corredor da ala cirúrgica. O telefone estava colado ao seu ouvido, seus dedos apertando o aparelho com força.
— Cristal, é Olivia. Eu... Eu não sei por onde começar, mas é sobre a Stella.
Do outro lado da linha, a voz de Cristal soou imediatamente alerta, carregada de preocupação:
— O que aconteceu, Olivia?
Olivia respirou fundo, sentindo o peso da situação em seus ombros.
— Estamos no hospital. Stella está mal. Ela estava ferida e... agora está na cirurgia. Não consigo explicar tudo agora, mas você precisa vir até aqui.
Por um momento, o silêncio tomou conta da ligação. Cristal estava processando a informação, mas sua voz, quando surgiu novamente, era firme, determinada:
— Chego aí em cinco minutos.
E, com isso, a ligação foi encerrada.
Olivia abaixou o telefone devagar, seu olhar perdido em direção ao corredor onde Stella havia sido levada para a cirurgia. Por mais que tentasse manter a calma, a culpa por não ter percebido antes o estado crítico de Stella parecia uma sombra que a seguia. Ela se sentou novamente no pequeno banco da sala de espera, cruzando os braços como se tentasse se proteger do frio e da angústia.
O ambiente ao seu redor estava em constante movimento. Enfermeiros passavam apressados empurrando macas, médicos discutiam prontuários em voz baixa, mas Olivia estava alheia a tudo isso. Seus olhos frequentemente se voltavam para a porta dupla no final do corredor. Era por ali que Cristal deveria aparecer a qualquer momento.
Os minutos se arrastavam como horas, mas então Olivia viu uma figura familiar atravessar as portas com passos rápidos e decididos. Cristal. Seus olhos imediatamente buscaram Olivia, e ela caminhou até a amiga como se o mundo inteiro dependesse daquele encontro.
— Como ela está? Já tem alguma notícia? — perguntou Cristal, sua voz carregada de preocupação, embora tentasse mascarar isso com sua usual postura firme.
— Nada ainda... — respondeu Olivia, passando a mão pelos cabelos em um gesto nervoso. — Ela acabou de entrar na cirurgia.
Cristal respirou fundo, como se precisasse reorganizar os pensamentos antes de continuar. Por um momento, ela simplesmente ficou ali, parada, olhando para a porta como se pudesse ver Stella através dela.
— Vai, me conta. O que aconteceu? — insistiu Cristal, voltando sua atenção para Olivia.
Olivia hesitou, mordendo o lábio inferior. Era difícil colocar em palavras o que havia acontecido, especialmente porque nem ela sabia toda a verdade.
— Eu não sei exatamente o que aconteceu... — começou Olivia, com a voz trêmula. — Mais cedo, fui ao quarto dela para ver como ela estava, e, até então, tudo parecia normal. Depois, desci para o andar de baixo. Alguns minutos depois, meu controle de chamada começou a apitar. Quando voltei correndo para o quarto dela... — Olivia parou, engolindo em seco antes de continuar. — Ela já estava no chão, machucada.
— E o que ela disse? — pressionou Cristal, o tom de voz ganhando uma ponta de impaciência.
— Disse que caiu da cama. — Olivia soltou um suspiro frustrado. — Mas obviamente isso não faz sentido! Eu perguntei várias vezes, insisti, mas ela não quis me contar nada.
Cristal passou a mão pelo rosto, claramente tentando manter o controle.
— Como sempre... ela tenta carregar o mundo nas costas sozinha — murmurou, mais para si mesma do que para Olivia.
O silêncio entre elas foi preenchido apenas pelo som distante de um monitor cardíaco vindo de algum lugar na ala. Cristal finalmente se sentou ao lado de Olivia, cruzando as pernas e apoiando os cotovelos nos joelhos enquanto enterrava o rosto nas mãos.
— Isso não pode continuar. Stella não vai melhorar enquanto continuar escondendo tudo — disse Cristal, finalmente levantando o olhar.
— Eu sei. Mas ela é teimosa. Acho que está tentando proteger alguém ou... talvez a si mesma.
Cristal não respondeu imediatamente. Ela sabia que Olivia estava certa. Stella sempre fora assim, determinada a não demonstrar fraqueza, mesmo quando o mundo desabava ao seu redor.
Mais de uma hora se passou até que um médico surgiu pela porta da sala de cirurgia. Ambas se levantaram ao mesmo tempo, indo ao encontro do homem de jaleco branco.
— Como ela está? — Cristal perguntou antes mesmo que ele pudesse falar.
— A cirurgia correu bem. Conseguimos estabilizar o joelho dela, mas o caso era grave. Houve uma fratura na patela e uma lesão ligamentar significativa. Ela precisará de repouso absoluto e fisioterapia intensa nos próximos meses. Quanto às costelas, tivemos que fazer uma drenagem para aliviar a pressão sobre o pulmão, mas, felizmente, não houve perfuração. — O médico fez uma pausa, analisando as reações delas antes de continuar. — Stella é forte, mas seu corpo está exausto. Ela precisará de muita paciência e cuidado durante a recuperação.
Cristal soltou um suspiro aliviado, mas o nó em sua garganta não desapareceu completamente.
— Podemos vê-la? — perguntou Olivia, com a voz cheia de preocupação.
— Não agora. Ela ainda está sedada e será transferida para o quarto em breve. Quando estiver acordada, avisaremos.
Com um aceno, o médico se afastou, deixando as duas sozinhas novamente.
Cristal se virou para Olivia, a expressão séria:
— Quando ela acordar, vamos precisar fazer algo. Ela não pode continuar assim, Olivia. Esse tipo de coisa vai matá-la se não fizermos algo a tempo.
Olivia assentiu, mas, no fundo, sabia que mudar Stella seria um desafio maior do que qualquer um poderia imaginar.
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Atualizado até capítulo 155
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