Stella estava sentada na cadeira de sua penteadeira, dentro do camarim da boate. O espelho à sua frente refletia a expressão confusa em seu rosto. O buquê de rosas vermelhas repousava ao lado de um delicado colar com um pingente de safira.
Ela segurou o cartão preso ao buquê mais uma vez, lendo as palavras que já havia decorado.
"Para nunca esquecer que certas coisas são eternas."
Um suspiro escapou de seus lábios enquanto seus dedos trêmulos brincavam com o pingente na pequena caixa aberta.
— O que você quer de mim, Cristal? — murmurou para si mesma, sua voz carregada de frustração e algo mais que não queria admitir.
A porta do camarim se abriu de repente, e uma de suas colegas de trabalho entrou, trazendo consigo uma aura de curiosidade.
— Uau, alguém está sendo mimada! — disse a colega, olhando para as rosas e o colar com um sorriso maroto. — Quem é o admirador secreto?
Stella revirou os olhos, tentando parecer indiferente.
— Só um mal-entendido — respondeu, colocando o cartão de lado.
— Ah, claro, "mal-entendido". Com rosas e joias dessas? — A colega arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. — Stella, todo mundo sabe que isso é coisa da Cristal.
— E daí? Não significa nada. — Stella desviou o olhar para o espelho, tentando ignorar a palpitação em seu peito.
A colega se aproximou, apoiando-se no encosto da cadeira de Stella.
— Você pode negar o quanto quiser, mas eu vejo o jeito que você olha para isso tudo. Você ainda gosta dela, não gosta?
— Eu não... — Stella começou, mas sua voz falhou. Ela sabia que seria inútil mentir.
A colega deu um sorriso complacente antes de se afastar.
— Só estou dizendo, se fosse eu, não desperdiçaria uma chance dessas. Boa sorte com seus "mal-entendidos".
Stella ficou sozinha novamente, seus pensamentos mais tumultuados do que nunca. Ela olhou para o colar mais uma vez antes de fechá-lo na caixa.
— Não vou cair nessa de novo, Cristal. Não vou. — Sua voz era um sussurro, mas sua determinação era palpável.
No entanto, por mais que tentasse convencer a si mesma, não conseguia ignorar as memórias que invadiam sua mente. Os momentos que compartilhara com Cristal, o sorriso dela, o jeito que fazia tudo parecer fácil... E, ao mesmo tempo, a dor das brigas, das decepções.
Stella se levantou abruptamente, pegando o buquê e jogando-o no lixo ao lado da penteadeira. Ficou encarando o colar por alguns segundos antes de também guardá-lo numa gaveta.
Ela sabia que precisava manter o foco. O trabalho, as noites na boate, sua liberdade – tudo isso vinha antes de Cristal. Não podia se dar ao luxo de ceder ao coração novamente.
Depois de mais uma noite de trabalho árduo e cansativo, Stella deixou a boate. A madrugada estava fresca, e as ruas eram iluminadas pelas luzes laranjas dos postes. O cansaço estava evidente em cada passo que dava enquanto caminhava rumo ao seu apartamento, que ficava a três quadras da boate.
Ela tentava afastar os pensamentos sobre Cristal, concentrando-se no barulho dos seus saltos contra o chão da calçada.
No entanto, ao pegar seu celular para verificar a hora, algo caiu de sua bolsa.
— Droga... — murmurou, agachando-se para recolher o objeto.
Foi nesse momento que ouviu o som de pneus rangendo no asfalto. Levantou a cabeça rapidamente, mas não teve tempo de reagir. Um carro preto parou ao lado dela, e, antes que pudesse gritar ou correr, dois homens mascarados saíram do veículo e a agarraram com força.
— Ei! Soltem-me! — Stella tentou resistir, mas a força dos homens era superior.
— Quietinha, vai ser melhor pra você — disse um deles, com uma voz fria e sem emoção.
Ela foi empurrada para dentro do carro, enquanto a porta se fechava com um estrondo. O cheiro de couro e cigarro era sufocante, e seu coração batia tão rápido que parecia prestes a sair do peito.
— O que vocês querem de mim? — Stella perguntou, tentando soar firme, mas sua voz tremia.
Os homens permaneceram em silêncio, e o carro arrancou em alta velocidade pelas ruas desertas.
Enquanto o veículo avançava pela cidade, Stella sentiu uma onda de pânico misturada com uma fúria crescente. Se isso tivesse algo a ver com Cristal, ela prometeu a si mesma que não deixaria barato.
Dentro daquele carro, em meio ao medo e à incerteza, uma coisa era clara: a noite de Stella estava longe de terminar.
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Atualizado até capítulo 155
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