A porta do quarto se fechou com um estrondo, e Valentina se aproximou de Stella com um brilho psicótico nos olhos, o pedaço de madeira em sua mão agora parecia mais uma extensão de seu ódio. Ela se aproximou com passos firmes e rápidos, o som dos saltos ecoando no piso imundo do armazém. O ambiente estava impregnado de uma tensão densa, o ar pesado com o cheiro de poeira e sangue.
— Bom, Stella, você está confortável? — Valentina perguntou, a voz insincera, um deboche claro em cada sílaba. Ela deu um chute na porta, fechando-a com força.
Stella estava sentada no colchão, o corpo ainda tenso e dolorido, os olhos fixos em Valentina. Seus pulsos estavam amarrados com cordas grossas, e suas mãos tremiam, mas ela não deixava transparecer o medo. Seu olhar era desafiador, até desdenhoso, como se estivesse encarando a mulher que a torturava, mas sem se curvar.
— Confortável? Claro. Isso aqui é quase um spa. Só falta o champanhe — respondeu Stella, com uma pitada de sarcasmo, os dentes pressionados contra os lábios, tentando não gritar de dor.
Valentina riu, uma risada alta e cruel, como se a resistência de Stella fosse a coisa mais divertida que ela já tinha visto. O sorriso de Valentina se ampliou, revelando uma satisfação macabra.
— Adoro o seu senso de humor. Isso vai tornar tudo muito mais divertido para mim.
Valentina se afastou para um canto do quarto, onde a luz fraca das lâmpadas tremeluzia. Ela passou os dedos sobre a penteadeira empoeirada, como se estivesse apreciando o poder que tinha sobre aquela situação. Então, sem aviso, ela girou o pedaço de madeira na mão, fazendo-o ressoar no ar. Em um movimento rápido, ela balançou a madeira e acertou o colchão ao lado de Stella com uma violência chocante. O som do impacto foi tão forte que fez o corpo de Stella se contrair, mas ela manteve a postura rígida, sem um pio de dor.
— Você é previsível, Valentina. Tudo isso... — Stella fez um gesto com a cabeça, apontando para a madeira e depois para o rosto da mulher — É só uma tentativa desesperada de chamar atenção.
Valentina parou, sua expressão mudou, uma careta de desdém tomou conta de seu rosto. Ela se inclinou em direção a Stella, seus olhos agora carregados de raiva e diversão.
— E você é teimosa. Mas teimosia não vai te salvar, querida.
Com uma agilidade inesperada, Valentina levantou o pedaço de madeira e o acertou no joelho de Stella com força. O som do estalo foi ensurdecedor, e Stella não conseguiu evitar a dor lancinante que atravessou suas pernas. Ela cerrou os dentes, tentando se manter firme, mas seu corpo se curvou ligeiramente, incapaz de suportar todo o impacto.
— Vamos lá, grita. Chora. Faz alguma coisa. Eu quero ver você quebrar — Valentina sussurrou com um sorriso torto, seu tom de voz transformando-se em algo ainda mais ameaçador.
Stella, apesar da dor, não cedeu. Ela respirou fundo e olhou diretamente para os olhos de Valentina.
— Vai precisar de mais do que isso pra me derrubar.
Valentina riu de forma grotesca, como se a resistência de Stella fosse um brinquedo. Mas a frustração de Valentina estava começando a transparecer. Ela estava perdendo a paciência.
— Você acha que isso é um jogo? Acha que pode me desafiar e sair ilesa? — Valentina gritou, seus olhos agora quase descontrolados.
Ela deu outro golpe, desta vez nas costelas de Stella, e o som do impacto foi seguido por um gemido abafado da mulher, que se curvou, mas não cedeu. Ela estava sangrando por vários pontos do corpo, mas ainda assim, ela mantinha a cabeça erguida.
— Você é patética, Valentina. Só uma criança brincando de ser poderosa — disse Stella, sua voz rouca, mas desafiadora.
Essas palavras foram a gota d'água. Valentina parou imediatamente, seu rosto se tornando uma máscara de pura fúria. Ela agarrou o queixo de Stella com força, forçando a mulher a olhar diretamente em seus olhos. A raiva que emanava dela era quase palpável.
— Patética? Eu vou te mostrar o que é ser patética, sua puta de esquina! — Valentina gritou, e em um acesso de fúria, empurrou Stella com brutalidade.
Ela começou a andar de um lado para o outro, murmurando para si mesma, as palavras arrastadas pela raiva crescente.
— Sabe o que é engraçado? As pessoas sempre subestimam a louca. Mas sabe o que os loucos têm que os outros não têm? Nada a perder.
Ela parou abruptamente e olhou fixamente para Stella, com o pedaço de madeira erguido.
— Você é apenas um peão. Uma peça descartável nesse jogo. E eu vou garantir que quando Cristal aparecer, ela veja o estrago que eu fiz com você. Talvez assim ela aprenda a não brincar com quem não deve.
Stella, com a voz fraca, mas cheia de escárnio, soltou uma risada baixa.
— Você acha que vai ganhar, Valentina? Você é só uma ferramenta. Você não é nada, você não passa de poeira no móvel de outras pessoas.
Essas palavras atingiram Valentina como um soco no estômago. O olhar dela se tornou ainda mais selvagem, e ela desceu a madeira de uma vez só, acertando o ombro de Stella com toda a força que conseguiu reunir. O golpe foi tão forte que Stella mal conseguiu se manter em pé, seu corpo quase cedendo ao peso da dor.
— Cala a boca! — Valentina gritou, as palavras saindo como um rugido.
Ela não sabia mais até onde iria com a tortura, mas uma coisa estava clara: Stella estava começando a quebrar. Cada insulto, cada palavra desafiante que saía da boca da mulher era como gasolina para o fogo de Valentina. Ela queria ver Stella desmoronar. Queria que ela implorasse, que chorasse, que pedisse por piedade.
Mas Stella não cedeu. Mesmo com o corpo dilacerado pela dor, ela ainda estava lá, desafiando Valentina com os olhos. Cada golpe, cada insulto, só a fazia mais forte. Ela sabia que isso não seria o fim. Ela sabia que Cristal não deixaria isso acontecer.
Valentina estava perdendo o controle. Ela não sabia disso, mas estava.
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Maria Andrade
corre cristal vai salvar a Stella
2024-12-16
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Maria Andrade
autora mais por favor
2024-12-16
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