Na sala da casa de Cristal..
Eric ainda estava largado na poltrona, claramente à vontade, enquanto Cristal o observava com os braços cruzados. A conversa fluía como de costume: cheia de ironias e provocações.
— Eu vou dormir aqui hoje, tá? — repetiu Eric, com um tom que beirava o desdém.
Cristal revirou os olhos, exasperada, mas não conseguiu segurar o riso.
— E quem foi que te convidou?
— E eu lá preciso de convite para dormir aqui? — respondeu Eric, com um sorriso travesso.
Cristal bufou e apontou para ele com o dedo.
— Claro que precisa, né, Eric. Ou você acha que é assim? Só entrar e dormir a hora e o dia que você quiser? Essa casa ainda é minha, e eu ainda não morri para deixar herança.
Eric riu alto, completamente imune à irritação dela.
— Sua? Quem disse? Você esquece que o que é seu é meu também, e o que é meu nunca na vida vai ser seu... até porque eu não tenho nada.
Cristal soltou uma risada seca, cruzando os braços de novo.
— Alguém já falou que você é um idiota?
— Já sim. Você fala isso toda vez que nos falamos. E não só você, o Liam também. — Ele piscou para ela, desafiador.
Antes que Cristal pudesse responder, o som estridente do telefone ecoou pela sala, cortando a conversa. Ela revirou os olhos novamente e pegou o aparelho de cima da mesa de centro.
— Alô?
Do outro lado da linha, uma voz séria respondeu:
— CP 242 se identificando. Chefe, tenho notícias sobre o carregamento que está vindo de Tóquio.
Cristal endireitou a postura, sua expressão mudando imediatamente.
— Quais são as novidades?
— A missão foi concluída. Os armamentos e munições chegaram ao local destinado sem nenhum tipo de problema.
Ela relaxou um pouco, mas manteve o tom firme.
— Ótimo. Me mantenha atualizada caso aconteça alguma coisa.
— Entendido, chefe. CP 242 se despedindo.
Cristal desligou e largou o telefone na mesa de centro, deixando escapar um suspiro.
Eric observava atentamente, com uma sobrancelha erguida.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não. — respondeu ela, seca, tentando mudar de assunto.
Mas Eric não era do tipo que deixava passar algo tão facilmente. Ele se inclinou para frente, com o olhar fixo nela.
— Você esquece que eu te conheço melhor que ninguém, Cristal. Quando você diz “não” com essa cara, geralmente significa “sim, mas não quero falar sobre isso”.
Ela o encarou por um momento, decidindo se valia a pena discutir.
— É trabalho. Só isso.
— Trabalho envolvendo armas e munições vindo de Tóquio? Parece “só isso” mesmo. — Ele sorriu, debochado.
Cristal bufou e jogou um olhar mortal para ele.
— Eric, você pode, por favor, calar a boca por cinco minutos?
Ele ergueu as mãos em rendição, mas o sorriso continuava no rosto.
— Tá bom, tá bom. Não vou me meter nos seus negócios, chefe. — Ele enfatizou a última palavra, carregando na ironia.
— Não sou sua chefe.
— Ah, mas age como se fosse. — Ele se jogou de volta na poltrona. — E, francamente, se fosse minha chefe, eu teria pedido demissão no primeiro dia.
Cristal o ignorou e pegou o copo de uísque que estava na mesa. Após um gole, olhou para ele novamente.
— Se você vai dormir aqui, pelo menos faz alguma coisa útil.
— Tipo o quê? — Eric ergueu uma sobrancelha, intrigado.
— Sei lá. Vai buscar alguma coisa pra eu comer.
Ele soltou uma gargalhada.
— Você acha que eu sou seu mordomo agora?
Ela deu um sorriso irônico.
— Não. Você não teria capacidade nem pra isso.
— Uau! Que motivação. — Eric riu mais uma vez, mas logo se levantou. — Tá, vai. O que você quer?
— Surpreenda-me. — Cristal respondeu, se acomodando mais no sofá, e colocando as pernas na mesa de centro, como se fosse a dona do mundo.
Eric revirou os olhos e caminhou até a cozinha, resmungando algo que ela não conseguiu ouvir.
Minutos depois, ele voltou com uma bandeja improvisada: um sanduíche mal montado, uma garrafa de vinho e um único copo.
— É o que temos para hoje. — Ele anunciou, colocando tudo na mesa.
Cristal olhou para a “refeição” e depois para ele, com uma expressão de descrença.
— Isso é sério?
— Ué, você disse para te surpreender. Surpresa! — Ele sorriu, satisfeito consigo mesmo.
Ela pegou o sanduíche, deu uma mordida e fez uma careta.
— Isso está horrível.
— Melhor que nada, né? — Eric deu de ombros, sentando-se novamente.
Cristal soltou um suspiro exasperado, mas acabou rindo.
— Você é impossível.
Eric ergueu o copo vazio da bandeja.
— Eu sei. É por isso que você me adora.
Ela jogou uma almofada nele, mas não conseguiu conter o sorriso.
— Vai sonhando.
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Edilene Cerqueira
mano eles só briga
2025-01-03
1